Equipamentos do Rio de Janeiro, profissionais de saúde de São Paulo e Paraná, mensagens solidárias de Israel, ofertas de ajuda da Europa. Desde domingo, a solidariedade às vítimas em Santa Maria e a suas famílias se manifesta de diferentes formas e, às vezes, tem origens bem distantes.
Nesta terça-feira, por exemplo, o secretário estadual da Saúde, Ciro Simoni, revelou que havia atendido a um telefonema da Croácia, no Leste Europeu, oferecendo auxílio. Da vizinha Argentina, o Rio Grande do Sul já recebeu doações de pele, e o Uruguai também acenava com essa possibilidade.
— Do Paraná, vieram dois aviões com equipe médica. Também veio gente de São Paulo e do Rio, e Santa Catarina ofereceu ajuda — afirmou Simoni.
Profissionais de saúde se mobilizaram em diversas frentes. Estão em Santa Maria 59 integrantes da Força Nacional do SUS. Em Porto Alegre, o Conselho Regional de Enfermagem cadastrou 260 profissionais voluntários — 40 foram enviados para Santa Maria.
Naquele mesmo dia, o governo do Rio mandou 15 respiradores e monitores importados para uso em UTIs. A Força Estadual de Saúde fluminense — com mais de 400 médicos cadastrados — também está à disposição.
— Somos todos brasileiros, temos que estar juntos — resumiu a subsecretária de Unidades Próprias da Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro, Ana Lúcia Neves.
A Cruz Vermelha Brasileira e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) anunciaram ontem que irão fornecer apoio psiquiátrico gratuito para vítimas e familiares em Santa Maria, e também para profissionais que estão trabalhando no socorro aos feridos.
Na Central de Doações do Centro Administrativo em Porto Alegre, houve gestos mais singelos: pessoas foram entregar água mineral, remédios, luvas de borracha, máscaras respiratórias e papel higiênico.
Em Santa Maria, doações que não foram usadas no atendimento emergencial no domingo, como água e alimentos, deverão ser entregues às famílias dos pacientes internados nos hospitais da cidade.
Conheça as vítimas da tragédia
Como aconteceu
O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.
Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 235 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.
A tragédia, que teve repercussão internacional, é considera a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.
Em gráfico, entenda a sequência de eventos que originou o fogo
Confira imagens do local onde aconteceu a tragédia
Veja como foi o velório das vítimas
Nove pontos que devem permear as investigações sobre incêndio
A boate
Localizada na Rua Andradas, no centro da cidade de Santa Maria, a boate Kiss costumava sediar festas e shows para o público universitário da região. A casa noturna é distribuída em três ambientes - além da área principal, onde ficava o palco, tinha uma pista de dança e uma área vip. De acordo com a Polícia Civil, a danceteria estava com o plano de prevenção de incêndios vencido desde agosto de 2012.
Clique na imagem abaixo para ver a danceteria antes e depois do incêndio
Chamada de "Agromerados", a festa voltada para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) começou às 23h de sábado. O evento era de acadêmicos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Tecnologia de Alimentos, Zootecnia, Tecnologia em Agronegócio e Pedagogia. Segundo informações do site da casa noturna, os ingressos custavam R$ 15 e as atrações eram as bandas "Gurizadas Fandangueira", "Pimenta e seus Comparsas", além dos DJs Bolinha, Sandro Cidade e Juliano Paim.









