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Ação polêmica19/12/2012 | 22h53

"É o pedido de socorro de uma mãe", diz desembargador sobre ação movida por moradora de Passo Fundo

Mãe pede que filha viciada em crack passe por laqueadura tubária para não ter mais filhos

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O desembargador do Tribunal de Justiça Ricardo Moreira Lins Pastl, responsável pela decisão de dar continuidade à ação que procura esterilizar uma jovem viciada em crack, explica que a medida tem como objetivo esgotar as possibilidades legais de prestar alguma forma de auxílio à família da dependente química. Na visão do magistrado, a ação deve ser entendida como o apelo desesperado de uma mãe. Confira trechos da entrevista concedida por telefone:

Zero Hora – Como o senhor avalia este caso?

Ricardo Moreira Lins Pastl – O que aconteceu é que essa mãe, também uma avó que já está cuidando de três netas, entrou com um pedido de socorro para que se examinasse uma possível laqueadura na filha dependente química. O juiz de primeira instância extinguiu o pedido dizendo que a mãe não tinha legitimidade (para entrar com essa ação). O que, em princípio, não está errado. Mas, como é um pedido de socorro de uma mãe, de uma avó cuja filha não tem condição de se manifestar pela dependência da droga, apenas desconstituímos essa sentença para poder ouvir a filha. Me parece que há um drama pessoal aí, e que a mãe está legitimada para reclamar algum cuidado para sua filha e os netos. Nossa decisão diz: vamos ouvir esse pedido de socorro e ouvir o que a filha tem a dizer.

ZH – O senhor já tinha visto caso semelhante? É comum?

Pastl – Há precedentes. Lembro de um outro caso que envolvia uma menor com deficiência mental severa e irreversível, que certamente surgiu a partir do pedido da mãe ou do pai. A lei autoriza em alguns casos como esses.

ZH – Isso não fere um direito individual?

Pastl – A lei brasileira admite que uma mulher com mais de 25 anos e três filhos faça a laqueadura. Então, devemos ouvir essa mulher. Quem sabe ela mesma, em um momento de lucidez, não aceita fazer a laqueadura? Na verdade, não está se impondo nada. A pessoa vai ela mesma dar a sua anuência, ou alguém vai dar se ela não tiver capacidade de consentir. Por enquanto, é só uma tese. Estamos dando seguimento à ação para que a mãe e a filha possam ser ouvidas.

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