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Transporte coletivo30/11/2012 | 11h57

Prefeitura de Porto Alegre irá entrar na Justiça contra paralisação de funcionários da Carris

Prefeito José Fortunati alega que categoria não fez aviso prévio de 72 horas previsto em lei

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Prefeitura de Porto Alegre irá entrar na Justiça contra paralisação de funcionários da Carris Mauro Saraiva Jr./Rádio Gaúcha
Em imagem aérea, é possível observar o pátio da Carris com ônibus estacionados Foto: Mauro Saraiva Jr. / Rádio Gaúcha
O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, decidiu entrar na Justiça contra a paralisação de funcionários da Carris, iniciada na madrugada desta sexta-feira. Ele alega que a comissão dos funcionários da companhia não fez o aviso prévio de 72 horas que consta em lei para iniciar a greve. A ideia é fazer com que o serviço seja restabelecido até o final da tarde.

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— Fomos surpreendidos. Iam fazer uma manifestação e decidiram paralisar agora de manhã — afirmou Fortunati em entrevista à Rádio Gaúcha após deixar a reunião que definiu a decisão da administração municipal.

Sobre o bônus de R$ 800, o qual é uma das principais reivindicações da categoria, Fortunati explicou que o pagamento da gratificação depende do atingimento de metas coletivas e individuais da companhia.

Ele cita que o acordo compete a todo o ano de 2012 — de 1º de janeiro a 31 de dezembro. A data de hoje (30 de novembro) que consta no documento teria sido colocada equivocadamente na redação do documento, salienta Fortunati.

— Há um compromisso da gratificação após avaliação das metas — prometeu o prefeito.

Luciano Odorizzi, da Comissão dos Funcionários da Carris, alega que Fortunati foi o único candidato à prefeitura de Porto Alegre que não recebeu a categoria durante o período eleitoral. Ainda conforme ele, foi pedida uma audiência com Fortunati nesta sexta e não teria sido atendida.

— Isso está sendo feito porque falaram uma coisa e não cumpriram. Vamos continuar paralisados — afirmou Odorizzi.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) convocou para a tarde uma reunião de mediação com a direção da Carris, a Comissão de Trabalhadores da empresa e o Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre. O agendamento foi feito por telefone, nesta manhã, pela procuradora Beatriz de Holleben Junqueira Fialho.

Nota da prefeitura

No início desta tarde, a prefeitura emitiu um comunicado lamentando a paralisação dos funcionários da Carris, realizada "sem aviso prévio e sem embasamento legal". Confira a nota completa:

A Prefeitura Municipal de Porto Alegre, a propósito da paralisação de funcionários da Companhia Carris, vem a público informar e esclarecer que:

1) Lamenta a forma unilateral, sem aviso prévio e sem embasamento legal com que foi realizada a paralisação no início da manhã desta sexta-feira, 30, trazendo graves prejuízos à população de Porto Alegre;

2) A Prefeitura já está adotando as medidas administrativas, operacionais e legais para que os prejuízos causados à cidade sejam minimizados e para restituir a normalidade do serviço o mais rápido possível. Entre as principais iniciativas adotadas está o remanejamento de 172 veículos de outras companhias para cobrir as rotas sob responsabilidade da Carris;

3) Em relação aos pleitos dos servidores, a Prefeitura realiza grande esforço de qualificação da gestão, das condições de trabalho dos funcionários da companhia e, consequentemente, dos serviços prestados à população. Tanto é assim, que grande parte da pauta dos trabalhadores já foi atendida e o restante das demandas está sendo encaminhada;

4) Além disso, outros esforços administrativos estão sendo implantados, tais como a readequação do quadro de servidores, com a redução de cargos de confiança, e a contratação de consultoria especializada, com vistas a tornar mais eficientes os processos gerenciais;

5) Dentre os avanços já conquistados, está a questão da bonificação dos servidores, que até este ano era concedida sem base em critérios técnicos. Em 2012, a direção da companhia estabeleceu, em acordo com a categoria, o Programa de Participação nos Resultados Carris (PPRC), que determina metas coletivas e individuais para obtenção do benefício. Em sua cláusula 13ª, o acordo estabelece que as metas serão medidas até o dia 31 de dezembro deste ano, sendo, portanto, irregular o pagamento da gratificação sem que o período de análise das metas esteja concluído;

6) A Prefeitura reafirma o seu compromisso com o pagamento dos valores estabelecidos no PPRC, destacando a adesão e parceria dos servidores até o momento.

7) A retomada das negociações entre a direção da Carris e a representação da categoria para o estabelecimento da data de pagamento do PPRC só ocorrerá com imediata regularização dos serviços prestados à população de Porto Alegre.


Confira a movimentação no Terminal Triângulo, na Zona Norte:


O que dizem os funcionários em panfletos distribuídos à população:

— excessos de CCs; sucateamento da frota; desleixo e abandono por parte da administração com a manutenção e a oficina;

— terminais em péssimas condições de uso e convívio, sendo que convive no mesmo espaço. Mau cheiro de lixo em banheiros junto ao refeitório (T4 Norte, T11 Sul);

— sucateamento da oficina, canibalismo e desmanche de carros novos, valas cheias de água parada, telhados quebrados. Recepção sem proteção para as intempéries. Pátio mal conservado;

— uniforme de péssima qualidade e sempre em falta;

— falta de planejamento do estoque, faltando peças, o que ocasiona superlotação dos ônibus e atrasos nos horários;

— situações de assédios;

— falta de segurança para a tripulação e passageiros.

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