Cansado de esperar pelo asfaltamento de uma rodovia estadual que liga Aratiba , no norte do Estado, a Itá (SC) (ERS-420), o prefeito Luiz Angelo Poletto (PTB) passou a asfaltar estradas do interior, que levam ao mesmo destino. As obras beneficiam propriedades rurais e o escoamento da safra.
A construção da Usina Hidrelétrica Itá, na divisa de Aratiba (RS) com Itá (SC) criou a expectativa de uma nova vocação para o município. Com a formação do lago da usina, quilômetros de propriedades ficaram às margens da água, formando áreas de lazer. Projetos de turismo rural foram incentivados pela prefeitura, mas não conseguiram decolar, pela falta de acesso asfáltico. A rodovia que margeia todo o lago e leva à divisa do Estado com Santa Catarina, aguarda há mais de 20 anos pelo asfalto.
Para viabilizar a obra, um convênio foi assinado entre o Governo Estadual, a prefeitura e a Tractebel Energia, ainda em 2010. Com a antecipação do retorno do ICMs pela geração de energia, a estrada finalmente ganharia forma. Mas com a troca de governo, o projeto foi novamente esquecido e as obras que deveriam ter chegado ao fim, nem começaram.
- Tínhamos um acordo com o Daer para adequar o projeto com camada asfáltica de quatro centímetros e não dez, como o projeto original, mas quando mudou o governo o Daer voltou atrás , conta o assessor técnico da Secretaria Municipal de Obras, Daltro Vanso.
Com a mudança de projeto, a rodovia que custaria R$12 milhões teria valor ampliado para R$ 20 milhões, inviabilizando a obra. A situação da estrada é tão ruim, que os motoristas usam desvios passando pelo meio rural para chegar ao mesmo local.
Cansado de esperar, o prefeito retirou da conta bancária o valor de R$5 milhões que representavam a contrapartida da prefeitura, para asfaltar outras estradas, no meio rural. Uma delas, a estrada que passa pelo Distrito Pio X, tem exatos 20 quilômetros para chegar à Usina Hidrelétrica Itá, na divisa entre os dois estados.
Enquanto corta lenha e cuida das plantações de feijão, mandioca e milho, o agricultor Arnoldo Klein, 67 anos, vê a paisagem mudar. Caminhões já espalham pela agrovia a camada de asfalto, que vai mudar a vida de agricultores.
- Dá pra ir pra cidade e pro outro Estado levando grãos e criações, sem quebrar o carro como acontecia sempre, conta Klein.
A estrada do Pio X também encurta caminho para o município vizinho de Barra do Rio Azul. A agrovia já tem 2,9 quilômetros em obras e não há prazo determinado para a conclusão até a usina hidrelétrica, mas já cria expectativa entre as pessoas que precisam chegar ao estado vizinho para fazer negócios.
Maior produtor de suínos da região e segundo maior produtor de aves, muito dos produtos são comercializados com frigoríficos do Estado vizinho, o que vai significar ganho econômico para a economia de Aratiba.
Da picada que atravessava com o carro de bois para chegar à cidade, o agricultor Cleimar Antônio Metler, 36 anos, passou para um asfalto novinho em folha. Faceira e Barroso continuam puxando a carroça com a palha para silagem do gado leiteiro, que rende R$ 3 mil mensais para a família, mas agora o caminho é outro.
- Não tem aquela poeira toda e facilita para as crianças irem pra escola e pra escoar a safra, conta Metler.
A estrada de 12 quilômetros que liga Aratiba ao Distrito de Dourado, já ganhou pavimentação asfáltica em metade do caminho. Asfaltar ruas municipais é dever de todo administrador, mas conseguir dotar estradas do meio rural de infraestrutura é raro nos municípios do Estado. Obras caras, normalmente os municípios não dispõem de verba para isto. Aratiba conseguiu, graças aos recursos que provêm do retorno do ICMs pela geração de energia da usina.
- Nós estamos investindo R$ 6 milhões, com recursos próprios, neste projeto piloto. Além de trazer maior desenvolvimento e qualidade de vida para o agricultor, vamos driblar o problema que nos causa a falta de acesso à divisa do Estado, justifica Poletto.
Já a estrada estadual, é obra de competência exclusiva do Estado, e a prefeitura não pode, por conta própria, fazer o asfaltamento.
- Não podemos mexer no patrimônio do Estado, e se fizéssemos, estaríamos desviando dinheiro do município para uma obra que é de competência do Estado e não nossa, salienta o prefeito.









