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Espera ansiosa08/11/2012 | 22h28

Família deseja passar o Natal com gêmeas siamesas em casa no norte do Estado

Um mês depois da cirurgia de separação, bebês seguem internados em hospital de Passo Fundo

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Família deseja passar o Natal com gêmeas siamesas em casa no norte do Estado Ender Machado Monteiro/Divulgação
Gêmeas estão em um quarto de isolamento na pediatria Hospital São Vicente de Paulo Foto: Ender Machado Monteiro / Divulgação
O maior sonho de Adriana Ribeiro, 31 anos, é ouvir do médico as palavras: "Elas podem ir para casa". Ela é mãe das gêmeas siamesas Kerolyn e Kauany, separadas há cerca de um mês em Passo Fundo, no norte do Estado. O desejo da família é passar o Natal com as meninas em casa, em Marau. 

As gêmeas seguem internadas em um quarto de isolamento na pediatria Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), onde recebem visitas apenas dos familiares. 

— Quando eu chego, elas começam a sorrir. Sei que sentem por estar longe da família, mas as enfermeiras estão cuidando delas como se fossem mães — comenta Adriana. 

Desde que descobriu que esperava gêmeas siamesas, no quinto mês de gravidez, Adriana e o marido Juliano do Amaral e Silva, 23 anos, passaram a percorrer quase diariamente os cerca de 40 quilômetros que separam Marau e Passo Fundo, em busca de acompanhamento médico. As viagens constantes causaram problemas financeiros ao casal, que tem mais duas filhas: Kemely, nove anos, e Thauany, dois anos.

Juliano, que trabalhava como mecânico, teve de abandonar o emprego com carteira assinada e passou a atuar como autônomo em construções. A gravidez delicada e as viagens frequentes depois do nascimento também impediram que Adriana seguisse com as faxinas que fazia para complementar a renda da família. 

— O Juliano luta muito por nós. Passou a trabalhar em dobro para conseguir pagar as nossas contas, mas está sendo muito difícil — comenta Adriana. 

Na casa em Marau, a família trabalha para montar o quarto destinado às gêmeas. O verde da parede abriu espaço para dois tons de rosa e um berço foi colocado próximo à janela. 

— Estamos tentando mobilhar o quarto. Ainda faltam um berço, um carrinho, roupas e fraldas — comenta Adriana. 

As dificuldades financeiras não apagam a ansiedade da família em receber as meninas. Com frequência, as duas irmãs perguntam pelas "manas do hospital". 

Operação delicada mobilizou 20 profissionais 

Kerolyn e Kauany nasceram no dia 31 de janeiro, compartilhando órgãos como fígado, bexiga e intestinos. 

Segundo o cirurgião pediátrico Gustavo Pileggi Castro, há um caso de gêmeos conjugados a cada 50 mil nascimentos. A raridade mobilizou cerca de 20 profissionais de Passo Fundo, de diversas áreas, no estudo da cirurgia de separação. 

Procedimento foi realizado no dia 2 de outubro e durou cerca de nove horas. A recuperação é delicada, devido à complexidade da cirurgia. Depois do da operação, elas passaram cerca de 20 dias no Centro de Tratamento Intensivo Pediátrico. 

— Como os órgãos eram unidos, é preciso que os organismos das meninas aceitem bem o funcionamento independente, mas elas estão muito bem — comenta Castro, que pretende dar alta para as gêmeas ainda neste mês. 

Até a recuperação completa, o médico afirma que elas devem passar por mais três cirurgias, mas poderão ter vidas normais.

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