Duas pesquisadoras da Pontifícia Universidade Católica (PUCRS) estão trabalhando para criar o que seria o primeiro banco de ossos do país a fim de facilitar a identificação de esqueletos. Essa coleção seria utilizada como referência para se fazer comparações com ossadas recém-encontradas, facilitar a descoberta de características dos mortos e servir de base para a elaboração de teses científicas.
Em fotos, confira como os peritos desvendam os segredos de ossadas
A coleção teria inicialmente, por meio de doações, cem cadáveres masculinos e cem femininos. Eles seriam identificados de acordo com suas particularidades, como altura, sexo, origem geográfica, idade, e serviriam como modelos para comparações e análises. Se um osso humano encontrado for muito similar ao da maioria dos homens jovens da coleção, por exemplo, será um forte indício de que se trata também de parte do esqueleto de um homem jovem.
— Em Portugal, eles têm um banco de ossos com 2,5 mil esqueletos — comenta a bióloga e professora da PUCRS Fernanda Nunes.
Ela e a colega Cinara Garrido, do Departamento de Ciências Morfofisiológicas da Faculdade de Biociências da PUCRS pretendem apresentar em breve o projeto da coleção de ossos ao comitê de ética da universidade. Caso tudo corra bem, poderiam buscar as primeiras doações no ano que vem. As duas também foram responsáveis pela vinda da especialista portuguesa Eugénia Cunha ao Brasil.
No Rio Grande do Sul, todos os anos são encontrados cerca de 40 esqueletos sem identificação, conforme a chefe da seção de Antropologia Forense do Departamento Médico Legal do Estado, Márcia Vaz. Graças às técnicas de identificação, muitas delas desenvolvidas no Estado com ajuda da colega portuguesa, conseguem descobrir a identidade dos mortos em 26% dos casos — que podem estar relacionados ou não com algum tipo de crime.
— Estamos dentro do padrão mundial para esse tipo de trabalho. Pelo que conversamos com a Eugénia Cunha, que nos já nos ajudou com algumas referências nos últimos anos, estamos seguindo o mesmo caminho do que se faz em outros países — afirma Márcia.
Em vídeo, a ciência que desvenda mistérios investigando ossos








