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Tribo do Maracanã14/01/2013 | 01h24

Índios tentam impedir desocupação e demolição de prédio histórico no Rio

Na noite de sexta-feira, 40 homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar cercaram o local

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Índios tentam impedir desocupação e demolição de prédio histórico no Rio FÁBIO TEIXEIRA/Estadão Conteúdo
Índios montaram guarda nas janelas mais altas do edifício Foto: FÁBIO TEIXEIRA / Estadão Conteúdo

Prestes a ser engolido pela reforma do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, um prédio histórico se tornou trincheira de 23 famílias indígenas na sexta-feira. Para tentar evitar sua demolição, prevista no cronograma das obras da Copa 2014, e serem removidos do local, os índios prometem resistir.

O imóvel data de 1862 e foi sede do Museu do Índio a partir de 1953. Na década de 70, o museu se mudou para o bairro de Botafogo, e o casarão da Zona Norte ficou abandonado. O grupo de índios vive no local desde 2006 e, desde o final do ano passado, vê se aproximar cada vez mais a ameaça da demolição do prédio, localizado ao lado do Maracanã, em um espaço que o governo estadual considera essencial para viabilizar o acesso e a saída do estádio.

Uma liminar que impedia a derrubada foi suspensa há cerca de dois meses. Na noite de sexta-feira, um contingente de 40 homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Rio cercou o local. Os índios armaram barricadas, se posicionaram com arcos e flechas nas janelas mais altas do edifício e ganharam o apoio de estudantes e integrantes de movimentos sociais. O cerco durou até as 20h de sábado, quando os policiais foram embora depois de ter sido confirmado que a ordem judicial de reintegração de posse não chegaria.

Enquanto os policiais estiveram presentes, a situação foi de tensão. O cacique Carlos Tukano, 52 anos, acusou o batalhão de intimidação e disse que não negociaria a saída.

— Eu não vou abrir mão. Essa é a minha terra e não vou voltar atrás para ninguém — afirmou.

Pouco antes do meio-dia, o presidente da Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop), Ícaro Moreno Junior, precisou ser escoltado do local. Um manifestante havia agarrado em sua camisa, na tentativa de puxá-lo para uma conversa.

— A situação é caótica. Se avizinha uma luta corporal entre policiais e indígenas — alertou o defensor público Daniel Macedo, titular do segundo ofício de Direitos Humanos e Tutela Coletiva, que acompanha os índios desde o início da operação.

A luta não ocorreu. Os índios prometeram não usar armas no caso de uma invasão, mas garantiram que dariam a própria vida para evitar a remoção.

— Em nome da Copa, o governo está matando nossa história. Não vamos brigar, mas vamos resistir — argumentou o cacique.

No domingo, a Secretaria de Ação Social analisava como seria feita a retirada dos índios, porém o governo não confirmou nenhuma ação para hoje. Os índios querem que o governo faça uma proposta formal para a saída deles. O cacique Tukano salientou que o grupo poderia aceitar o recebimento de aluguel social — de R$ 400 a R$ 500 por mês.

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