Depois de sofrer um derrame cerebral na quinta-feira, o médico americano Joseph Murray morreu na noite de segunda, aos 93 anos, no hospital Brigham and Women's, de Boston, o mesmo onde, quase seis décadas atrás, ele inaugurou uma nova era na medicina.
No dia 23 de dezembro de 1954, Murray realizou uma histórica operação ao transplantar um rim de Ronald Herrick para seu irmão gêmeo Richard, estendendo sua vida por oito anos, naquele que foi o primeiro transplante de órgãos bem-sucedido.
Nos anos 1960, Murray ajudou a desenvolver o medicamento Imuran, que atuava sobre o sistema imunológico de forma a impedir que o organismo dos pacientes rejeitasse os órgãos transplantados de doadores não relacionados. Os dois feitos lhe valeram o Nobel de Medicina, concedido em 1990, junto com E. Donnall Thomas, pioneiro em transplantes de medula óssea.
Nascido em 1º de abril em Milford, Massachusetts, Murray manifestou seu interesse na incipiente ciência dos transplantes nos três anos em que permaneceu na ala de cirurgia de um hospital do exército na Pensilvânia, durante a II Guerra Mundial. Depois, dirigiu seu foco para a cirurgia plástica, especificamente para a reparação de defeitos faciais em crianças. Liderou o departamento de cirurgia plástica do hospital Brigham por quase quatro décadas, além de chefiar a divisão do Children's Hospital Medical Center, de 1972 a 1985.
Na sua autobiografia para o prêmio Nobel, Murray escreveu: "Minha vida como cientista-cirurgião, combinando a humanidade e a ciência, foi fantasticamente gratificante".








