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Saúde08/11/2012 | 17h55

Municípios sem recursos devolvem ambulâncias do Samu para Estado

Sem dinheiro para custear manutenção das ambulâncias, seis municípios tem veículos guardados na garagem e dois optam por devolver veículos

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Municípios sem recursos devolvem ambulâncias do Samu para Estado Marielise Ferreira/Agencia RBS
UTI móvel de Erechim será devolvida para Governo do Estado Foto: Marielise Ferreira / Agencia RBS

Falta de recursos financeiros e humanos fez com que municípios do Estado deixassem nas garagens ambulâncias enviadas pelo Governo no programa do Samu. Com um custo considerado alto demais, duas prefeituras devolveram o equipamento para o Estado.

Desde que foi entregue à prefeitura de Erechim, em junho de 2010, a UTI móvel do Samu nunca deixou a garagem municipal. Tampouco o veículo foi equipado com o material necessário para atender a população de quase 100 mil habitantes. O custo para manter o equipamento em funcionamento foi considerado proibitivo pelo Secretário Municipal de Saúde, Plínio Costa Júnior.

Para funcionar a unidade de Suporte Avançado necessita de médico, enfermeiros e motoristas disponíveis 24 horas por dia e em todos os dias da semana. Para isto, o valor médio supera os R$ 100 mil mensais, além de mais R$80 mil para equipar a ambulância. Isto tudo, só para manter a equipe de socorristas, sem contar a manutenção do veículo. Mesmo com a verba repassada pelos governos do Estado e União, o município não conseguiria arcar com o valor.

Na ponta do lápis, o cálculo é preciso. O valor gasto pela prefeitura nos últimos dois anos e meio, contratando ambulâncias da Unimed para o transporte e socorro de passageiros que necessitam de UTI adulta e pediátrica, foi de R$104 mil, o mesmo que gastariam para manter por dois meses a ambulância do Samu.

- Tentamos fazer consórcio com municípios da região para viabilizar, mas nem isto foi possível , os prefeitos acharam o valor muito alto, conta Costa Júnior. 

A documentação para devolução da UTI já foi enviada ao Estado e agora o equipamento deve finalmente sair da garagem, mas para retornar ao Governo do Estado. A coordenadora do Samu na cidade, Elaine Grando, torce para que a UTI possa ser substituída por uma ambulância de Suporte Básico, de manutenção mais baixa e que já faz falta na cidade. O município mantém uma SB do Samu e equipou outra ambulância que funciona com o número 160, para dar apoio ao serviço de atendimento a emergências.

A mesma atitude precisou ser tomada em São José dos Ausentes. Conforme o prefeito Erivelto Silval Velho, a prefeitura precisaria de R$ 30 mil mensais para manter a ambulância funcionando, valor considerado alto para o município de 3,3 mil habitantes.

A prefeitura pediu ao Estado para vincular São José dos Ausentes ao Samu de Bom Jesus, já que os dois municípios são próximos e poderiam arcar juntos com os gastos. Por enquanto ainda não houve resposta da Secretaria Estadual da Saúde.

Para não deixar a população desassistida, o município investiu R$ 100 mil num veículo próprio que pode dispor com mais flexibilidade, principalmente na condução de pacientes a centros maiores. 

-  O programa Samu é muito bom, bastante positivo. Mas para algumas cidades, como a nossa, não funciona, explica o prefeito.

Sem médicos

Em Santa Maria, o Secretário Municipal de Saúde Flávio Brum pediu ao Estado a doação de uma UTI móvel que está sem utilização, mas ainda não obteve resposta. Em Venâncio Aires, a ambulância também não saiu da garagem. O secretário Cesar Schumacher diz que um processo para formação do consórcio com municípios da região já se estende há dois anos, e com o fim da gestão dos prefeitos atuais, ninguém quer deixar contas em aberto para o próximo ano.

- Vamos insistir em 2013, o equipamento é importante para termos uma rede de urgência e emergência, salienta Schumacher.

Em Passo Fundo e Frederico Westphalen, a maior dificuldade é encontrar recursos humanos para o trabalho. Seleções para médicos já foram realizadas, mas os candidatos são poucos. Conforme o Secretário Municipal de Saúde de Passo Fundo, Jairo Caovilla, o município tem demanda e necessita do serviço e para isto está disposto a gastar o custo mensal da ambulância.

- Já recebi advertências do Estado porque precisei usar o veículo sem a equipe completa, mas não podemos deixar pessoas morrendo em casa, lamenta.

A UTI móvel de Frederico Westphalen também não saiu da garagem e além da falta de médicos, a prefeitura não tem recursos para colocar o equipamento em funcionamento. O prefeito José Alberto Panosso deve abrir novos concursos e tenta convencer municípios da região da necessidade do serviço.

- Temos que ser parceiros neste serviço, caso contrário fica inviável para a prefeitura assumir sozinha, salienta.

NA GARAGEM

Santa Maria - Tem em atividade três ambulâncias de Suporte Básico e uma UTI Móvel. Outra Suporte Avançado enviada para atender a região é usada como substituta quando outras ficam fora de serviço. Os municípios da região não aceitaram assumir a manutenção do veículo.

Venâncio Aires -  A ambulância de Suporte Avançado está parada a espera de acordo entre 13 municípios, para rateio do valor de manutenção. O carro já foi equipado mas depende de R$ 130 mil mensais para funcionar, com a contratação de pelo menos sete médicos e enfermeiros. Tem solicitado ao estado que mantenham a ambulância para uma nova tentativa em 2013.

Passo Fundo - Já fez dois processos seletivos para médicos e só quatro se habilitaram, sendo que a maioria optou por não assumir o cargo. Novos concursos devem ser realizados para a contratação de sete médicos.

Frederico Westphalen - Dois processos seletivos para contratação de médicos foram realizados e não houve candidatos suficientes. O município também busca parceria na região para manter o custo do serviço.

Erechim - Optou por devolver a UTI móvel para o Estado, devido ao alto custo de manutenção. A devolução já foi oficializada e a ambulância está parada há dois anos na garagem.

São José dos Ausentes -  sem dinheiro para manter em funcionamento a ambulância de Suporte Básico, devolvou o equipamento e comprou um veículo para fazer o serviço diretamente, sem se ater às regras do Samu.

Municípios atendidos pelo Samu - 266

Bases do Samu - 158

Quanto custa :

Ambulâncias de Suporte Básico - 183 (Carro com técnico de enfermagem e motorista, rede de oxigênio, prancha para imobilização de coluna, talas, colares e cervicais, cilindro de Oxigênio, ressucitador manual adulto e infantil)

Custo total * : R$30 mil mensais 

Contrapartida do Estado : R$10,2 mil

Contrapartida da União :  R$12,5 mil

Ambulâncias de Suporte Avançado: 31 (UTI móvel com médico, enfermeiro e motorista, incubadora, aspirador cirúrgico, respirador, monitor, oxímetro, bomba de infusão para seringas e material para imobilização).

Custo total : R$100 mil

Contrapartida do Estado : R$ 32,3 mil.

Contrapartida da União : R$ 27, 5 mil

*o custo total citado não engloba a manutenção mensal da ambulância, apenas a contratação dos profissionais.

CONTRAPONTO

Através de nota a Coordenação de Urgências e Emergências da Secretaria Estadual da Saúde (SES) informou que:

- O Samu teve aumento expressivo no Estado, subindo de 85 bases em 2011 para 158 neste ano, com 220 ambulâncias em funcionamento, atendendo a quase 90% da população. Para auxiliar a manter o serviço, a Secretaria da Saúde ampliou a contrapartida estadual em 67% para o Suporte Básico e 81% para o Suporte Avançado, repassando mensalmente R$10.232,09 para ambulâncias SB e R$ 32.306,99 para ambulâncias SA. Além desses, os municípios também recebem repasses do Governo Federal.

Comentar esta matéria Comentários (2)

Laércio Furini

Quando iremos desenvolver nossas políticas públicas com respeito?

09/11/2012 | 07h29 Denunciar

Leandro Figueiredo

Seria interessante estas Prefeituras divulgarem quanto é gasto com salários de CCs e apadrinhados políticos. Que inutilmente são contratados para fazer nada ou quase nada de produtivo. As nossas eleições(partidos políticos) estão se resumindo a essa disputa de uma boquinha.

08/11/2012 | 19h17 Denunciar

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