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Profissão: dogwalker17/11/2012 | 08h01

Sem tempo para andar com os cães, donos recorrem aos passeadores

Agenda apertada dos proprietários abre possibilidade de trabalho para outras pessoas

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Sem tempo para andar com os cães, donos recorrem aos passeadores Fernando Gomes/Agencia RBS
Daniel Gonçalves, 33 anos, precisa terceirizar o serviço por causa da grande procura Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Eles deixaram de ser cães de guarda, desbravadores de quintais, para conquistar o interior das casas e apartamentos. Inovaram o visual em salões especializados em estética animal e hoje repousam sobre confortáveis sofás. Com direito a cafuné na hora da novela. É por isso que chamá-los de animais de estimação não é suficiente para definir o que Nestor e Nina significam para os Stumm.

São daqueles cães que assumem posição de destaque nas famílias modernas — compactas no número de membros, sob medida no que se refere a moradias e, sobretudo, de tempo limitado. O resultado: certo dia, o seter irlandês e a chow chow voltaram do veterinário com um diagnóstico encarado por Laura Stumm, 25 anos, com culpa: estavam estressados e gordinhos. Ao fazer uma breve autoanálise, concluiu: lhe faltava tempo.

A rotina de Laura mal termina e já começa novamente. A estilista divide-se entre o ateliê instalado na própria casa, o curso de pós-graduação em marketing e exercícios físicos. O intervalo que sobra é percebido com desalento: em média, uma noite livre por semana. Quando se dá conta, está escuro. E ela não levou os cachorros à rua.

É aí que Daniel Gonçalves, 33 anos, entra na história. Ele foi contratado pela estilista para levar as "crianças da família" para passear. Gonçalves viu na agenda apertada de outras pessoas a possibilidade de trabalho. Fez curso de adestramento. O principal já era inato: amor aos cães.


Laura Stumm contratou Daniel após saber que o seter irlandês Nestor e a chow chow Nina estavam estressados
Foto: Fernando Gomes, Agência RBS

O fenômeno que une Laura, Nestor, Nina e Daniel traz uma mudança que pode ser acompanhada em números. Paulo Carreiro é dono da Dogwalker, empresa que oferece cursos de preparação de passeadores há 10 anos em São Paulo. No primeiro deles, formou duas turmas. E está encerrando 2012 com o recorde de nove edições, o que significa cerca de 200 novos dogwalkers pelas ruas paulistas.

— Cerca de 80% dos nossos clientes sentem-se culpados. São famílias que resolveram ter o cão em uma rotina que não comporta o animal — avalia.

A política da empresa, no entanto, é firme. No final de semana, os mais de 120 clientes não podem contar com passeadores. É preciso que saibam reservar um tempo para demonstrar afeto aos bichos.

Um desafio ainda maior é sugerido pelo psicólogo Fernando Elias José: reservar o tempo para os pets, mas dispor, sobretudo, de um momento para si, para se fazer aquilo que bem entender. Para o especialista em Cognição Humana, boa parte da sensação de que o tempo se esvai tem como causa a má gestão das prioridades.

— Somos constantemente estimulados por redes sociais, e-mail e inúmeros canais na televisão. Tudo faz com que o tempo disponível se reduza a quase nada. E a nossa grande luta é prolongar a vida. Para isso, temos que nos recarregar compensando o inadiável com momentos de lazer — aconselha.



O terceirizado que terceiriza

Como se estivessem em um aquecimento, sem pressa, eles alongavam-se no quintal de casa. Afrontavam pequenas escadas e atravessavam a morada de um lado para o outro, atropelando o que estivesse pela frente. Pela euforia, Nestor e Nani pareciam saber que faltava pouco para Daniel Gonçalves, 33 anos, aparecer no portão de casa. Em menos de uma hora, o dogwalker chegaria para o tão esperado passeio.

A falta de tempo da estilista casou com uma boa ideia de Daniel. Mas como em um quebra-cabeças em que sempre falta uma peça, a crise generalizada instalada em cada relógio desconfigurou também os ponteiros do de Daniel.

De agenda cheia, como Laura, ele terceirizou outros serviços que não dava mais conta: paga para alguém limpar a casa. E nem sempre consegue ir ao banco.

Para driblar o tempo, o dogwalker comprou uma moto. O barulho dela, Nestor e Nina reconhecem de longe. É o que faz com que, de rabo abanando, esperem-no diante do portão. Coleiras ajustadas e ficam prontos para desfilarem pelas ruas do bairro Rio Branco, em Porto Alegre, como se tivessem todo o tempo do mundo. Sensação que, pelo menos eles, podem ter.

Confira dicas para organizar melhor o dia, cumprir os afazeres e relaxar

- Planeje-se. Ao acordar, antes de sair da cama, mentalize a programação do dia. Mas não encare essa tarefa de forma compulsiva.

- Faça uma lista de prioridades. Se não concluir todas, não se martirize. O dia seguinte tem mais 24 horas para compensar o tempo perdido.

- Seja realista. Assuma compromissos que você possa cumprir. Não tente dar passos maiores que as próprias pernas.

- Seja precavido. Sempre deixe uma margem na agenda para trabalhar com imprevistos.

- Relaxe. Lembre-se de que você precisa recarregar as energias. Compense atividades obrigatórias com momentos de lazer e descanso.



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