Um episódio oculto por mais de três décadas robustece as provas já existentes de que o Rio Grande do Sul participou da Operação Condor, a aliança secreta entre as ditaduras militares do Cone Sul para perseguir opositores políticos além das fronteiras. Em 12 de setembro de 1978, o argentino Carlos Alfredo Claret foi sequestrado quando morava em Passo Fundo, no Planalto Médio, sob suspeita de ser um militante de esquerda refugiado no Brasil.
Na tarde desta segunda-feira, Claret, hoje com 64 anos, revelou detalhes do sequestro na sede do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH), em Porto Alegre. Contou que foi levado de Passo Fundo à Polícia Federal da Capital, onde sofreu pressões e torturas com choques elétricos, nos pés e nos braços. Queriam que informasse contatos com subversivos, os quais desconhecia.
Claret abandonara a Argentina, onde era professor universitário e engenheiro, logo depois do golpe militar de 1976. Acreditou que poderia viver e trabalhar no Brasil, com a mulher e os dois filhos, mas se enganou. Escapou de ser remetido às prisões da Argentina, obtendo exílio na Suécia, graças à atuação de defensores dos direitos humanos como dom Paulo Evaristo Arns, Guy Prim e Jair Krischke, fundador do MJDH.
O caso de Claret junta-se a outros sequestros ocorridos no Estado. Em 1978, foram apanhados os uruguaios Lilian Celiberti e Universindo Díaz, em Porto Alegre. Dois anos depois, foram capturados por agentes da Operação Condor os argentinos Jorge Adur e Lorenzo Ismael Viñas, no cruzamento Paso de los Libres-Uruguaiana. Adur e Lorenzo desapareceram na Argentina, depois de serem torturados e mortos.









