Tema para debate18/02/2012 | 15h17

Tema para debate: o cão reflete o dono

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Por Cauê Vieira*

A tragédia que ocorreu com o menino Gustavo, de cinco anos, morto por um cão em Capão da Canoa, suscita, mais uma vez, inúmeras reflexões sobre a posse de cães ditos agressivos. Obviamente, diante de um fato como esse, a primeira reação da grande maioria das pessoas, desvinculadas da causa animal, é a de crer que os cães pitbull e afins são máquinas programadas para matar, extremamente ferozes e incontroláveis.

Apesar de fazer parte do senso comum, essa ideia não é verdadeira, não em absoluto. O cão, de qualquer raça que ele seja, é um reflexo direto do seu dono, do seu tutor. Sim, tutor, pois, tal como uma criança, ele precisa de atenção e cuidados ininterruptos, seja ele um poodle ou um dobermann.

Por isso, o ponto central do debate que deve ser feito em decorrência de mais esse dramático incidente é o da posse responsável de animais domésticos, e não sobre extermínio de raça“A”ou raça“B”, ou ainda sobre culpados nessa lamentável história.

Ao adquirir, seja pela compra seja pela adoção,qualquer animal,o ser humano deve levar em conta as suas reais capacidades.Por suas, digo a do humano. Explico: um animal necessita de muito mais do que comida e um lugar para viver. Da mesma forma, necessita muito mais do que simplesmente carinho e afeto.Um animal precisa,nessa exata ordem,de disciplina,exercício e afeto.

Disciplina para ser educado a obedecer aos limites impostos por seu líder. Caso contrário, ele assume, a contragosto, a liderança em uma casa, fato de extrema complexidade em sua reversão.

Exercício para não ficar com energia acumulada, que pode explodir a qualquer momento, seja em um ataque a pessoas, seja em um ataque a objetos. Costuma-se dizer que “cabeça vazia é a oficina do Diabo” nos homens. Pois bem, com os animais não é diferente. O responsável por ele deve proporcionar exercícios diários, tanto físicos quanto mentais.

E por fim, afeto, haja vista que a criação de um vínculo de liderança rígida sem afetividade não oferece o mesmo resultado do que em casos em que o laço entre homem e animal atinge a mais pura, verdadeira e gratuita cumplicidade e respeito mútuo.


Você concorda com a tese do autor de que um cão, independentemente de sua raça, é sempre um reflexo direto do seu dono?


Há de se garantir ainda acompanhamento médicoveterinário, adestramento inicial e de manutenção, alimentação adequada, castração para evitar crias indesejadas, chipagem para identificação do animal, dentre outras. Providências a serem tomadas por qualquer ser humano para que possamos ter o que cognominamos posse responsável.

Se a pessoa entende essas regras básicas, crê ter condições de proporcionar ao animal tal tratamento, devese passar para a próxima etapa, igualmente fundamental: conhecer o que se está levando para casa. Qual o objetivo de ter um animal? Companhia? Segurança? Diversão? De posse de tais respostas, deve-se buscar ajuda profissional para encontrar a melhor raça e espécie que nelas se encaixe.

Isso posto, é possível afiançar que um animal tratado desde o início com tais cuidados dificilmente será notícia sob o aspecto negativo, seja ele um pequeno cão de companhia ou um dogo argentino de 80 quilos.

O homem criou praticamente todas as raças que conhecemos a partir dos lobos.Desincumbir o homem agora de lidar com elas é,no mínimo, uma covardia atroz e um atestado de imbecilidade que não se pode admitir.

Certamente teríamos que ter mais regramentos para a posse de animais ditos agressivos, talvez até avançando para uma habilitação para o proprietário. Lembro, contudo, que leis responsabilizando os donos existem às pencas. Fiscalização existe na medida do possível, sendo necessário, sim, ampliá-la. O que não temos, então, é a necessária educação da sociedade em relação à posse responsável de animais. É esse o caminho da necessária evolução da nossa sociedade.

*Advogado

Comentar esta matéria Comentários (36)

Aryel Teitelbaum

Concordo plenamente com o autor quando refere ele que um animal é o reflexo do seu tratador, cuidador ou "pai"Dias destes um taxista atacou uma senhora que demorou a atravessar o sinal, então ninguém mais vai pegar taxi.Crio American há vários anos e não tem histórico de violência e conosco em apt.

27/02/2012 | 21h50 Denunciar

benta

Parte o comportamento do animal é definido pelo dono e parte pela sua predisposição definida pela raça. Animais destas raças que precisam de um adestramento deveriam ter seu porte regulamentado.Vejo pessoas passeando com animais enormes e potencialmente perigosos passeando sem focinheira.

24/02/2012 | 10h09 Denunciar

Natal

Depois de tantos fatos semelhantes já terem ocorrido, seria de imaginar que os donos de cães, agressivos ou não, tomassem todas as precauções para evitar novas tragédias, por que a dor de perder um filho só pode ser avaliada por quem passa por tal infortúnio. Responsabilidade: eis o que falta!

23/02/2012 | 19h55 Denunciar

Januário

Assino embaixo da coluna da ZH Dominical que Paulo Sant'Ana escreveu. Falta conhecimento e cultura prá certas pessoas mesmo...

23/02/2012 | 18h23 Denunciar

leandro

No mínimo curiosa a defesa destes mastodontes comparando-os a poodles e linguicinhas... Eu não sei quanto às outras pessoas aqui mas eu deixaria meu filho na presença de um poodle... já de um pitbull não. "Algo" me diz que a mordida de um poodle não deve ser tão severa...

23/02/2012 | 17h23 Denunciar

ingrid luizelli

Tenho um pit bull de 6 anos extremamente docil e carinhoso ,concordo com o advogado o cachorro é o espelho do dono todo o animal independente de raça e tamanho se não tiver um otimo tratamento sera agressivo,temos que dar muito amor e carinho aos nossos companheiros.Parabens ao advogado pelo texto.

23/02/2012 | 11h10 Denunciar

Jussara

Temos 46 animais recolhidos da rua,em nosso sítio,10 animais em nossa casa.É muito legal a gente conviver com esta"turma",e temos que ter para cada um,tratamento diferenciado,estamos em alerta constante.Não expomos eles as pessoas,todos tem seu próprio espaço, muito tranquilos nunca nos atacaram.

23/02/2012 | 00h09 Denunciar

Luciana Diel

Tenho 5 cadelas, todas tiradas das ruas já adultas(1 é Rottweiler),mexo na comida,tiro osso da boca e nunca tentaram me morder.Quem conhece bem os animais sabe que um cão preso,s/liberdade p/correr e brincar o torna agressivo.Não estudem a teoria e sim a prática do comportamento animal!

22/02/2012 | 21h01 Denunciar

Leonardo

Se as pessoas soubessem do carinho e amor e do apoio psicológico que os animais de estimação, sejam cães, gatos, coelhos, hamsters, pássaros, etc., dão às pessoas solitárias, doentes, idosas e viúvos(as), para continuarem a ter forças para viver, jamais diriam que se tratam de escravos.

22/02/2012 | 18h47 Denunciar

Leonardo

Creio na a opinião de antonio souza.Escravizar animais eram os "tratadores" de animais em circos,os horrores em que faziam com os bichos.Em POA é proibido animais em shows de circos,uma lei louvável.Trabalhei com idosos e viúvos(as)e vi o quanto os animais dão apoio psicológico a eles.

22/02/2012 | 17h17 Denunciar

Marcello

Saiu uma matéria interessante no Wall Street Journal a respeito de uma corte no Texas que só julga casos envolvendo animais: Special Court Puts Pet Owners on a Leash http://online.wsj.com/article/SB10001424052970204059804577229452902586074.html?mod=fbapp_art_onwsj

22/02/2012 | 16h57 Denunciar

antonio souza

Animais merecem respeito e amor. Amá-los e respeitá-los é não escravizá-los. Amá-los é permitir-lhes seguir seus caminhos evolutivos. Aprisioná-los, convocá-los para carícias quando arbitrariamente deseja, afastá-los quando incomodam, treiná-los para serem escravos, isso não pode ser amá-los.

22/02/2012 | 15h34 Denunciar

Luis

Acho que o cão devolve as pessoas o tratamento que recebe delas. Tenho uma cachorra Pitt Bull, a Kyara, que está comigo desde que tinha um mes de vida, ela mora comigo no apartamento, tem sua cama, recebe amor, cuidados e nunca esboçou qualquer reação agressiva, ela sequer late...

22/02/2012 | 11h52 Denunciar

Leonardo

Não dá para acreditar em certos comentários aqui, só lendo para acreditar. Alguns parecem odiar cães e pessoas e, pegando carona, até vegetais. Então que vão morar sozinhos em uma ilha do Pacífico sul.

22/02/2012 | 11h46 Denunciar

antonio souza

Não. Um animal não pode ser espelho de um humano.O animal não é cruel, não tem pautas morais a seguir. O dono é. É um escravizador egoísta. Escravizar um animal para prazer pessoal é uma violência cósmica. Não há ternura nisso. Só egoísmo e perversão escravizadora.

22/02/2012 | 11h05 Denunciar

georg carlos

Comentários mostram alto interesse e pouca informação. Cão mais feroz é o Linguiça morde até o dono. Boxer não morde, sabemos muito dos Cães e Bichos, O pre-Tutor consulta um veterinário examinador. Castrar traumatiza, tosquias torturam e mutilam, focinheiras ruins(ONGs combateram), chip, cadastro.

22/02/2012 | 01h34 Denunciar

Cláudio

Em tempo:-O maior problema é a falta de "Maturidade"! "ANIMAIS SÃO SERES VIVOS QUE PRECISAM DE ESPAÇO! COMO O SER HUMANO ENCURTOU OS ESPAÇOS DELES, SOFREM REPRESÁLIAS! MESMA COISA QUADRÚPEDES NO LITORAL:-O QUE FAZEM AS AUTORIDADES PARA FREIAREM ISSO?

21/02/2012 | 12h56 Denunciar

rodrigo

Ifelelizmente há pessoas que não tem a minima noção do que é ter um cão em sua casa. Muitas acham que dar comida e agua(quando muito)e tranca-los em canil é o suficiente. Elas esquecen de que ele além de agua e comida eles precisam de amor, carinho e diciplina.

21/02/2012 | 11h11 Denunciar

Leonardo

Os cães podem ser irracionais,mas aprendem coisas simples,como observar nosso comportamento.Precisam ser educados,aprender palavras como:não,sim,senta,deita,etc.Ter comida,água limpa uma casinha e esticar as pernas.Como descendem dos lobos,precisam saber seu lugar na hierarquia da casa (o último).

21/02/2012 | 11h04 Denunciar

osmar

"O animal e o espelho do dono" indepedente de raça, racional ou iracional sendo mal tratado, qualquer um vira fera. As vezes muitos donos não tem o que comer em casa, mas tem um animal de raça preso em 1 metro de corda e no sol. Maus tratos e crime.

20/02/2012 | 19h46 Denunciar

Rudi

Excelente materia, seria muito bom, mais pessoas com um pensamento assim e divulgando textos boms como esse.

20/02/2012 | 12h51 Denunciar

mairy

Tenho vários cães,todos com ótima índole, inclusive uma que é pastor alemão e rotweiller. Tive um poodle terrível. Ficou comigo treze anos, até sua morte. Foi o cão mais furioso que já vi! Apesar de todo carinho, ele atacava sempre nos mordia. Tinha desvio de conduta! Nem todo cão reflete seu dono!

20/02/2012 | 10h19 Denunciar

Rodrigo Picon

Após ler o artigo do advogado Cauê fiz uma breve procura em sites de pesquisa sobre ataques de cães da raça poodle a crianças e idosos, e, por incrível que pareça, eles também atacam e mordem crianças e idosos, pela teoria do nosso advogado, devido à má criação de seu dono. O pior é que isso ocorre também com raças como pequinês, pastor alemão, terrier e várias outras. Com isso surge uma questão: com tantas pessoas carentes nesse complexo mundo em que vivemos, que dedicam todos seu amor e carinho a seus cãezinhos, qual delas tem condições de criar seu animal de estimação conforme o artigo do Sr Cauê? Não sabemos e nem iremos saber. Mas o fato é que a resposta não tem a mínima relevância quando o assunto são cães da raça Pitt Bull. Quando o advogado lança essa questão ele foge do assunto principal e nos leva a discutir algo que não é relevante no caso do menino Gustavo e nas centenas de ataques de cães dessa raça contra crianças e idosos. A questão central aqui é por que continuamos criando uma raça de cão que vem provocando um verdadeiro genocídio em nosso País? O que faz uma pessoa optar por um cão Pitt Bull em detrimento às outras raças que não irão oferecer risco de vida para seus filhos e os filhos de outros? Na minha opinião pelos mesmos motivos que levam alguns a ingerirem bebidas alcoólicas e conduzirem veículos automotores em alta velocidade. Os motivos? Gostaria que um psiquiatra respondesse porque eu realmente não consigo imaginar. Mas como profissional de segurança pública que convive com os mais diversos tipos de desgraças e violências vejo no ato de criar uma raça destas em meio a notícias recorrentes de flagelos e mortes impostos por estes cães a crianças e idosos como: ignorância, imprudência, inconsequência, desamor pelo próximo e o que é pior, desamor pelos filhos do próximo. Voltando à minha pequena pesquisa conclui algo óbvio para qualquer pessoa, todo o cão morde, independente da raça, e vai continuar mordendo apesar de toda a meiguice do dono ao cria-lo, basta mexer na ração dele enquanto come, ou pisar no rabo do bichano sem querer, entre outros pequenos acidentes caseiros. Mas vamos fugir da questão central do nosso advogado e voltar para a minha, você prefere ser mordido por um poodle ou um Pitt Bull?

19/02/2012 | 22h11 Denunciar

Ana Laura

Ótima matéria, parabéns ao autor!

19/02/2012 | 18h01 Denunciar

joao rodrigues da silva

Pequeníssima parte dos humanos tem instinto assassino. A maioria dos cães SÃO assassinos. Simples assim...

19/02/2012 | 17h42 Denunciar

Aline Pinheiro

Parabéns! Falaste tudo! Cursos de adestramento, conhecimento das raças, acompanhamento veterinário, ... Está mais do que na hora de se por em prática um programa de posse responsável e que seja exigido seu cumprimento. É preciso que haja responsabilidade e consciência das pessoas.

19/02/2012 | 16h25 Denunciar

Adair

Todo cão um dia vai estar estressado, ou irritado, ou nervoso, ou de mau humor, ou com alguma indisposição e vai atacar aquele que estiver mais próximo. É da natureza animal. Temos muitos exemplos.

19/02/2012 | 15h35 Denunciar

alex szekir

Extremamente responsável a abordagem do sr.Cauê sobre o assunto que tanto comoveu o estado nos ultimos dias.A posse responsável é sim a principal medida preventiva para que não mais aconteçam casos de agressividade canina como o ocorrido.A raça não é o principal determinante no comportamento canino.

19/02/2012 | 14h40 Denunciar

eliana

Mesmo um poodle, que éum cão dócil se for tratado com aspereza, sem comida, atado em uma corda pequena, sendo atiçado pelo dono para pegar gatos e outras coisas que se atravessem em seu caminho, com certeza absoluta se tornara um cão Muito feroz.

19/02/2012 | 11h56 Denunciar

eliana

Excelente matéria.Realmente o cão reflete o dono, é como uma criança criada em lar com discordias e brigas certmente se tornara um adulto com problemas. Se o cão, a raça que for, for tratado om carinho, tendo atenção, como passeios, brincadeira não agressivas, será com certeza um cão dócil.

19/02/2012 | 11h54 Denunciar

Silvano

Deveria conversar com o ignorante do Paulo Santana, pra ele não escrever bobagem sobre um assunto que não entende nada.

19/02/2012 | 10h55 Denunciar

Stella de Faria Valle

Parabens ao autor pelo excelente texto. Finalmente esta sendo abordado o problema real. A consciência e a fiscalização quanto ao termo POSSE RESPONSÁVEL deve ser estimulada e divulgada pela mídia.

19/02/2012 | 10h25 Denunciar

Luís Bustamante

Admirador incondicional de ZH, considero irresponsável a publicação do artigo do Tema para Debate deste domingo (19/2). Como nenhum(a) proprietário(a) de cães ferozes aceita que mantém uma arma engatilhada para disparar a qualquer momento, o artigo só vem suscitar que mais vítimas fatais ocorram.

19/02/2012 | 09h31 Denunciar

Juliana

Até que enfim, uma matéria consciente sobre esse assunto! Independente da raça, o comportamento do cachorro irá sempre expressar o cuidado, as regras e limites impostas (ou não) pelo seu dono. Acho muito triste ver as pessoas julgando raças, sem antes conhecer o mínimo sobre comportamento animal.

19/02/2012 | 01h17 Denunciar

virgilio melhado passoni

Mesmo não sendo especialista nesse tema,sempre observo que o temperamento de um cão se asemelha muito ao temperamento do seu dono.

18/02/2012 | 17h23 Denunciar

rose

Excelente matéria. Ótima abordagem, parabéns!

18/02/2012 | 16h11 Denunciar

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