Dentro de alguns dias, todos os crucifixos existentes em prédios do Poder Judiciário gaúcho serão retirados. A decisão do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça (TJ) é consequência de um pedido da Liga Brasileira de Lésbicas (LBL) e outras entidades, como os grupos de defesa dos direitos dos homossexuais Somos e Nuances e a entidade feminista Themis.
Unânime, a decisão foi tomada na terça-feira por cinco desembargadores. Foi uma medida administrativa que, em tese, ainda pode ser revista. Mas o TJ vai acatar o que decidiu o Conselho.
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Posição contrária: "Para quem faz mal um crucifixo?", questiona padre
Coordenador do Programa Gestando o Diálogo Inter-Religioso e o Ecumenismo (Gdirec) da Unisinos, o professor Inácio José Spohr, mesmo sendo católico jesuíta, defende a decisão do TJ. Para ele, é importante que seja respeitada a diversidade de religiões existentes no país. Confira trechos da entrevista concedida, por telefone, a ZH:
ZH — Como o senhor avalia a decisão do TJ?
Inácio José Spohr — Em princípio estou de acordo com a decisão do Tribunal. O crucifixo que está ali, ao meu ver, está por tradição, não é porque define sentenças ou influi na forma do Judiciário trabalhar. A ideia de Justiça em geral tem forte embasamento na nossa cultura bíblica. Apenas acho que o método de fazer é um pouco drástico de uma hora para outra, atendendo um grupo de pessoas que pediram isso.
ZH — O senhor considera que seja uma forma de afastar a população da religiosidade?
Spohr — Creio que não, não é esta a ideia que me passa. De fato o crucifixo contempla as religiões cristãs e o Brasil evidentemente está se tornando um país multirreligioso.
ZH — Então esta decisão seria uma abertura para respeitar as outras religiões?
Spohr — O tema é mesmo a laicidade do Estado, ele tem a obrigação, o compromisso de ser neutro, por isso acho que não é algo antirreligioso.
ZH — O pedido foi feito por entidades ligadas a defesa de gays e lésbicas que não são aceitos pela igreja católica, por exemplo. Eles consideram uma resposta à Igreja.
Spohr — Oficialmente considero a medida legal dentro daquilo que o Estado pode e deve fazer, ao meu ver não é uma resposta contra as religiões.












