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Cerco ao tráfico02/01/2013 | 20h45

Projeto prevê internação sem aval do dependente e penas mais duras a traficantes

Câmara dos Deputados aprecia lei de autoria do deputado Osmar Terra

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Um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados contrapõe duas visões opostas sobre como lidar com o problema das drogas. De autoria do deputado Osmar Terra (PMDB-RS), o projeto de lei prevê penas mais duras contra traficantes, internação sem consentimento do dependente e criação de uma rede de comunidades terapêuticas para tratamento de longa duração.

Para o deputado, as medidas são necessárias porque é preciso tirar de circulação até mesmo o pequeno traficante, porque o usuário nem sempre tem condição de discernir o que é melhor para si e porque deve existir uma opção de tratamento que afaste o dependente de seu ambiente, onde ele está mais sujeito ao risco de recaída.

O projeto, que deve ser submetido ao plenário da Câmara em fevereiro, é combatido por grupos que advogam uma visão diferente — caso do Instituto Igarapé, do Rio. Os adversários da proposta entendem que a pena mínima é ineficaz e manda usuários para a prisão, que internação contra a vontade não funciona e que pode ser melhor para o dependente lutar contra a droga em seu próprio ambiente, já que é lá que seu problema está.

Confira as alterações que seriam promovidas pelo projeto:

AS PROPOSTAS

Como é: a pena mínima para crimes envolvendo tráfico de drogas é de cinco anos.

Como ficaria: a pena mínima sobe para oito anos. As atenuantes para redução da pena são restringidas.

INTERNAÇÃO

Como é: a internação involuntária está prevista na legislação para pacientes psiquiátricos, mas há dificuldade para sua aplicação com dependentes de drogas.

Como ficaria: a internação involuntária passa a figurar em uma lei específica sobre drogas. Um familiar ou um servidor público (caso não haja parentes) poderá procurar um médico para solicitá-la. Se o médico constatar a necessidade, o dependente poder permanecer internado por até 180 dias.

COMUNIDADE TERAPÊUTICAS

Como é: existem comunidades terapêuticas particulares, que tratam dependentes depois da desintoxicação, mas elas não estão integradas ao sistema de saúde e muitas vezes não têm médicos e não seguem protocolos científicos.

Como ficaria: as comunidades teriam de se adequar a normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde e passariam a participar de uma rede integrada de atendimento, com financiamento público. Seriam apresentadas como opção para pacientes interessados em se tratar após uma intoxicação.

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