Os 3 mil alunos que foram ao auditório Araújo Vianna para aprender um pouco mais sobre a África na manhã desta terça-feira receberam a primeira lição no primeiro contato com o convidado do dia. Contrariando o estereótipo do negro africano, quem surge no palco é um escritor moçambicano branco, louro e de olhos azuis chamado Mia Couto.
Esta foi a última edição deste ano do projeto Diálogos com a Geração Z — Fronteiras Educação, que integra o seminário de altos estudos Fronteiras do Pensamento, em Porto Alegre. E foi a primeira vez que um conferencista do evento principal participou do encontro com estudantes.
O objetivo era apresentar uma visão geral da formação da história e da cultura africana, em particular das comunidades e nações lusófonas, das quais um de seus expoentes é justamente Mia Couto. Em suas obras, o romancista tenta recriar a língua portuguesa utilizando o léxico de várias regiões de seu país, onde ele é minoria num contingente de 98% da população negra. Em sua fala, Couto tratou de incentivar os alunos a investir na literatura.
De acordo com o professor Ricardo Menegotto, coordenador pedagógico da Escola Municipal Marcírio Goulart Loureiro, do bairro Coronel Aparício Borges, a plateia prestou atenção no recado, em silêncio quase inédito no cotidiano de uma sala de aula — quem dirá num auditório lotado de crianças e adolescentes.
— Além do conteúdo, uma contribuição muito importante deste evento é trazer esses alunos, a maioria de periferia, para espaços culturais da cidade. É uma experiência que eles sempre vão lembrar — observa Menegotto.
A estudante Alexia Martins, 12 anos, concorda, sem poupar adjetivos ao teatro.
— O palco é muito grande, é alto, o espaço é bem diferente. Foi um passeio muito legal e aprendi um monte de coisa nova — conta.
O Diálogos com a Geração Z — Fronteiras Educação tem patrocínio da Petrobrás e parceria com a Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e com a Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre. O Fronteiras do Pensamento Porto Alegre é apresentado pela Braskem e tem o patrocínio de Unimed Porto Alegre, Natura, Gerdau e Grupo RBS. O projeto conta ainda com a parceria cultural da Unisinos e do governo do Estado do Rio Grande do Sul.
O escritor moçambicano Mia Couto
Foto: Fernando Gomes












