Em uma visita de dois dias ao Litoral Norte, Zero Hora percorreu as cinco maiores praias na semana passada. A um mês da abertura oficial da temporada de verão 2012/2013, verificou-se que ainda há muito por fazer. A troca de administração em todas elas (Imbé, Tramandaí, Xangri-Lá, Capão da Canoa e Torres) é um agravante.
Enquanto impasses políticos são resolvidos, gramas crescem em canteiros, lixos se proliferam nas ruas de algumas praias e os históricos buracos pipocam no asfalto e em paralelepípedos. Problemas que ficam ainda mais graves nos dias de chuva, quando bocas de lobo transbordam, revelando que a maioria das praias não possui escoamento adequado.
Se em Tramandaí e Imbé há muitas casas com placa de vende-se, em Xangri-lá, Capão da Canoa e Torres mais e mais prédios são construídos. Nestes municípios, o barulho de serras elétricas e britadeiras sobressai ao do mar.
O clima de descontentamento em residir e veranear em Imbé — uma das que possui maiores problemas de infraestrutura — se traduz nas palavras de Izabel Strassburger, 42 anos, que vive com o carro na oficina mecânica reparando os estragos causados pelo caos das pistas.
— Se esta rua principal está assim, calcula como estão as outras — afirma a moradora da Rua Santa Rosa.
A conservação da beira-mar também entristece Izabel, que desistiu de passar o verão em casa. O veraneio dela é em Bombinhas, Santa Catarina.
— Imbé não tem infraestrutura para receber este monte de gente — desabafa.
Mesmo em Capão da Canoa, onde a construção civil só cresce e a expectativa é de receber mais e mais veranistas, o clima de desilusão também aflora. A corretora de imóveis Márcia Berta Wayne, 47 anos, se diz decepcionada:
— Nem antes das eleições se preocuparam em deixar a cidade bonitinha.
Para negociar com os atuais e novos prefeitos do Litoral Norte, — já que cerca de 1,6 milhão de turistas se mudam da Capital e Interior para o Litoral Norte — será realizado um encontro na próxima terça-feira. A discussão reunirá, em Arroio do Sal, a atual gestão pela manhã e a nova equipe que assume no dia 1 de janeiro pela tarde, a fim de formar uma rede de cooperação para entregar as praias com as condições mínimas para o veraneio.
— Não vamos cobrar, vamos ouvir o que eles pretendem e o que podem fazer nos municípios. Sabemos das dificuldades que as prefeituras estão enfrentando no fechamento de suas contas, em função na queda das arrecadações — ponderou Gilson de Brum, secretário-adjunto do Gabinete dos Prefeitos do governo estadual e um dos coordenadores da reunião.








