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— Fomos surpreendidos. Iam fazer uma manifestação e decidiram paralisar agora de manhã — afirmou Fortunati em entrevista à Rádio Gaúcha após deixar a reunião que definiu a decisão da administração municipal.
Sobre o bônus de R$ 800, o qual é uma das principais reivindicações da categoria, Fortunati explicou que o pagamento da gratificação depende do atingimento de metas coletivas e individuais da companhia.
Ele cita que o acordo compete a todo o ano de 2012 — de 1º de janeiro a 31 de dezembro. A data de hoje (30 de novembro) que consta no documento teria sido colocada equivocadamente na redação do documento, salienta Fortunati.
— Há um compromisso da gratificação após avaliação das metas — prometeu o prefeito.
Luciano Odorizzi, da Comissão dos Funcionários da Carris, alega que Fortunati foi o único candidato à prefeitura de Porto Alegre que não recebeu a categoria durante o período eleitoral. Ainda conforme ele, foi pedida uma audiência com Fortunati nesta sexta e não teria sido atendida.
— Isso está sendo feito porque falaram uma coisa e não cumpriram. Vamos continuar paralisados — afirmou Odorizzi.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) convocou para a tarde uma reunião de mediação com a direção da Carris, a Comissão de Trabalhadores da empresa e o Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre. O agendamento foi feito por telefone, nesta manhã, pela procuradora Beatriz de Holleben Junqueira Fialho.
Nota da prefeitura
No início desta tarde, a prefeitura emitiu um comunicado lamentando a paralisação dos funcionários da Carris, realizada "sem aviso prévio e sem embasamento legal". Confira a nota completa:
A Prefeitura Municipal de Porto Alegre, a propósito da paralisação de funcionários da Companhia Carris, vem a público informar e esclarecer que:
1) Lamenta a forma unilateral, sem aviso prévio e sem embasamento legal com que foi realizada a paralisação no início da manhã desta sexta-feira, 30, trazendo graves prejuízos à população de Porto Alegre;
2) A Prefeitura já está adotando as medidas administrativas, operacionais e legais para que os prejuízos causados à cidade sejam minimizados e para restituir a normalidade do serviço o mais rápido possível. Entre as principais iniciativas adotadas está o remanejamento de 172 veículos de outras companhias para cobrir as rotas sob responsabilidade da Carris;
3) Em relação aos pleitos dos servidores, a Prefeitura realiza grande esforço de qualificação da gestão, das condições de trabalho dos funcionários da companhia e, consequentemente, dos serviços prestados à população. Tanto é assim, que grande parte da pauta dos trabalhadores já foi atendida e o restante das demandas está sendo encaminhada;
4) Além disso, outros esforços administrativos estão sendo implantados, tais como a readequação do quadro de servidores, com a redução de cargos de confiança, e a contratação de consultoria especializada, com vistas a tornar mais eficientes os processos gerenciais;
5) Dentre os avanços já conquistados, está a questão da bonificação dos servidores, que até este ano era concedida sem base em critérios técnicos. Em 2012, a direção da companhia estabeleceu, em acordo com a categoria, o Programa de Participação nos Resultados Carris (PPRC), que determina metas coletivas e individuais para obtenção do benefício. Em sua cláusula 13ª, o acordo estabelece que as metas serão medidas até o dia 31 de dezembro deste ano, sendo, portanto, irregular o pagamento da gratificação sem que o período de análise das metas esteja concluído;
6) A Prefeitura reafirma o seu compromisso com o pagamento dos valores estabelecidos no PPRC, destacando a adesão e parceria dos servidores até o momento.
7) A retomada das negociações entre a direção da Carris e a representação da categoria para o estabelecimento da data de pagamento do PPRC só ocorrerá com imediata regularização dos serviços prestados à população de Porto Alegre.
Confira a movimentação no Terminal Triângulo, na Zona Norte:
O que dizem os funcionários em panfletos distribuídos à população:
— excessos de CCs; sucateamento da frota; desleixo e abandono por parte da administração com a manutenção e a oficina;
— terminais em péssimas condições de uso e convívio, sendo que convive no mesmo espaço. Mau cheiro de lixo em banheiros junto ao refeitório (T4 Norte, T11 Sul);
— sucateamento da oficina, canibalismo e desmanche de carros novos, valas cheias de água parada, telhados quebrados. Recepção sem proteção para as intempéries. Pátio mal conservado;
— uniforme de péssima qualidade e sempre em falta;
— falta de planejamento do estoque, faltando peças, o que ocasiona superlotação dos ônibus e atrasos nos horários;
— situações de assédios;
— falta de segurança para a tripulação e passageiros.













