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Depois do fim da greve04/12/2012 | 11h28Atualizada em 04/12/2012 | 17h24

Carris pode ter contas auditadas

Vereadora levou pedido ao MPC, que nos próximos dias analisará problemas citados no documento

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Carris pode ter contas auditadas Félix Zucco/Agencia RBS
O prédio administrativo da empresa (ao fundo) está com obras inacabadas há pelo menos dois anos Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Correção: Das 11h28min até as 17h24min, este site informou equivocadamente que 20.926 era a média mensal de reclamações sobre o serviço da Carris, o que a posicionaria como a de maior número de reclamações entre as empresas de ônibus de Porto Alegre. Na verdade, o valor se refere à média mensal do índice de reclamações, que é calculado pelo número de passageiros transportados dividido pelo total de ocorrências, isto é, há 20.926 passageiros para cada reclamação, o que situa a empresa como a de menor número de reclamações na comparação com os outros três consórcios que fazem o transporte regular de ônibus na Capital.

Construído ao longo de quatro horas e meia de conversações no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4) na manhã de segunda-feira, em Porto Alegre, o acordo que encerrou a greve da Carris trouxe alívio à população. No entanto, problemas tornados públicos pelos grevistas ao longo dos quatro dias de paralisação foram comunicados ao Ministério Público de Contas (MPC) em um pedido de auditoria nas contas da empresa.

O material, entregue pela vereadora Sofia Cavedon (PT) ao procurador-geral do MPC, Geraldo da Camino, aponta inchaço de cargos de confiança e falta de peças para os veículos, o que já era conhecido. Há, também, problemas contraditórios, como o abandono de prédios e o aluguel de contêineres para guardar arquivos, devido à falta de espaço físico.

No ano passado, a Carris teve déficit de R$ 5,9 milhões. A empresa atribui a perda à segunda passagem gratuita, mas empregados apontam gastos mal aplicados que refletem na qualidade do serviço. A Carris transportou menos passageiros do que a maioria dos consórcios privados em 2011. Ao mesmo tempo, porém, foi a que menos recebeu reclamações dos usuários.

Presidente lança outro olhar sobre motivo da paralisação

Para tratar desses assuntos, uma comissão de funcionários pretende contatar o prefeito José Fortunati. Segundo o motorista Luis Afonso Martins, integrante da comissão grevista, será pedida a contratação somente de CCs e diretores que sejam técnicos na área de transporte. O grupo também deve pedir a revisão do plano de carreira e uma forma de "evitar o sucateamento" da companhia.

O estopim da greve foi o não pagamento, pela empresa, do prêmio de desempenho de até R$ 1 mil aos funcionários, no dia 30. O valor será pago em duas parcelas, de R$ 700, amanhã, e de R$ 300, em 11 de janeiro. O presidente da empresa, Sérgio Zimmermann, sugere outro motivo para o descontentamento dos grevistas:

— Logo que entramos na Carris, estabelecemos metas coletivas e individuais. Antes, os funcionários recebiam o prêmio sem avaliação. Isto é, o funcionário padrão recebia o mesmo que outro que faltava e cometia avarias.

Alguns problemas levados ao MPC e as respostas da Carris:

1. Prédio administrativo inacabado há pelo menos dois anos

Foi priorizada a renovação da frota em 2011 (25 ônibus) e 2012 (13). As obras devem reiniciar em 2013

2. Creche para filhos de funcionários também está abandonada

Contratado projeto elétrico. A documentação está com a Smov para licitação e conclusão da obra

3. Falta de peças: no domingo, 11 ônibus estavam parados

A frota tem 364 carros, 90% rodando e até 10% como reserva técnica

4. Carros com a placa "Recolhe" passam em paradas sem pegar passageiros para recuperar tempo no registro nas antenas de monitoramento da EPTC

Foi implantado sistema Soma online, que permite o monitoramento em tempo real, com o objetivo da adequação dos horários em razão da demanda. A Carris tem por objetivo aprimorar a fiscalização

5. Falta de conforto (carro 674, da linha T2, tem ar-condicionado estragado há quatro meses e janelas emperradas, e, no ônibus 257, Campus Ipiranga, chove dentro e o ar não funciona)

A Carris diz que sua frota é "notável no requisito qualidade, o que é reconhecido pelos cidadãos de Porto Alegre"

6. A empresa aluga quatro contêineres, para uso como arquivo, e abandona a construção do novo prédio

Há uma "ação de andamento às obras, com futuros espaços para a demanda da companhia", diz a Carris

7. Venda da folha de pagamento

Conforme o presidente Sérgio Zimmermann, a venda da folha está dentro dos preceitos legais

8. A reposição dos uniformes é descontínua e inadequada

Houve um problema com o fornecedor, que, após notificação, comprometeu-se em cumprir o contrato

9. Excesso de CCs

O prefeito José Fortunati encaminhou à Câmara Municipal projeto de lei que prevê redução de 33% no quadro de cargos de confiança da Carris


A comparação

Média mensal de passageiros transportados em 2011

1º STS — 7.804.378

2º Conorte — 6.781.339

3º Carris — 6.207.956

4º Unibus — 6.205.458

Média mensal do índice de reclamações 2011 (número de passageiros transportados dividido pelo total de reclamações, o que significa que o maior índice é o melhor)

1º STS — 12.059 passageiros por reclamação

2º Conorte — 16.967 passageiros por reclamação

3º Unibus — 17.931 passageiros por reclamação

4º Carris — 20.926 passageiros por reclamação



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