A expectativa de greve no Grupo Hospitalar Conceição criou uma indefinição sobre como será o atendimento emergencial em Porto Alegre a partir da semana que vem.
A coincidência da mobilização dos servidores do Conceição com a restrição de acolhimento no Hospital de Clínicas devido a obras faz com que a administração desse último admita a possibilidade de adiar a reforma. Isso só ocorrerá, porém, se houver uma solicitação formal da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), que não se manifestou sobre o assunto nesta quarta-feira.
A possível redução na capacidade de atendimento em dois dos principais hospitais públicos do Estado afeta um cenário já esgotado. Um levantamento realizado nesta quinta-feira à tarde por ZH no Clínicas, no Conceição, no São Lucas e na Santa Casa indicou que havia 297 pacientes internados para 108 vagas do SUS — quase três vezes a capacidade. No Conceição, como já há uma obra em andamento na sala destinada a doentes menos graves que reduz temporariamente de 50 para 20 a quantidade de camas, pacientes estão sendo encaminhados para outras alas da instituição.
A restrição no atendimento emergencial do Clínicas — que atenderia somente os pacientes já internados e casos graves — ocorreria da próxima segunda-feira até 4 de dezembro. Além disso, na terça-feira, cerca de 1,5 mil funcionários do Grupo Hospitalar Conceição decidiram entrar em greve a partir da próxima quarta-feira por tempo indeterminado. O presidente da associação de servidores, Arlindo Nelson Ritter, afirma que buscam negociar gratificações, férias-prêmio e vale-alimentação, entre outros itens. Segundo Ritter, a mobilização também pode afetar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Moacyr Scliar, que conta com servidores vinculados ao GHC.
— Nós acordamos com a secretaria que, se houvesse a greve no Conceição durante a nossa obra, rediscutiríamos isso. Podemos retomar o assunto e adiar a obra. Já adiamos uma vez, poderíamos adiar outra — garante a chefe de enfermagem da Emergência do Clínicas, Lurdes Busin.
Para isso ocorrer, bastaria uma solicitação da SMS. O titular da pasta, Carlos Henrique Casartelli, porém, informou por meio da assessoria de imprensa que a situação em relação ao Clínicas se mantém inalterada, e disse não se pronunciaria sobre novos planos para conter uma eventual sobrecarga nos serviços de saúde ou sobre a greve no Conceição até ser notificado a respeito da paralisação. Oficialmente, a última avaliação da secretaria é de que o restante da rede de atendimento da cidade é capaz de absorver a demanda.
O presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Paulo de Argollo Mendes, faz duras críticas à postura da SMS:
— A afirmação da secretaria de que não haverá problemas é falsa. As emergências já estão lotadas porque as pessoas não encontram o atendimento que querem nas unidades básicas. É uma enorme imprevidência permitir que o Clínicas entre em reforma ignorando a situação no Conceição. Beira a irresponsabilidade.
A SITUAÇÃO NAS EMERGÊNCIAS
Confira qual era, na quinta-feira à tarde, o grau de lotação nas principais emergências hospitalares adultas do SUS na Capital:
Hospital de Clínicas — Superlotado
49 leitos
129 pacientes internados
163% acima da capacidade
Santa Casa — Superlotado
26 leitos
43 pacientes
65% acima da capacidade
São Lucas da PUCRS — Superlotado
13 leitos
27 pacientes
108% acima da capacidade
Conceição — Superlotado
20 leitos na emergência mais um número variável de leitos de internação remanejados
98 pacientes
390% acima da capacidade (contando apenas os leitos em uso da emergência)
A ORIENTAÇÃO OFICIAL
A recomendação da Secretaria Municipal da Saúde aos pacientes:
Pacientes com real situação de emergência, que envolvam risco à vida, por exemplo, continuarão sendo atendidos em todas as emergências
Pacientes de baixa gravidade podem procurar unidades básicas de saúde, emergências de outros hospitais ou um dos cinco pronto-atendimentos da Capital:
— Bom Jesus (Rua Bom Jesus, 410, bairro Bom Jesus)
— Cruzeiro do Sul (Avenida Moab Caldas, 400, bairro Santa Tereza)
— Lomba do Pinheiro (Estrada João de Oliveira Remião, 5.120, Parada 12, bairro Lomba do Pinheiro)
Restinga (Rua Álvaro Difini, s/nº, bairro Restinga)
— UPA Zona Norte Moacyr Scliar (Rua Jerônimo Velmonovitz, esquina com avenida Assis Brasil). Conforme os servidores do Grupo Hospitalar Conceição, porém, esta unidade também pode sofrer restrição de atendimento devido à declaração de greve dos funcionários do GHC, que também atuam neste local.













