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Descuido fatal10/11/2012 | 08h56

Número de pessoas mortas por afogamento é maior em águas interiores

Em 2011, ocorrências em lagos, rios e açudes foram oito vezes mais frequentes do que no mar

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Número de pessoas mortas por afogamento é maior em águas interiores Miro de Souza/Agencia RBS
Cleonice não quer nem passar perto do rio onde três de seus filhos morreram afogados nos últimos 11 anos Foto: Miro de Souza / Agencia RBS

Ela já não visita mais os parentes que moram na margem do Rio dos Sinos, em São Leopoldo. Aquelas águas escuras lhe trazem o cheiro da morte. Cleonice Fátima Xavier, 51 anos, perdeu três filhos em pouco mais de uma década. Todos eles levados pelo rio. É como se Cleonice convivesse com uma cicatriz que o tempo insiste em não deixar apagar. Onze anos após a morte de dois de seus meninos — em um intervalo de três meses —, a tragédia se repete. No mesmo rio.

Na tarde de 20 outubro, o 2º Comando Regional de Bombeiros foi acionado por uma das amigas de Ana Carolina Xavier da Costa, 13 anos. A adolescente conta que entravam na água de braços dados, quando Ana teria caído em uma parte mais profunda e desaparecido. O poço tinha oito metros de profundidade. Depois de quatro dias de buscas, o corpo subiu à superfície.

— Ainda estou arrasada. Não quero passar perto do rio, para nada — conta a mãe.

A mesma dor de Cleonice foi enfrentada por famílias de pelo menos outras 149 pessoas que morreram afogadas no Estado em 2011. O maior número de mortes aconteceu em águas interiores. As ocorrências em lagos, rios e açudes foram oito vezes mais frequentes do que as fatalidades no mar.

Em boa parte dos casos, as falhas foram as mesmas. As vítimas refrescavam-se em local inapropriado e sem a vigilância de salva-vidas. Desrespeitaram a força da água. E foram levados por ela.

Adolfo Bialoso, sargento do 2º CRB, que recebeu o pedido de socorro da amiga de Ana da Costa, estima em porcentagem a origem das tragédias: 90% das vítimas não sabiam nadar. Soma-se a essa incapacidade, fatores que podem causar mal-estar como entrar na água após refeições pesadas e ingestão de bebidas alcoólicas ou depois de exercícios que exijam grande esforço físico.

Para Joel Prates, presidente da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), além da imprudência, a excessiva confiança de que se sabe nadar também é fator que pode levar a afogamentos.

— As pessoas têm de se dar conta de que nadar em piscina é uma situação diferente do que estar em águas escuras e frias. Os rios têm mudanças de profundidade bastante abruptas e, quando se vê, se está em situação de risco — avalia Prates.

Falta de vigilância aumenta os riscos

O 9º Comando Regional de Bombeiros, com sede em Tramandaí, contabilizou 27 mortes em 2011, o que significa que menos de 20% dos casos de afogamento aconteceram no litoral gaúcho.

De acordo com o major Avila, do Grupo de Busca e Salvamento (GBS) da Capital, no entanto, até 2 mil salvamentos são realizados por ano nas praias do Estado. Cruzando os dados, uma constatação é certeira para o comandante: o maior número de mortes nas águas doces do interior gaúcho é explicado pela falta de vigilância.

— Não se pode afirmar que os 2 mil casos de afogamento por ano no Litoral resultariam em morte, mas é possível dizer que pelo menos a metade dessas pessoas não sobreviveria se não houvesse a presença constante de salva-vidas nas praias mais movimentadas no verão — estima Avila.

No último mês, foram registradas 20 mortes em todo o Estado, 10 a mais do que as contabilizadas em outubro do ano anterior. Nenhuma aconteceu no mar. Oito foram em rios e sete em arroios do interior gaúcho.

Em água doce ou salgada, a prevenção mais eficaz que existe contra o afogamento é aprender a nadar.

— É preciso prevenir — diz Avila.

Siga as dicas:

> Seja precavido...

- Nunca superestime a sua capacidade de nadar

- Se for nadar, evite a ingestão de bebidas alcoólicas

- Não faça refeições pesadas antes de entrar na água

- Evite nadar durante a noite ou em locais isolados

- Respeite as placas que sinalizam locais impróprios para banho

- Não nade após exercícios

- Seja cauteloso e verifique a profundidade e a correnteza do local de banho antes de cair na água

> Se alguém estiver se afogando...

- Ligue para os bombeiros, no 193

- Não tente salvar alguém se há risco à sua segurança

- Se dominar a natação, entregue algo que flutue para a pessoa que está se afogando

- Se não souber nadar, não entre na água. Tente jogar uma corda ou uma boia para perto de quem está se afogando

> Se você estiver se afogando...

- Se caiu em alguma situação de risco, mantenha a calma

- Se não souber nadar, tente boiar ficando com a cabeça para fora da água

- Se souber nadar, dirija-se para um local seguro ou até o ponto fixo mais próximo

- Em hipótese alguma nade contra a correnteza. Sempre a favor dela

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