O laudo com a causa da morte de uma cirurgiã-dentista gaúcha em um barco em Belém deve sair na quarta-feira. O caso é investigado pela Polícia Civil do Pará. Natural de Porto Alegre, Rosana Oliveira, 51 anos, foi encontrada morta no domingo dentro do camarote de uma embarcação que saiu de Manaus (AM) com destino a Belém (PA).
A dentista trabalhava para a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em uma aldeia dos índios ianomâmis e morava em Boa Vista (RR). Funcionários da embarcação, que comporta cerca de 300 pessoas, encontraram Rosana já sem vida na chegada ao porto de Belém, segundo a polícia.
— Ainda não sabemos a causa da morte. Ela foi encontrada deitada na cama, sem sinais aparentes de violência. Todas as hipóteses estão sendo consideradas, desde causa natural até envenenamento — explicou o delegado Eliézer Pureza Machado.
A dentista, que era solteira e não tinha filhos, estava em férias desde o final de dezembro e iria se reencontrar com a família em Florianópolis (SC) nesta semana. Segundo o irmão Alexandre Oliveira, 47 anos, Rosana viajou sozinha para Manaus e, depois, para Belém em busca de passagem de avião porque não conseguiu comprar o bilhete de voos que partissem de Boa Vista, onde morava.
— Ela não tinha nenhum problema grave de saúde. Mas, como ela passava longos períodos na floresta, estava sujeita a vários tipos de doenças. No ano passado, ela teve malária, mas já estava curada — relatou o irmão, que viaja hoje para Belém para fazer a liberação do corpo.
Formada na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) em 1985, Rosana atuou em consultórios próprios em Porto Alegre e Gravataí até o início dos anos 2000. Foi quando a dentista decidiu dar uma guinada na vida, passando a trabalhar com populações carentes: atuou em organizações não-governamentais na Índia e no Nepal. Antes de ir a Roraima para trabalhar com índios, há dois anos, atuou como dentista na secretaria de saúde do município gaúcho de Rolante, no Vale do Paranhana.
— Ela achava que era importante levar a saúde pública para locais onde a população não tem acesso. É um trabalho de ideologia. Hoje em dia, só se quer ganhar dinheiro, ela pensava diferente — afirmou Alexandre, acrescentado que, no último contato pela internet que fez há uma semana, Rosana estava feliz após ter se encontrado com amigos em Manaus.
A expectativa da família é de que o velório ocorra até o final desta semana em Porto Alegre.













