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Entrevista17/12/2012 | 20h43

"Não sou contra questões culturais", diz autor de projeto que proíbe provas em rodeios

Projeto de lei propõe a proibição da perseguição de animais em eventos

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"Não sou contra questões culturais", diz autor de projeto que proíbe provas em rodeios Giovani Grizotti/Agencia RBS
Proposta atingiria a prova do tiro de laço, a mais disputada entre as competições campeiras do Estado Foto: Giovani Grizotti / Agencia RBS
O projeto de lei do deputado federal Ricardo Tripoli (PSDB-SP), que propõe a proibição da perseguição de animais durante rodeios em todo o país causou polêmica nesta segunda-feira no Rio Grande do Sul. Tradicionalistas reclamam que a proposta atingiria a prova do tiro de laço, a mais disputada entre as competições campeiras do Estado.

Em entrevista a Zero Hora, o deputado afirmou que não é contra as questões culturais inerentes aos Estados, mas que os animais são maltratados e estas agressões precisam ser evitadas.

Confira trechos da entrevista:

Zero Hora — O que motivou o senhor a propor o fim dos rodeios?

Ricardo Tripoli —
Alguns garrotes (bezerros) têm morrido durante o rodeio, porque depois de passar o laço no pescoço do animal o cavaleiro tem de jogá-lo no chão. O animal quebra a cervical, fica sem oxigênio e, às vezes, acaba morrendo. São atividades chamadas recreativas, mas na verdade o animal é maltratado. Coloquei no papel o que as pessoas têm me solicitado: que parem essas agressões.

ZH — Como tem recebido as repercussões da proposta?

Tripoli —
Por ser um assunto polêmico, há quem concorde e ache que isso realmente tem de acabar definitivamente e há quem não concorde. Acho que é uma questão de princípios. Os rodeios hoje em dia não se dão pura e simplesmente pelo que ocorre no picadeiro. No Rio Grande do Sul tem o leilão de animais, alimentação tradicional daquela região, exposição de veículos. Há uma série de outras atividades que complementam o rodeio. Estas coisas vão se adaptando com o tempo.

ZH — No Rio Grande do Sul, o projeto afeta as provas de tiro de laço, competição considerada cultural. O senhor acha que este aspecto deve ser levado em conta?

Tripoli —
Acho que não é uma questão localizada por ser no Rio Grande do Sul, em São Paulo ou em Pernambuco. Não sou contra questões culturais, muito pelo contrário. A música, o show e a dança são atividades extremamente nobres, que nós devemos enaltecer, mas quando você causa maus-tratos a animais, cria um certo sentimento que não é bom para o jovem.

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