A terceira edição do Fórum de Debates Sobre as Políticas de Proteção aos Animais promete discussões acaloradas no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, na quinta-feira. Uma delas, o painel "Mutirões de esterilização de cães e gatos: um risco à vida dos animais domésticos", terá como palestrante o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do RS (CRMV-RS), Rodrigo Lorenzoni.
Apesar de não se opor à atividade, ele considera os mutirões apenas uma das ferramentas de órgãos públicos para o controle de natalidade de animais de rua. Um dos problemas os quais aponta, porém, é a disputa de clínicas veterinárias pelo preço mais baixo nos processos de licitação promovido pelas prefeituras.
— Quem vende uma castração a R$ 50 dificilmente tem equipamentos adequados para fazer a cirurgia e obter qualidade no serviço — aponta.
Lorenzoni explica que o procedimento em uma fêmea, por exemplo, apesar de corriqueiro, não é simples. Em casos como esse, o processo em uma clínica privada custa, no mínimo, R$ 350 — envolvendo fios cirúrgicos, anestésicos, antibióticos e mais cerca de 30 itens que elevam o preço da operação.
— Em muitos locais usam fios de náilon ou de algodão no lugar do cirúrgico, o que não é nada seguro e pode acabar prejudicando o animal — salienta.
Resolução normatizou procedimento em 2010
Segundo Lorenzoni, a resolução de número 14 do CRVM-RS, publicada em 2010, normatiza os procedimentos necessários para a adoção de métodos de esterilização de animais para controle populacional. Após o município montar um projeto, este passa por análise, fiscalização e aprovação da prática pelo Conselho. As prefeituras subsidiam os custos da castração para a população, obrigatoriamente, de baixa renda.
Para o presidente do CRVM-RS, as organizações protetoras de animais acabam focando na esterilização "como se resolvesse o problema do abandono". Ele, no entanto, defende políticas educacionais nas escolas, desde o Ensino Fundamental, e que garantam a construção de uma consciência de guarda responsável.
— Na origem, o animal sempre tem um dono, que depois acaba o abandonando. O poder público precisa discutir programas de punição a quem não cumpre com a responsabilidade — cobra Lorenzoni.
Projeto alega cunho social
A coordenadora do Projeto Castração de Animais Domésticos, Zélia Cardoso, afirma que as organizações protetoras dos animais utilizam veterinários "íntegros" e são "totalmente contra" a realização dos mutirões fora de clínicas especializadas.
— Nós temos o nosso controle de qualidade. Só estabelecemos parcerias com clínicas veterinárias éticas.
Para garantir o baixo custo das castrações à população carente, a Organização Não-Governamental (ONG) utiliza brechós, rifas e doações, o que permite baixar o custo nas cirurgias — entre R$ 50 e R$ 150.
— No ano passado, uma menina pagou R$ 150. Disse que em uma clínica privada teria de pagar R$ 1 mil. Todas as ONGs que trabalham nesses casos deveriam ser aplaudidas, e não perseguidas. Um trabalho social que não vejo o Conselho fazer — critica Zélia.
Ela, entretanto, salienta que alguns locais, para baixar o preço são utilizados lacres de plástico na sutura dos animais. Prática esta que é usada em bovinos.
Serviço
Promovido pela Secretaria Especial dos Direitos Animais (Seda), o evento acontece a partir das 14h e contará também com a presença do jornalista e ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro, Fernando Gabeira. Ele tratará do tema da utilização de animais em experimentações científicas. Confira agenda:
14h - Abertura
14h30min - "O meio ambiente e os animais", com o jornalista, escritor e ex-deputado federal, Fernando Gabeira
15h10min - "Competências do município, Estado e União com o bem-estar e os direitos animais", com Cristiane Nery, advogada com especialização em Direito Municipal, procuradora-geral adjunta de Porto Alegre e seccional da OAB/RS
16h30 - "Mutirões de Esterilização de cães e gatos: um risco à vida dos animais domésticos", com Rodrigo Lorenzoni, presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul (CRMV-RS)
17h10 - "Abrigos de Animais nos EUA: o que podemos aproveitar para o Brasil?", com Alexander Biondo, Doutor em Patologia Clínica Veterinária pela Universidade de Illinois (EUA) e Pós-doutor em Biologia Molecular na Universidade da Califórnia (EUA).












