Em um universo de consumo como o shopping center, onde brinquedos disputam a atenção da gurizada, um estande modesto se sobressai. No segundo piso do Iguatemi, em Porto Alegre, vendem-se sonhos de Natal.
Gravetos, bolinhas de papel, aviõezinhos de jornal e tubos de papelão adornados por embalagens chamativas despertam a curiosidade de adultos e crianças.
A ideia, batizada de Brinquedos Imaginários, é propor uma troca: vender objetos simples para quem pode comprá-los e, com o valor arrecadado, comprar brinquedos de verdade para as crianças da Fundação Pão dos Pobres, instituição de caridade na Capital que atende a 1,6 mil crianças.
Em passeio pelo shopping, Catarina Lutz, 12 anos, foi fisgada por uma caixa que acomodava um pedaço de pau.
— Pensei que fosse do Harry Potter, que eu adoro. Quando cheguei, vi que eram brinquedos para doação. A ideia é muito legal — avaliou.
Apesar de a embalagem que atraiu Catarina lembrar detalhes do desenho predileto da menina, tratava-se da Incrível Varinha Mágica, cujo apelo comercial está em soltar raios de todas as cores e ter alcance mágico capaz de transformar sapo em príncipe rapidamente. O presente custa R$ 59. A pessoa desembolsa o valor, e a instituição trata de reverter a verba em brinquedos e itens de primeira necessidade, como a Ceia de Natal.
A ação foi criada pela agência DM9Sul, e as ilustrações das embalagens são da Miagui, com produção da PrintPaper. Tudo de forma voluntária. O projeto ocorre em uma fase preocupante para a instituição. Segundo João Rocha, gerente socioeducativo do Pão dos Pobres, são os idosos os que mais colaboram com o local. Mas para que os mantenedores se renovem, esperam atingir também o público mais jovem.
Julia quer ganhar um MP3 e uma blusa do Papai Noel
Para Rocha, uma atitude dessas vende sonho, esperança e estimula a imaginação daqueles cujos pais têm condições de presentear no Natal. Para crianças que pouco têm, como Julia da Silva Cipriani, 10 anos, significa a materialização de um desejo:
— Eu espero um MP3 e uma blusa que tenha um personagem da Barbie e Monsters High.
Sabe o que Julia pensa sobre a ação?
— É muito bom porque faz uma criança feliz.









