SAÚDE EM DISCUSSÃO23/02/2012 | 03h19

Simers critica Samu por transportar pacientes para hospitais de baixa complexidade

Conforme o Simers, a situação é constrangedora para o médico, que não tem condições de prestar o atendimento necessário

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O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) faz um alerta para a falta de atendimento adequado para pacientes que necessitam de leitos em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) ou tratamento especializado e complexo.

A direção da entidade, que aborda o assunto em sua página na internet, critica o procedimento adotado pelas equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de transportar doentes para pequenos hospitais onde ficam até vários dias à espera de transferência para um estabelecimento melhor equipado.

Conforme o Simers, a situação é constrangedora para o médico, que não tem condições de prestar o atendimento necessário, e perigosa para o paciente, que depende da liberação de vaga em outro hospital para ser transferido.

— Temos vários casos, espalhados pelo Estado, de pacientes transportados pelo Samu e deixados em pequenos hospitais à espera de uma vaga em local especializado. No início da semana, por exemplo, nós flagramos uma mulher de 49 anos com trauma no fêmur no Instituto de Cardiologia Hospital Viamão, que não tem condição de resolver o problema dela. Apenas de tratá-la de maneira paliativa até surgir a vaga especializada — critica o diretor do Simers Edson Prado Machado.

Reunião com governo do Estado discutirá situação

Embora não corra risco de vida, quarta-feira completou-se uma semana que a paciente está à espera do tratamento necessário. Ela é uma entre dezenas levadas pelo serviço de emergência para hospitais que não têm condições técnicas para resolver o problema.

Machado sustenta que o atual sistema do Samu transformou esses pequenos hospitais e alguns postos de saúde em entrepostos para pacientes à espera de solução para seus males. Lembra ainda que esses estabelecimentos enfrentam carência de pessoal e material.

O médico argumenta, por isso, que o caos aumenta toda vez que uma equipe do Samu deixa um paciente necessitando de tratamento sofisticado em locais sem perfil para o atendimento.

— Há casos de estabelecimentos que têm um único médico, que precisa deixar o que está fazendo para atender o paciente trazido pelo Samu sem avisar — reclama o diretor.

Machado revela que o sindicato negocia um encontro com o governo do Estado para tratar do assunto. A entidade defende o aumento do número de vagas em hospitais de alta complexidade para evitar essa situação.

— Infelizmente, esta situação existe. Os pacientes são deixados pelo Samu em hospitais menores esperando leitos especializados — observa o diretor do Simers.

Zero Hora entrou em contato com a direção do hospital de Viamão, mas não obteve retorno.

Contraponto
Departamento de Assistência Hospitalar e Ambulatorial, ao qual são vinculados a Coordenação Estadual de Urgência e Emergência e a Central Estadual de Regulamentação de Leitos.

Lobato afirma que o procedimento do Samu é correto. Pelas normas, as equipes recolhem o paciente e o levam ao recurso médico mais próximo para que tenha o seu estado de saúde estabilizado.

Em casos muito graves, geralmente acidentes de trânsito, que aconteçam na Região Metropolitana, os pacientes são levados para o Hospital de Pronto Socorro (HPS) ou para a Emergência do Cristo Redentor. Se o acidente ocorrer em outras partes do Estado, o paciente pode ficar em um pequeno hospital à espera de uma vaga especializada.

Comentar esta matéria Comentários (6)

hildo

A afirmação do Sr. Lobato de que em casos mais graves os pacientes são encaminhados para o HPS e Cristo Redentor não é verdadeira, pois em Viamão o único destino dado pela SAMU aos pacientes é o falido hospital do município. Se preferir ir para outro local tem que ser por sua conta e risco.

23/02/2012 | 19h58 Denunciar

Sergio

O SIMERS, está corretissimo em usar o famoso TSR (Tirar o Seu da Reta), afinal representa o médico. Para o SIMERS, todo médico representa um deus supremo intocavel que consegue enterrar seus erros. Fala sério, meu!!! Deixem de se considerar deuses e trabalhem para o bem da saude, o RS agradece.

23/02/2012 | 11h16 Denunciar

MILTON SIMON PIRES

O SAMU literalmente "despeja" pacientes em qualquer lugar sem contato algum com o médico que está de plantão. Passei por isso quando era médico no Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul e no PA da Bom Jesus.A vida de quem está trabalhando torna-se um inferno e azar do doente se o lugar não tem condições

23/02/2012 | 11h03 Denunciar

Luis Eduardo

Uma solução seria deixar os pacientes internados dentro das ambulâncias até surgir uma vaga de alta complexidade. SIMERS, essa seria a solução???

23/02/2012 | 09h15 Denunciar

Luis Eduardo

Agora o SAMU é responsável pela criação de vagas em UTIs? Não faltava mais nada! Se NÃO HÁ VAGAS, isso NÃO é culpa do SAMU, e sim do gerenciamento e incapacidade dos leitos hospitalares do Estado! O SIMERS está sendo tendencioso ou totalmente desinformado quanto o funcionamento do SAMU nacional!

23/02/2012 | 09h13 Denunciar

Rodriigues

Adoecer no Brasil, em especial no estado do RS, é sinônimo de morte. Tetricamente os entes queridos acompanham a humilhante peregrinação do enfermo, por leitos em hospitais onde muitos morrem na fila sem consegui-los

23/02/2012 | 06h43 Denunciar

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