A desigualdade de renda atingiu o menor índice dos últimos 30 anos no Brasil.
De acordo com dados da Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Coeficiente de Gini, que mede a distribuição de renda, caiu de 0,564 em 1981 para 0,508 em 2011. O índice varia de zero a um, sendo que uma sociedade com total igualdade teria coeficiente igual a zero.
Como na escala o Brasil ainda está mais próximo de um do que de zero, o que significa que as alterações concretas são pouco substanciais, não há muitos motivos para comemorar. Em 2011, os 20% mais ricos do país detiveram quase 60% da renda total no país, recebendo 16,5 vezes mais do que os 20% mais pobres. Dez anos antes, a razão era apenas um pouco maior: cerca de 24 vezes mais.
Segundo o professor Sabino Porto Junior, do Programa de Pós-graduação em Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), um dos fatores que explicam a redução do índice, além do Plano Real e da estabilidade da macroeconomia, é a expansão de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família.
— Comparados com países de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) elevado, ainda estamos em um patamar alto de desigualdade de renda. Temos um dos coeficientes mais altos do mundo — explica Porto Junior.
De acordo com o supervisor de informações do IBGE no Rio Grande do Sul, Ademir Koucher, o coeficiente de Gini começou a ser calculado ainda nos anos 1960, mas não levava em conta as comunidades rurais de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. Para Koucher, o estudo aponta melhora nas condições de vida dos brasileiros. Um indicativo é o aumento de adolescentes em idade escolar que não trabalha, só estuda. Entre os jovens de 16 e 17 anos de idade, 59,5% se dedicam exclusivamente aos bancos escolares, enquanto este índice era de 53,2% em 2001.
O país revelado pelo IBGE
Donos de casa
Os gaúchos do sexo masculino entre 16 e 24 anos são os que mais ajudam nos afazeres domésticos entre as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Uma média de 56% da população masculina faz as tarefas domésticas por cerca de 9,3 horas por semana. Quanto às gaúchas, são 85,2% que realizam os afazeres em casa, atrás apenas das mato-grossenses e sul-mato-grossenses. Elas passam mais do dobro do tempo do que os homens se dedicando às atividades do lar: em média, 19,3 horas semanais.
Mães trabalhadoras
O Rio Grande do Sul é o segundo Estado em número de mães que trabalham e deixam os filhos de zero a três anos em creches. Entre as mães ocupadas, 82% colocam todos os filhos em escolinhas. Na Região Metropolitana, esse número sobe para 85,9%, o maior entre as áreas metropolitanas do país.
Tempo até o trabalho
Os gaúchos e os catarinenses são os que menos gastam tempo até o trabalho nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do país. Apenas 5,5% dos homens do Estado ficam mais de uma hora no trânsito de casa para o trabalho. Em Santa Catarina, esse número cai para 3,3%.
Diferença de renda
A desigualdade de rendimentos entre homens e mulheres apresentou redução, mas ainda persiste. No Rio Grande do Sul, das pessoas acima de 16 anos ocupadas em trabalhos formais, a média de renda masculina é de R$ 1.763,17, e a feminina é de R$ 1.296,02, implicando uma diferença de R$ 467,15. Nos trabalhos informais, os homens ganham em média R$ 419,02 a mais do que as mulheres. O salário deles é de cerca de R$ 1.145,98, e o delas, R$ 726,96.
Envelhecimento
Os gaúchos mantêm o segundo maior índice do país em população proporcional de idosos (com 60 anos ou mais). Esse grupo etário representa 14,7% da população, atrás apenas do Rio de Janeiro, onde eles são 14,9%. As pessoas com mais de 80 anos são 2,1% da população no Rio Grande do Sul, o maior índice dos estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Atraso educacional
Pelo menos 33,5% dos gaúchos sofrem com atraso educacional. O número é o segundo maior das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, atrás apenas de Minas Gerais, com 35,2%. A carência na qualidade dos domiciliares afeta 10,4% dos gaúchos, o maior índice entre as três regiões.
Gasto com fumo
Os gaúchos estão entre os que mais gastam dinheiro com fumo no país. Enquanto a média nacional de despesa de consumo com o item é de 0,5% da renda mensal, no Rio Grande do Sul o número sobe para 0,7%. O item também mostrou que a população do Estado gasta praticamente o mesmo valor com alimentação (19,8%) e transporte (19,7%).








