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Entrevista14/12/2012 | 05h48

"Sei que eu estou vivo por milagre", diz sobrevivente de explosão em empresa de Montenegro

Cristiano Flores Souza recupera-se em casa após ter queimaduras em 40% do corpo

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"Sei que eu estou vivo por milagre", diz sobrevivente de explosão em empresa de Montenegro Miro de Souza/Agencia RBS
Cristiano ao lado dos filhos Henrique e João Pedro e da mulher, Luciane Foto: Miro de Souza / Agencia RBS
Recuperando-se em casa, em Taquari, das queimaduras que atingiram mais de 40% do corpo na explosão na empresa Masisa, de Montenegro, Cristiano Flores Souza recebeu Zero Hora na tarde de quarta-feira. Cristiano ganhou alta no dia 9 de novembro. Cinco de seus colegas não tiveram a mesma sorte.

No acidente, morreram Thiago de Freitas Monteiro, 32 anos, Lucas Mateus Teixeira, 26 anos, Dirceu Peixoto dos Santos, 61 anos, Marcos Vinícius da Paz, 18 anos, e Vagner Costa da Silva, 29 anos. Ao lado da mulher, Luciane da Silva Fritz, e dos filhos João Pedro, oito anos, e Henrique, seis anos, o técnico em mecânica falou sobre o que se lembra do acidente ocorrido há mais de 80 dias, e o que projeta para o futuro.

Zero Hora – O que aconteceu no momento da explosão?

Cristiano Flores Souza –
Era o meu turno e eu voltava de uma manutenção quando recebi um chamado no rádio. Já havia a desconfiança de que a máquina pudesse pegar fogo, então não me aproximei muito. Quando vi que iria explodir, saí correndo.

ZH – A que distância tu estavas no momento da explosão?

Cristiano –
Eu estava entre 10 e 15 metros distante da máquina. A bola de fogo me atingiu pelas costas, mas queimou um pouco do meu rosto e da barriga, além das costas, dos braços e das mãos.

ZH – Chegou a ficar desacordado durante o socorro?

Cristiano –
Não, eu estava consciente e achei que era pouca coisa, que iria no hospital fazer um curativo e logo iria embora. Depois de chegar ao hospital, acabei acordando 16 dias depois. Dos seis primeiros dias, não me lembro de nada, só da transferência para Santa Catarina em diante.

ZH – E a recuperação, como está sendo?

Cristiano –
Fiz implantes de carne nos braços e nas mãos. Estou branco, não posso pegar sol, e a recuperação total deve levar cerca de um ano. Não sinto dor, meu rosto não ficou com nenhuma marca e eu me movimento normalmente. Sei que eu estou vivo por milagre, graças às orações de todas as pessoas, muitas que eu nem conhecia.

ZH – Quais os planos para o futuro? Pretende continuar trabalhando na Masisa?

Cristiano – Só
quero me recuperar e voltar a trabalhar. Sou muito inquieto, é difícil ficar parado em casa. Acidentes acontecem, e a empresa tem me dado toda a assistência necessária e o melhor tratamento. Pretendo voltar a trabalhar na Masisa, levar a minha vida normal com a minha mulher e os meus filhos.

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