Versão mobile

Opinião06/11/2012 | 06h52

Paulo Sant'Ana: Meu rol de amigos

Enviar para um amigo
Não sei se isso acontece com meus leitores, mas comigo é o que ocorre: em levantamento que fiz, a maioria esmagadora das ótimas coisas que aufiro e dos péssimos danos que sofro é por culpa minha, da minha exclusiva responsabilidade.

Por exemplo, uma grande alegria se apossou de mim ontem quando li na página 2 de Zero Hora o resultado do levantamento do nosso call center sobre a preferência dos nossos leitores no fim de semana passado: fiquei em primeiro lugar, com 25,4%, na frente das matérias “Novidades do verão” e “Feriadão de tempo aberto nas praias”. Elas com 16,9% e 15,3%, respectivamente.

Fui eu que consegui esse feito.

* * *

Já sobre os danos que sofro, cuidem como são da minha responsabilidade exclusiva: tive câncer na rinofaringe porque fumo. Se não fumasse, não teria adquirido a doença.

Ou seja, os males que me afetam são da minha culpa, são relativos aos meus erros de escolha.

Fui eu quem escolheu as minhas duas mulheres, queria o quê?

* * *

Estou tentando trocar ideias com meus leitores e leitoras. Quero chegar à conclusão de que colhemos exatamente o que plantamos.

Entre os meus grandes danos, existe a tontura terrível que sinto e que me tirou a alegria de viver.

Examino atentamente os passos da minha tontura incapacitante e não encontro responsabilidade minha nessa tontura. Ela é fruto das minhas circunstâncias, do meu genoma, da minha vocação fisiológica. Eis aí um grande sofrimento meu sobre o qual não tenho qualquer responsabilidade. Ou pelo menos não a percebo.

* * *

Por motivos da minha privacidade, não posso dizer o que me aconteceu recentemente e que me abalou profundamente. Mas foi por culpa exclusiva minha, fui eu que descuidei, fui eu que estava avisado de que aquele meu proceder poderia me levar à catástrofe a que me levou e insisti no erro, é claro que em busca do lazer prazeroso, mas eu rocei o abismo e acabei caindo no despenhadeiro.

O que quero demonstrar, não sei se com acerto, é que quase tudo que nos acontece de bom ou de ruim tem a nossa marca. O acaso, a sorte, o azar, esses são os menos importantes protagonistas do nosso destino, nós somos os maiores responsáveis pelos desígnios da vida que levamos.

* * *

A finalidade desta coluna é inculcar nos meus leitores que não tem erro, é bater e valer: aqui se faz e aqui se paga, ou aqui se faz, aqui se recebe.

Porque é bom saber que nós podemos construir os nossos destinos. Não é bem assim, mas eu tenho visto que é bem assim.

E, dentro desse quadro, a melhor visão que tenho, o maior sentimento que nutro é o de que tenho conseguido fazer bastantes amigos nos últimos tempos.

Tenho amigos que me adoram, adoram estar comigo, adoram conversar comigo, adoram me ler, adoram que eu participe de suas dores e alegrias, que eles me põem a par de como elas lhes ocorrem.

Tenho amigos, isso é a minha maior felicidade.

E, agora, ao lerem isso, eles vão perceber nitidamente que estão incluídos neste meu rol.

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Siga perfis de ZH no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros