Passados mais de 80 dias da explosão na empresa Masisa, de Montenegro no Vale do Caí, as causas do acidente devem começar a ser esclarecidas nas próximas semanas. O Instituto Geral de Perícias (IGP) pretende enviar à Polícia Civil até o dia 24 deste mês o relatório sobre a tragédia que matou cinco trabalhadores na manhã do dia 22 de setembro.
Até agora, nenhuma das investigações realizadas foi concluída. O delegado titular de Montenegro, Marcelo Farias Pereira, afirma que deve finalizar o inquérito assim que receber o relatório do IGP. No entanto, as investigações apontam que a explosão foi iniciada por um curto-circuito na peneira.
— O que já podemos afirmar é que houve uma falha técnica na máquina que explodiu, no setor da peneira. Um curto-circuito gerou uma fagulha que, devido ao material que havia no local, deu início à explosão — explica o delegado.
A conclusão da polícia vai no mesmo sentido do que diz um dos sobreviventes. Cristiano Flores Souza, 30 anos, recebeu uma chamada pelo rádio na manhã do acidente, afirmando que uma máquina do setor da peneira estava com defeito. Ao se aproximar do equipamento o técnico em mecânica viu uma fagulha e correu.
— Eu vi que poderia explodir e não me aproximei muito. Quando vi a fagulha saí correndo. No momento da explosão eu estava entre 10 e 15 metros distante da máquina, e mesmo assim fui atingido — lembra.
Socorrido, o técnico em mecânica teve entre 40% e 50% do corpo queimado. Ao sair correndo no momento do acidente, as chamas atingiram suas costas e braços, além de partes do rosto e da barriga. Foram 16 dias em coma no Hospital Unimed Vale do Caí. Depois de sair do coma, foi transferido para Hospital Baía Sul, de Florianópolis (SC).
Cristiano ganhou alta no dia 9 de novembro, e está se recuperando em casa, em Taquari. Cinco de seus colegas não tiveram a mesma sorte. No acidente morreram Thiago de Freitas Monteiro, 32 anos, Lucas Mateus Teixeira, 26 anos, Dirceu Peixoto dos Santos, 61 anos, Marcos Vinícius da Paz, 18 anos, e Vagner Costa da Silva, 29 anos.
Caso é investigado por outros órgãos
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) também investiga a explosão. De acordo com o chefe da Sessão de Segurança e Saúde do Trabalho, Marco Antônio Ballejo Canto, o relatório com as análises do órgão está em fase final de elaboração, e também pode ser concluído ainda nesse ano.
— Esse levantamento e a elaboração do relatório estão em fase final. Em breve teremos as nossas conclusões — explica.
Já o Ministério Público do Trabalho (MPT) de São Cruz do Sul espera por relatórios pedidos à empresa, cujos prazos ainda não expiraram. A procuradora do trabalho, Enéria Thomazini, afirma que aguarda também pelas análises do MTE e da polícia.









