Reabilitação08/05/2012 | 06h39

Educandário luta para mudar 150 vidas

Na Capital, o Educandário São João Batista atende a crianças e adolescentes portadores de deficiência. Entidade vai rifar um Fusca 1970

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Educandário luta para mudar 150 vidas Carlos Macedo/Especial
Odete Fontoura Delgado e a filha Jocelaine Delgado Barbosa durante a aula no Educandário Foto: Carlos Macedo / Especial

Além de concorrer ao prêmio que é um verdadeiro xodó sobre rodas, o participante da rifa promovida pelo Centro de Reabilitação São João Batista, o Educandário, receberá como recompensa algo muito mais valioso que o Fusca 1970: a alegria de ajudar a garantir o atendimento a 150 crianças e adolescentes portadores de deficiência.

Fundado em 1939, o Educandário foi criado para atender crianças portadoras de poliomielite. Hoje, recebem habilitação, reabilitação, estimulação precoce e educação especial, gratuitamente, crianças e adolescentes de zero a 21 anos portadores de deficiências físicas múltiplas.

Para oferecer atendimento nas áreas clínica e pedagógica, o Educandário tem 42 funcionários. A despesa mensal é de R$ 80 mil mensais para custeio de materiais, alimentação, transporte, limpeza, além da folha de pagamento.

- Entidade precisa de doações

A instituição se mantém a partir de doações, convênios, parcerias, eventos e campanhas. Rifar o Fusca recebido em doação por intermédio da Sociedade Hípica Porto Alegrense - cada bilhete com quatro números custa R$ 10 - é uma maneira de garantir o recurso financeiro que o Educandário precisa para manter os serviços.

- Acreditamos que colecionadores de veículos podem ter interesse na compra do Fusca e, desta forma, contribuir com o nosso trabalho - observa a presidente do Educandário, Eveline Borges Streck.

O veículo, doado por Felipe Luiz Ribeiro Daiello, é um carro da marca Volkswagen, modelo Fusca 1300, ano de fabricação e exemplar 1970, cor verde, gasolina, único dono e com apenas 50 mil quilômetros rodados.

Com jeito de campeão

A faceirice dos amigos Wesley de Souza Silveira, dez anos, e Lenin Prado, 12 anos, é a prova de quanto vale ajudar a manter a entidade funcionando. Eles são alunos da professora Selia Campos Ferreira, que está há 35 anos na instituição, e colegas de Jocelaine Delgado Barbosa, 20 anos. Ela teve paralisia cerebral e está há sete anos no Educandário. A mãe dela, Odete Delgado, 61 anos, comemora progressos importantes como a leitura.

- Aqui, ela está muito bem atendida, aprendeu a ler, a pintar e gosta muito de conviver com os colegas - conta.

Na sala de fisioterapia, o pequeno Leonardo Santos dos Santos, sete anos, que teve uma lesão cerebral que compromete os movimentos, comemora os gols que consegue fazer enquanto recebe o atendimento importantíssimo para sua vida.

De aluna a professora

O Educandário mora no coração da professora Nelsi Maria Santin, 39 anos. E não é apenas porque ela é a coordenadora pedagógica da entidade. Por conta da poliomielite, dos sete aos dez anos, ela foi aluna da instituição e sabe o quanto foi importante contar com o trabalho e o afeto.

- Qualifica a vida na reabilitação e oportuniza uma experiência para a vida toda. A ação do Educandário não modifica só a vida do deficiente, mas da família, que muda sua conduta e sua forma de ver o deficiente - comenta a professora, que se orgulha de ter alunos trabalhando e formando família.

Local tem problemas

A maior dificuldade do Educandário é a manutenção da casa, no Bairro Ipanema. As janelas estão caindo e o cupim é o grande inimigo. O piso precisa ser trocado e os brinquedos da pracinha estão sucateados e não são mais compatíveis com o perfil dos alunos - grande parte do grupo é cadeirante.

Entre as recentes conquistas está a sala de Atividades da Vida Diária, que imita uma casa, e a sala de multimeios, que deve ser inaugurada dia 18.

A rifa

- São 10 mil números. Cada bilhete, que custa R$ 10, tem quatro números (não é possível comprar apenas um número, tem que adquirir o bilhete). Os bilhetes estão à disposição no Educandário.

- Escolas e lojas que desejarem, podem ajudar o Educandário na venda dos bilhetes. Interessados podem ligar para 3246-5655 ou enviar um e-mail para comunicacao@educandario.org.br.

- O sorteio será no dia 21 de julho, pela Loteria Federal. A entrega do prêmio está prevista para o dia 27 de julho, no jantar de 73 anos da Sociedade Hípica.

Para ajudar

- Todo o tipo de doação é bem-vinda. Desde fraldas (tamanho adulto, P, M e G), alimentos, roupas, móveis.

- Dia 2 de junho será realizada a festa junina do Educandário. São aceitas doações de refrigerante, pipoca, açúcar, leite condensado.

- O Educandário mantém um brechó para arrecadar fundos. Interessados em comprar ou doar roupas podem fazer contato com a instituição.

- O endereço é Rua Tenente Coronel Mário Doernte, 200, Ipanema. Telefone: 3246-5655. Site: www.educandario.org.br.

SAIBA MAIS
- O atendimento é gratuito e voltado a pacientes de famílias com renda de até três salários mínimos (R$ 1.866). Os serviços são oferecidos a crianças e adolescentes de todo o Estado. Hoje, há uma fila de espera de 65 pessoas.

- Atende alunos e pacientes com as seguintes patologias: encefalopatia crônica Infantil, mielomeningocele, síndromes em geral (com comprometimento motor), doenças neuromusculares, artrite reumatoide juvenil, hidrocefalia, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, malformação congênita, lesão encefálica adquirida (LEA), lesões medulares.

- O atendimento é de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

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