Bianca Ribeiro da Costa, de 15 anos, deixou a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital de Tramandaí e foi transferida para um quarto normal na tarde desta quarta-feira. A adolescente é a única vítima do atropelamento coletivo registrado na madrugada desta terça-feira em Quintão, no Litoral Norte, que continua internada.
Conforme o hospital, Bianca deve ficar pelo menos mais 10 dias internada, devido à fratura sofrida na bacia. Ela também sofreu lesões no crânio.
Desde terça-feira, pelo menos 10 vítimas do atropelamento já foram ouvidas pela Polícia Civil de Quintão. — Estamos tendo dificuldade para encontrar todas as vítimas. São veranistas, não moram na cidade e não temos o endereço — diz o investigador Yaro Chaves, da delegacia de Quintão.
O motorista Gilberto Luiz Pelizzer Junior, 18 anos, que dirigia a Ecosport, também já foi ouvido. Ele deve responder por tentativa de homicídio.
Saiba mais sobre o acidente
O motorista de uma Ecosport, identificado como Gilberto Luiz Pelizzer Junior, de 18 anos, de Porto Alegre, atropelou 17 pessoas na Avenida Esparta, principal via de Quintão, no Litoral Norte.
O atropelamento coletivo aconteceu por volta das 3h da madrugada desta terça-feira.O motorista teria invadido trecho da avenida que estava interditado para festa de Carnaval. Ele também estaria com o volume do som alto. Com isso, foliões teriam utilizado spray de espuma como forma de protesto e alerta ao motorista.
Conforme Marcelo Rodrigues Witt, 40 anos, que testemunhou o incidente, o condutor da Ecosport teria ficado irritado quando foliões deram tapas no carro.
— Ele ameaçou abrir a porta, fez menção de descer, mas decidiu acelerar. Foi levando todas as pessoas que estavam pela frente — disse Witt, que teve cinco familiares feridos.
De acordo com outra testemunha, Isaac Nogueira, 31 anos, o motorista só parou quando o corpo de uma jovem o impediu de prosseguir.
— Parecia aquele cara que atropelou os ciclistas em Porto Alegre — relatou Nogueira, referindo-se a Ricardo Neis, que virou notícia internacional ao atropelar integrantes da Massa Crítica em 25 de fevereiro de 2011.
As vítimas foram levadas inicialmente ao pronto atendimento de Quintão. Segundo o enfermeiro que participou dos primeiros atendimentos, o quadro era assustador.
— Havia pacientes com multiplas fraturas, escoriações, deformações na face, lesões com exposições ósseas e pelo menos uma vítima com suspeita de lesão cervical — disse o enfermeiro Rodrigo Haendchen.
Após fugir, o Ecosport foi seguido por um taxista, que indicou a localização à polícia. Em uma residência, Pelizzer, acabou detido.
Segundo o delegado Amilcar Souza Neto, ele alegou legítima defesa.
— Ele alega que foi cercado por indivíduos que queriam agredi-lo e no intuito de fugir da multidão acabou atropelando essas pessoas — disse o delegado.
O veículo foi apreendido para perícia. O rapaz foi ouvido na Delegacia de Polícia de Cidreira e deve responder em liberdade.
Testemunhas relataram que um caroneiro teria colocado o braço para fora do Ecosport e realizado disparos. O motorista alegou que estava sozinho no veículo, mas confirmou ter ouvido sons semelhantes a tiros.
Pelizzer não fez o bafômetro. Segundo o delegado Amilcar, o jovem passou por exame clínico no posto médico de Balneário Pinhal, e uma médica atestou que o condutor não estava embriagado.
Veja a lista de vítimas:
Hospital de Tramandaí
— Bianca Ribeiro da Costa, 15 anos
— Carine Souza da Silva, de 22 anos
— Alice Antônia Muniz, de 17 anos
— Luana Padilha Figueiredo, 15 anos
— Karolin Silva Bárbara, 19 anos
— Caison Fernando Rosa Goularte, 13 anos
— Katerlin Niederauer Bertolini, 13 anos
— Alexsandro Silva da Silva, 35 anos
— Emily Tamires, 22 anos
— Vinicius Kissler, 19 anos
— Richard Niederauer, 16 anos
— Aldemir Campina Dias, 31anos
— Cristiano Lopes da Silva, 25 anos
— Allan Artênio Rinaldi, 16 anos
— Sérgio Marques, 26 anos
— Micael Augusto Correia 17 anos
— Rosa Goularte, 13 anos
Semelhança com atropelamento de ciclistas na Capital:
No dia 25 de fevereiro de 2011, o bancário Ricardo Neis atropelou um grupo de ciclistas no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre. O incidente deixou 15 feridos. As vítimas integravam o movimento Massa Crítica, que defende o uso da bicicleta como meio de transporte.
Depois de preso, o motorista alegou que se sentiu ameaçado pelo ciclistas e acabou arrancando o veículo. O filho de Neis, que também estava no carro, alegou que os integrantes do movimento começaram a bater no carro.
Os ciclistas negaram as ameaças e agressões. O episódio foi amplamente divulgado em redes sociais e sites de vídeos na internet, com imagens do momento exato do atropelamento coletivo dos ciclistas. O episódio ganhou repercussão internacional.













