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Artigo26/01/2013 | 08h03

Luiz Henrique Torres: A herança histórica de Rio Grande

Professor da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e doutor em História escreve sobre as mudanças na cidade do sul do Estado

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Luiz Henrique Torres: A herança histórica de Rio Grande Lauro Alves/Agencia RBS
O referencial fundamental para explicar a história da cidade é o porto marítimo, único do Estado. Foto: Lauro Alves / Agencia RBS
Luiz Henrique Torres, professor da Furg
Rio Grande tem histórico de experiências de grande dimensão mas duração limitada, atraindo contingentes populacionais em busca de emprego e que alimentou uma grande periferia precária de uma urbanidade básica.

O referencial fundamental para explicar a história da cidade é o porto marítimo, único do Estado. Desde as motivações iniciais para a ocupação luso-brasileira do território rio-grandense, em 1737, até as atividades econômicas do comércio de exportação e importação nas primeiras décadas do século 19, foi o Porto Velho o cenário de formação de uma burguesia comercial e industrial que concentrou parte considerável da renda da economia rio-grandense.

A inserção de Rio Grande no processo industrial brasileiro se fez de maneira pioneira quando em 1873, foi instalada a primeira grande indústria gaúcha. O complexo Rheingantz deu início a uma atividade das mais longevas realizadas, perdurando por um século. Enquanto economia periférica ao capitalismo industrial instalado no eixo São Paulo-Rio de Janeiro, a economia da cidade sofria altos e baixos na geração de renda e emprego.

A industrialização da cidade desde a década de 1890 atraiu trabalhadores. Porém foi também motivadora de problemas sociais e da ocupação urbana de baixa condição de vida. A crise do modelo de relativa autonomia das economias regionais, como em Rio Grande, conduziu um grande desemprego na década de 1950, com o fechamento de muitas empresas do grupo Luiz Loréa e também do frigorífico Swift (multinacional que empregou 2 mil trabalhadores). No lugar destas empresas que desapareceram, surgiram empresas pesqueiras, que entre as décadas de 1960 e 1980 chegaram a empregar 20 mil pessoas.

Na década de 1970, Rio Grande viveu um novo surto de crescimento com o mega projeto "corredor de exportações" do governo federal e a construção do Superporto, gerando milhares de empregos na construção da estrutura dos terminais de grãos, fertilizantes e químico. O fim das obras e crises pontuais levaram a demissões no período posterior.

Outro referencial de agregação e desagregação está relacionado às obras de construção do Porto Novo e dos Molhes da Barra (1912-15). Atividades que empregaram cerca de 5 mil, promovendo um crescimento populacional intenso e um desemprego considerável, ao final das construções.

Atualmente, o novo mega projeto está associado à indústria naval. Nos últimos anos essa é a palavra de ordem na cidade, trazendo a Rio Grande milhares de trabalhadores e multifacetados hábitos culturais, nem sempre práticas culturais enaltecedoras e respeitantes da população nativa.

O colapso da precária logística da cidade leva ao aprofundamento de problemas históricos ligados ao deslocamento viário, a rede de esgotos, a ocupação precária de áreas periféricas anexadas a uma urbanidade sem infraestrutura, a problemas de segurança pública e saúde, ao crescimento de doenças como a sífilis e o aumento exacerbado no consumo de drogas, a crescente violência no trânsito, ao estresse urbano que proliferou em basicamente todos os segmentos das atividades cotidianas. E como os demais projetos cíclicos e exógenos à realidade local, de duração não determinada mas limitado em sua longevidade, fica a infinita ansiedade sobre as perspectivas tímidas de construção de um futuro saudável para a histórica cidade do Rio Grande.

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