A novela da revitalização do Cais Mauá incorporou um novo personagem, um galã endinheirado de sotaque carioca.
O fundo de investimentos NSG Capital, que administra R$ 1,8 bilhão a partir da sua sede na praia de Botafogo, entrou em cena na terça-feira à tarde no Palácio Piratini para desempenhar o papel de mocinho na história que se arrasta desde 2010, marcados por anúncios e promessas.
Os cariocas são os novos sócios do consórcio Porto Cais Mauá, que venceu a licitação para realizar o empreendimento há dois anos mas ainda não conseguiu dar início às obras. Eles abocanharam 39% do negócio, com orçamento total de R$ 560 milhões. A chegada do novo parceiro foi anunciada como a garantia de que agora há capital para concretizar o projeto. O começo das obras está previsto para março, com conclusão da primeira etapa até abril de 2014, a tempo de abrir as portas para a Copa do Mundo.
— Estamos envolvidos nesse projeto há cinco anos. Foram cinco longos anos, em que enfrentamos muitas dificuldades. Estávamos um pouco sozinhos, mas agora temos um parceiro forte — disse Javier Aran, acionista do grupo espanhol GSS Holding, controlador de 51% do empreendimento (os outros 10% estão nas mãos do Grupo Bertin).
O “agora vai” foi anunciado no Piratini com a presença do chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, do prefeito José Fortunati, dos espanhóis e dos cariocas. Há pouco mais de um ano, em novembro de 2011, o Rio Grande do Sul testemunhou um momento similar: depois de pendências que emperravam o projeto terem sido superadas, o governo do Estado promoveu uma cerimônia para repassar a posse da área ao consórcio, com a presença do governador Tarso Genro. Como agora, o início das obras foi anunciado para março do ano seguinte.
Fundo ficará com uma das duas torres comerciais
O NSG, com experiência em investimentos no setor imobiliário, negociava sua entrada no negócio desde agosto. Ficou acertado que o fundo ficará com uma das duas torres comerciais que serão construídas.
— Já conhecíamos Porto Alegre e esperávamos por uma oportunidade como essa, um projeto interessante, que vai mudar a mecânica da cidade — disse o presidente do NSG, Luiz Eduardo Franco de Abreu.
Representantes do fundo carioca forneceram na terça detalhes novos sobre o projeto, como a construção de uma arena para shows e a parceria com uma universidade para a operação de um centro de eventos.
Coca-Cola vira parceira do projeto na Capital
Além de um novo sócio, o projeto para o Cais Mauá ganhou na terça-feira um parceiro importante – a Coca-Cola. A empresa revelou que vai operar um dos espaços à beira do Guaíba, mas ainda faz segredo sobre o que se trata.
Presente à reunião no Palácio Piratini, Ricardo Vontobel, da Vonpar (franqueada da Coca-Cola no Estado), prometeu mostrar o projeto dentro de um mês. Por enquanto, promete que será algo grandioso:
O pacote de boas notícias de terça também contou com uma contribuição do prefeito José Fortunati.
Segundo ele, a renovação da orla em um trecho de 1,5 quilômetro a partir da Usina do Gasômetro deve começar também por volta de março, com prazo de 10 meses para conclusão.
O projeto foi encomendado a Jaime Lerner, que também assina a remodelação do Cais Mauá.
A área beneficiada é vizinha à regão que será recuperada pela iniciativa privada, complementando-a com novas áreas de lazer para a população.
O projeto prevê reurbanização, iluminação especial e ciclovia na orla. A licitação para a obra deve ser lançada em janeiro.









