Com a decisão sobre a continuidade da greve da Carris postergada para a manhã desta segunda-feira, a população de Porto Alegre poderá reviver as complicações no transporte público registradas na última sexta-feira, quando os ônibus da empresa pararam de circular.
A frota deverá estar reduzida a 70% a partir do início da manhã, mas a empresa conta com os 10% de funcionários que não aderiram ao movimento e com a cobertura dos consórcios privados para tentar dar uma cara de normalidade ao serviço — em caso de necessidade extrema, até Brigada Militar e Exército poderão ser chamados a ajudar.
A operação começará às 4h45min e deverá se manter ao longo da manhã porque a audiência que pode mudar o rumo da paralisação está marcada para as 8h30min, no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4). Foi o TRT4 que determinou, na noite de sexta-feira, a circulação de um mínimo de 70% da frota nos horários de pico, sob pena de multa diária de R$ 15 mil ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Porto Alegre, em caso de descumprimento.
Se a decisão dos servidores for por manter a greve, motivada pelo não pagamento de um prêmio de incentivo aos funcionários, novas táticas poderão entrar em vigor. No domingo, foram abertas inscrições para cobradores e motoristas emergenciais. De acordo com o presidente da Carris, Sérgio Zimmermann, uma centena de profissionais se inscreveu. Ele afirma que são necessários 120 motoristas e igual número de cobradores para dar conta da tarefa. Em caso de aprofundamento da greve, Zimmermann não descarta medidas extremas.
— Estamos planejando outras ações de contingenciamento, como o apoio da Brigada Militar e do Exército, que tripulariam os veículos — disse.
Integrante da comissão grevista, o motorista Luis Afonso Martins critica a medida. Para ele, motoristas emergenciais podem não ter conhecimento técnico suficiente do serviço e acabar colocando a população em risco. A opção pela utilização de motoristas e cobradores em caráter emergencial deverá ser questionada na Justiça pelo sindicato, de acordo com o presidente da entidade, Julio Pires.
Como funcionará a operação hoje
Os grevistas deverão garantir a operação de 70% dos veículos da Carris
Outros 10% serão mantidos pelos funcionários que não entraram em greve
Empresas privadas ficarão responsáveis pelas linhas que faltarem
Os veículos das outras empresas que fizerem itinerários da Carris serão devidamente identificados no letreiro
Quem são os funcionários
Todos fizeram concurso para entrar na empresa, mas são regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho
O piso salarial é o mesmo dos trabalhadores das demais companhias
Estão em greve cobradores, motoristas e algumas outras funções, como mecânicos
Se não for cumprida a medida judicial de operação de 70% da frota
Apenas as linhas transversais serão mantidas em funcionamento, com tabela horária de sábado
A exceção será a linha T11, que será atendida pelo consórcio STS nos horários normais de dia útil
O Unibus ficará responsável pelas linhas T6, T8 e T9
O Conorte fará as rotas das linhas T1 e T4
A Carris permanecerá com as linhas T2, T3, T5 e T7
Dicas
A EPTC sugere aos passageiros da Carris que se dirijam ao Centro Histórico, onde há alternativas de transporte para todos os pontos da cidade, e de lá prossigam viagem até o seu destino final
A melhor alternativa é a integração, ou seja, o uso de ao menos duas linhas, porque a maioria dos veículos da Carris faz trajetos transversais, e as outras empresas têm poucos percursos semelhantes
Quem é usuário de alguma linha da Carris que percorre a Avenida Ipiranga tem como opção itinerários de empresas que transitam pela Avenida Bento Gonçalves, que é paralela
Para saber como chegar a um destino por rotas e empresas alternativas, o usuário pode acessar o site http://www.poatransporte.com.br/. Na página, é possível obter um roteiro a partir de um endereço ou de uma linha de ônibus












