O horário em sala de aula é um dos poucos que caracterizam uma rotina fixa na vida de Vitor Andres, 15 anos. Estudante da 8ª série, espera todos os dias o sinal bater pontualmente às 17h35min para deixar a escola e fazer o que mais gosta. Um dia é de futebol com colegas. O outro, menos agitado, é de videogame em casa.
Em uma semana quente de abril deste ano, no entanto, voltou da escola cansado. Sem futebol, pois os músculos não lhe deixava correr atrás da bola. Nem videogame, porque a ardência nos olhos lhe impedia de atentar à tela luminosa. Era um primeiro sinal. A partir de então, seguiram-se 10 dias de febre alta, indisposição e muita fraqueza. Vitor estava com dengue.
Como o adolescente morador de Campina das Missões, no Noroeste, outras 114 pessoas foram infectadas em 2012 pelo vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Em relação ao número de casos registrados em 2010, ano de maior manifestação da dengue no Estado, houve uma redução de aproximadamente 30 vezes no número de enfermos.
Essa queda pode ser explicada pelo aumento de investimentos e ações voltadas à prevenção da doença no Estado e nos municípios – sugere a Secretaria Estadual da Saúde, que destinará mais de R$ 2,6 milhões no combate à dengue nesse próximo verão.
A partir dos próximos meses devem ser intensificadas medidas como a capacitação e atualização de agentes de saúde, ações educativas que estimulam a eliminação dos focos de larva de mosquito e barracas de orientação que estarão fixas durante os meses mais quentes em todo o Litoral. São todas apostas contra um fator climático agravante: como em 2010, espera-se um verão bastante quente e úmido.
Planos de trabalho devem ser apresentados por prefeituras
Diferentemente dos outros anos, o Estado está condicionando a verba a planos de trabalho que devem ser apresentados pelas prefeituras até abril de 2013. O objetivo é garantir o desenvolvimento das medidas de combate adotadas em cada município.
— O prazo de seis meses é em virtude das mudanças administrativas que ocorrem nos municípios no início do ano, mas esperamos que as cidades se adiantem no envio dos projetos — avalia Sílvia Thaler, coordenadora do Programa Estadual da Dengue, que acrescenta não ter havido nenhum óbito neste ano no Rio Grande do Sul.












