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Boa notícia31/01/2013 | 06h32

Ingrid se comunica com a família por mímica

Estudante de 21 anos juntou as mãos para formar um coração, apontado afetuosamente para os pais

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Ingrid se comunica com a família por mímica Caco Konzen/Especial
Internada em Porto Alegre, Ingrid Goldani já respira sem ajuda dos tubos e comunica-se com os pais por gestos Foto: Caco Konzen / Especial

Na falta da fala — ainda tímida, por conta do tubo que ficou instalado em sua traqueia durante dois dias para permitir a respiração — a estudante de enfermagem Ingrid Preigschadt Goldani, 21 anos, recorre à mímica para tranquilizar os pais, Eliete e Flávio. Deitada em um leito na UTI do Hospital Conceição, junta as mãos para formar um coração, apontado afetuosamente para o casal. Ingrid, que era funcionária da boate Kiss, é uma das vítimas do incêndio que sofre com a pneumonia química, embora tenha conseguido sair com vida da casa noturna.

A notícia de que a jovem estava no local interrompeu as férias da família Goldani. Imediatamente, os pais dela foram de Capão da Canoa a Santa Maria para ficar ao lado da filha.

— Ela estava enlouquecida domingo querendo saber dos amigos. Tive de tirar o notebook dela. Depois de algumas horas, ela começou a tossir. Quando chegamos no hospital, já tiveram de entubá-la — conta a decoradora Eliete Goldani.

Do Hospital Universitário de Santa Maria, a jovem foi transferida para Porto Alegre de helicóptero, na madrugada de segunda-feira. Os pais só puderam vir durante a manhã. O gerente de manutenção Flávio Goldani pegou a estrada, enquanto Eliete recebeu auxílio do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e veio de carona em um avião.

— Sou muito grata ao ministro e aos seus assessores. Eles foram sensacionais comigo — emociona-se.

A família também recebeu a solidariedade da irmã de Eliete, Maria Claudete, que ofereceu abrigo ao casal em sua casa no bairro Partenon. Ingrid ficou em estado grave durante a segunda-feira, mas começou a se recuperar rapidamente na terça. Ao meio-dia, recebeu a visita dos pais, ainda entubada. No encontro seguinte, às 17h30, o pai foi o primeiro a entrar na UTI.

— Levei um susto... Mas um susto bom. Entrei e vi ela bem, sem os tubos. Foi uma alegria enorme — conta Flávio com os olhos vermelhos de emoção.

Preocupada, a jovem faz gestos e pergunta o tempo todo pelos amigos que estavam envolvidos na tragédia. Quando a mãe permitir que acesse o notebook novamente, Ingrid saberá que vários deles morreram e outros tantos estão internados.

— Vai ser muito difícil para ela... Ela é muito preocupada com os amigos, mas não posso dar notícia nenhuma para não deixar ela triste. Estou aliviada pela minha filha, mas meu coração ainda sangra pelos outros — resume Eliete.

"Foi um anjo que salvou minha filha"

Foi pelos braços de um herói anônimo que Ingrid Goldani, 21 anos, escapou do incêndio na boate Kiss. A estudante de enfermagem era atendente em um dos bares da casa noturna, e ficou cerca de 10 minutos atrás do balcão até conseguir sair do local. O alívio veio instantes após a jovem colocar a cabeça dentro de um dos freezers, puxar ar, e pular para a pista. Pisoteada em meio ao tumulto, teve um dos pés machucados e ficou presa entre os corpos, até que um rapaz a puxou pela mão.

— Na primeira tentativa, ele não conseguiu arrastar ela. Ele chegou a desistir e soltou a mão dela, mas ela se desesperou e disse que ia morrer se ele não ajudasse — conta a mãe de Ingrid, Eliete Goldani.

Ingrid falou para os pais que quer fazer um agradecimento à pessoa que a salvou.

— Eu estava meio desacreditada com o ser humano, mas agora minha fé foi restaurada. Ninguém sabe quem é, mas foi um anjo que salvou a minha filha — diz Eliete.

Além de Ingrid, outro filho de Eliete estava na boate no momento do incêndio. Por sorte, o policial rodoviário Fabio Goldani ficou posicionado junto à porta e foi um dos primeiros a fugir.

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