Versão mobile

Hospitais lotados14/11/2012 | 19h22

Clínicas pode adiar obra em emergência para evitar caos no atendimento

Possibilidade de greve no Grupo Hospitalar Conceição na próxima semana coincide com período de reformas no Hospital de Clínicas, em um cenário já esgotado

Enviar para um amigo
Clínicas pode adiar obra em emergência para evitar caos no atendimento Tadeu Vilani/Agencia RBS
Clínicas prevê obra para agilizar o atendimento de pacientes graves Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

A expectativa de greve no Grupo Hospitalar Conceição criou uma indefinição sobre como será o atendimento emergencial em Porto Alegre a partir da semana que vem.

A coincidência da mobilização dos servidores do Conceição com a restrição de acolhimento no Hospital de Clínicas devido a obras faz com que a administração desse último admita a possibilidade de adiar a reforma. Isso só ocorrerá, porém, se houver uma solicitação formal da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), que não se manifestou sobre o assunto nesta quarta-feira.

A possível redução na capacidade de atendimento em dois dos principais hospitais públicos do Estado afeta um cenário já esgotado. Um levantamento realizado nesta quinta-feira à tarde por ZH no Clínicas, no Conceição, no São Lucas e na Santa Casa indicou que havia 297 pacientes internados para 108 vagas do SUS — quase três vezes a capacidade. No Conceição, como já há uma obra em andamento na sala destinada a doentes menos graves que reduz temporariamente de 50 para 20 a quantidade de camas, pacientes estão sendo encaminhados para outras alas da instituição.

A restrição no atendimento emergencial do Clínicas — que atenderia somente os pacientes já internados e casos graves — ocorreria da próxima segunda-feira até 4 de dezembro. Além disso, na terça-feira, cerca de 1,5 mil funcionários do Grupo Hospitalar Conceição decidiram entrar em greve a partir da próxima quarta-feira por tempo indeterminado. O presidente da associação de servidores, Arlindo Nelson Ritter, afirma que buscam negociar gratificações, férias-prêmio e vale-alimentação, entre outros itens. Segundo Ritter, a mobilização também pode afetar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Moacyr Scliar, que conta com servidores vinculados ao GHC.

— Nós acordamos com a secretaria que, se houvesse a greve no Conceição durante a nossa obra, rediscutiríamos isso. Podemos retomar o assunto e adiar a obra. Já adiamos uma vez, poderíamos adiar outra — garante a chefe de enfermagem da Emergência do Clínicas, Lurdes Busin.

Para isso ocorrer, bastaria uma solicitação da SMS. O titular da pasta, Carlos Henrique Casartelli, porém, informou por meio da assessoria de imprensa que a situação em relação ao Clínicas se mantém inalterada, e disse não se pronunciaria sobre novos planos para conter uma eventual sobrecarga nos serviços de saúde ou sobre a greve no Conceição até ser notificado a respeito da paralisação. Oficialmente, a última avaliação da secretaria é de que o restante da rede de atendimento da cidade é capaz de absorver a demanda.

O presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Paulo de Argollo Mendes, faz duras críticas à postura da SMS:

— A afirmação da secretaria de que não haverá problemas é falsa. As emergências já estão lotadas porque as pessoas não encontram o atendimento que querem nas unidades básicas. É uma enorme imprevidência permitir que o Clínicas entre em reforma ignorando a situação no Conceição. Beira a irresponsabilidade.

A SITUAÇÃO NAS EMERGÊNCIAS

Confira qual era, na quinta-feira à tarde, o grau de lotação nas principais emergências hospitalares adultas do SUS na Capital:

Hospital de Clínicas — Superlotado

49 leitos

129 pacientes internados

163% acima da capacidade

 

Santa Casa — Superlotado

26 leitos

43 pacientes

65% acima da capacidade

 

São Lucas da PUCRS — Superlotado

13 leitos

27 pacientes

108% acima da capacidade

 

Conceição — Superlotado

20 leitos na emergência mais um número variável de leitos de internação remanejados

98 pacientes

390% acima da capacidade (contando apenas os leitos em uso da emergência)

 

A ORIENTAÇÃO OFICIAL

A recomendação da Secretaria Municipal da Saúde aos pacientes:

Pacientes com real situação de emergência, que envolvam risco à vida, por exemplo, continuarão sendo atendidos em todas as emergências

Pacientes de baixa gravidade podem procurar unidades básicas de saúde, emergências de outros hospitais ou um dos cinco pronto-atendimentos da Capital:

— Bom Jesus (Rua Bom Jesus, 410, bairro Bom Jesus)

— Cruzeiro do Sul (Avenida Moab Caldas, 400, bairro Santa Tereza)

— Lomba do Pinheiro (Estrada João de Oliveira Remião, 5.120, Parada 12, bairro Lomba do Pinheiro)

Restinga (Rua Álvaro Difini, s/nº, bairro Restinga)

— UPA Zona Norte Moacyr Scliar (Rua Jerônimo Velmonovitz, esquina com avenida Assis Brasil). Conforme os servidores do Grupo Hospitalar Conceição, porém, esta unidade também pode sofrer restrição de atendimento devido à declaração de greve dos funcionários do GHC, que também atuam neste local.

Siga perfis de ZH no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros