Assim como Ismael de Souza, que prometeu abandonar a pichação em entrevista a Zero Hora em janeiro de 2012, logo após ter sofrido uma queda, Paulo Matheus de Freitas Pereira, 18 anos, detido ontem enquanto pichava a fachada de uma loja no centro da Capital, promete largar o vandalismo.
Confira trechos da entrevista concedida a ZH, por telefone, na tarde de ontem:
Zero Hora - Você tem algum telefone do Ismael? Estamos tentando falar com ele.
Paulo Matheus de Freitas Pereira - Pior que estou sem contato com ele. A gente marcou pela rua, se encontrou. E ele não dá o número, fica se fazendo.
ZH - E você conhece ele há muito tempo?
Pereira - Não, conheço há pouco tempo.
ZH - Quanto é pouco tempo, um ano?
Pereira - Não, menos.
ZH - E como se encontraram ontem?
Pereira - A gente marcou de se encontrar ali no Centro. A ideia era pichar só aquele ali, só o protesto ali e deu.
ZH - Protesto?
Pereira - Na verdade foi um protesto.
ZH - Em relação a quê?
Pereira - Em relação aos políticos.
ZH - E vocês são de uma gangue? Como vocês se comunicam, pela internet, Facebook?
Pereira - Não tem nada de gangue, não, nada a ver. Eu nem tenho esse negócio de Facebook. Na verdade foi um amigo meu que falou que tinha um amigo que falava com ele.
ZH - Quantas vezes você já saiu com ele para pichar?
Pereira - Ontem foi a primeira vez. Nunca tinha saído.
ZH - O Ismael é como se fosse um líder?
Pereira - Eu conheço ele pelos protestos, nem sei muita coisa dele. Ele é meio conhecido na área e preserva muito a identidade dele.
ZH - Depois dessa bronca de hoje, pretende continuar pichando?
Pereira - Não, não, já larguei de mão, tá louco.
Em vídeo, confira a ação dos vândalos:
Punição com multa e pintura
Na batalha contra os vândalos, a prefeitura estuda enviar para a Câmara de Vereadores um projeto de lei para alterar o Código de Posturas do município. A legislação incluiria multa em dinheiro e a pintura do local pichado pelo infrator ou por sua família, em caso de adolescentes.
Como outras cidades gaúchas, a Capital decidiu investir no monitoramento eletrônico com mais de 300 câmeras e em informações dos próprios moradores para conter a ação de grupos de vândalos, conhecidos como bondes. Pelo menos 12 atuariam na região central, entre os bairros Centro, Cidade Baixa e Bom Fim.
O esforço não tem evitado que as pichações, no entanto, se multipliquem em bairros como Partenon e Azenha. Fachadas comerciais e prédios residenciais são os principais alvos.












