Honestidade sem preço11/02/2012 | 09h04

Servente encontra R$ 24 mil no aeroporto Salgado Filho e devolve a empresário

Davi dos Santos Pereira, 20 anos, achou a bolsa com o dinheiro e levou ao setor de achados e perdidos

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Servente encontra R$ 24 mil no aeroporto Salgado Filho e devolve a empresário Genaro Joner/Agencia RBS
"Se tivesse oportunidade, faria tudo de novo. Não era meu", disse o servente Foto: Genaro Joner / Agencia RBS

Um enredo de cinema se desenrolou no aeroporto Salgado Filho. Um funcionário da limpeza, de 20 anos, deu uma prova rara de honestidade: encontrou uma bolsa com R$ 24 mil e devolveu tudo ao dono. O fato, na manhã de sexta-feira, e deixou autoridades boquiabertas.

Por volta das 9h, o consultor empresarial Antônio Mallmann, 66 anos, desembarcou na Capital de um voo vindo de Florianópolis. Acomodou as malas no carrinho, posicionou a nécessaire com o dinheiro sobre as bagagens, passou em uma lanchonete, pediu um suco para tomar os 18 remédios para o coração diários e saiu rumo ao estacionamento. Entrou no próprio carro e foi até o bairro Santana, onde quitaria uma dívida no valor exato da quantia transportada. Foi aí que deu falta da bolsa:

— Pensei: meu Deus, meu Deus! Comecei a me benzer e disse: tenho de achar uma solução para isso. Retornei ao aeroporto e quando cheguei lá foi maravilhoso.

Mallmann retornou em 30 minutos, pediu informações e descobriu que o dinheiro estava na Delegacia da Polícia Civil do aeroporto. Chegou enquanto Davi Junior dos Santos Pereira, 20 anos, registrava a ocorrência.

— Abracei muito aquele menino. Ele é um exemplo. Me fez acreditar que ainda existe gente honesta no mundo — repetia Mallmann.

Davi é servente em uma empresa de serviços gerais terceirizada pela Infraero e estava arrumando os carrinhos do aeroporto quando avistou a nécessaire no chão. Juntou e levou para a central de achados e perdidos. Os funcionários abriram a bolsa e foi aí que ele viu a quantia, toda em notas de R$ 50 e R$ 100.

— Me assustei com todo aquele dinheiro. Mas não me arrependo. Se tivesse oportunidade, faria tudo de novo. Não era meu. Eu não tinha o direito de pegar. Cresci com esse ensinamento do meu pai — contou o jovem.

Lá mesmo, na delegacia, recebeu uma recompensa — os dois preferiram não revelar o valor. A primeira coisa que fez foi comprar um tênis e uma camiseta. O resto, diz, pretende guardar para passar o mês. Usou a beca para festejar em uma roda de samba nas proximidades da casa simples onde mora com os pais e os irmãos, no bairro Mathias Velho, em Canoas.

Reservado, Pereira contou do feito apenas para a família. O pai, José Carlos Pereira, 65 anos, está todo orgulho do caçula de nove filhos.

— Sempre ensinei meus quatro meninos e cinco meninas a levar a vida com honestidade. Pelo que ele fez agora, vai receber em dobro mais na frente — diz o vendedor de picolé na Redenção, em Porto Alegre.

Emprego é o primeiro de Davi

O emprego no aeroporto é o primeiro de carteira assinada de Davi. Começou há dois meses e ainda tem mais um de experiência pela frente para ser contratado de vez. Como recompensa pela demonstração de confiança e caráter, Mallmann, que é dono de uma pousada em Garopaba, litoral de Santa Catarina, convidou Davi e a família para passar uma semana descansando, com todas as despesas pagas.

Davi ficou radiante com a possibilidade de conhecer o litoral catarinense, mas não tem direito a férias. Como não quer se prejudicar no emprego, decidiu repassar a viagem aos pais.

— Quero dar uma segunda lua de mel para os dois — falou.

Depois de passar por isso tudo, Mallmann, que é cardíaco, ainda lidou com a descrença dos filhos e do credor.

— Eu me atrasei no compromisso para quitar a dívida e quando chego conto essa história. Quem vai acreditar? Nem meus filhos acreditaram em mim. Devem estar até agora pensando: ih, isso deve ser efeitos desse monte de remédios que toma para o coração.

Foi o segundo caso de devolução no Salgado Filho em uma semana. Na segunda-feira, um servente encontrou uma bolsa com dinheiro, documentos e máquina fotográfica e devolveu a turistas chilenos.

Comentar esta matéria Comentários (23)

Ana Elisabete

O mais emocionante de tudo ,.é este jovem dizer aprendi com os meus pais.Parabéns a todos e Deus com certeza te reserva um futuro muiiiito feliz.

14/02/2012 | 17h08 Denunciar

Ricardo

Quando o cara faz a coisa certa "as autoridades ficam boquiabertas". Quando alguém encontra algo "sem dono" só tem uma certeza: não lhe pertence! Parabéns pro rapaz!

14/02/2012 | 10h28 Denunciar

hildo

A foto da reportagem diz tudo. Perceberam o olhar brilhante e o sorriso estampado no rosto do Davi? Irá dormir o sono dos justos. Honestidade não tem preço. A empresa deveria dar uma semana de folga pra ele poder usufruir de seu feito, e no retorno efetiva-lo. Nem tudo está perdido nesse país.

12/02/2012 | 12h01 Denunciar

Mirian dos Santos

"me assustei com todo aquele dinheiro"... hummmm...então desconhecia o conteúdo existente no interior da bolsa que estava entregando ao setor de achados e perdidos...

12/02/2012 | 09h23 Denunciar

Marcio

A explicação para essa conduta está no trecho "Eu não tinha o direito de pegar. Cresci com esse ensinamento do meu pai" É a única forma de contornarmos essa crise de honestidade que temos hoje. Parabéns ao rapaz pela atitude, e ao seu pai, pela criação exemplar.

12/02/2012 | 02h06 Denunciar

valdir

È isso mesno Gerson, se essa bolsa caísse no Congresso, no Supremo ou no senado, certamente iria dar morte...iriam se matar na hora de dividir o dinheiro. Isso é FATO!!!

11/02/2012 | 22h45 Denunciar

James Grott

Parabéns ao Davi pelo feito.. e parabéns ao Mallmann pela recompensa. Muitas vezes o achado não é devolvido e muitas outras vezes o achado não é 'recompensado'... mais uma vez parabéns ao dois!!

11/02/2012 | 22h33 Denunciar

Edemar

Vejam só, como está nosso País. Um fato que deveria ser normal, passa a ser tratado como algo de outro planeta. O problema é que estamos acostumados a ser diariamente roubados, seja por meio de impostos sem nada de retorno, ou até mesmo por uma classe politica, que só pensa em si. VOTA BRASIL

11/02/2012 | 20h05 Denunciar

jorge

SERÁ QUE UM POLITICO DEVOLVERIA ESSA GRANA ?EU ACREDITO EM CEGONHA.

11/02/2012 | 18h28 Denunciar

Newton

E DIZER QUE, CERTAMENTE, ESSE RAPAZ JÁ FOI ALVO DA DESCONFIANÇA E DO PRECONCEITO POR SUAS CARACTERÍSTICAS E CONDIÇÃO-SOCIAL.

11/02/2012 | 16h57 Denunciar

joselmo vaich dos anjos

Pergunto se alguem ja viu um rico devolver necesser com dinheiro, nunca pois e so pobre que faz isso.

11/02/2012 | 13h20 Denunciar

Jairo

Legal a devolução do dinheiro e o reconhecimento do dono, alguns casos a pessoa recevbe o pertence e não da nenhuma gorjeta!

11/02/2012 | 13h12 Denunciar

Thiago Roberto Pereira

Parabéns, acho que se todos fossemos honesto no Brasil as coisas ficariam bem melhores, que essa atitude sirva de exemplo para esses políticos sem vergonha na cara. Vale salientar que este empresário deveria dar uns 10% do total deste valor para o rapaz.

11/02/2012 | 12h36 Denunciar

SUE RAQUEL

Parabéns por este gesto. Há muita gente boa neste país, independente de classe social e econômica.

11/02/2012 | 12h23 Denunciar

claudia cristina

Esse rapaz serve de exemplo para os politicos de Brasilia, que não devemos pegar o que não nos pertence, isso inclui o dinheiro alheio.

11/02/2012 | 12h04 Denunciar

Rafael Nicola

Parabéns pela atitude. Coisa rara hoje em dia.

11/02/2012 | 11h49 Denunciar

Edevaldo

Meu voto é deste guri. Se todo político fosse como ele, estaríamos tranquilo.

11/02/2012 | 11h47 Denunciar

GERSON

Deu sorte o Sr. Malmann. Imagina se ele deixa cair a bolsa na assembéia ou no supremo ou no congresso nacional?

11/02/2012 | 11h03 Denunciar

Augusto

Logo agora que eu queria perder minha mulher para passar o CARNAVAL sozinho.....já pensou se ele acha ela??? VAI QUERER ME DEOLVER!!!!

11/02/2012 | 10h58 Denunciar

Caio Jank

Parabens a esse rapaz. É uma prova que dinheiro não é tudo e honestidade e caráter não se compra.

11/02/2012 | 10h57 Denunciar

marco antonio

Essa notícia poderia passar batida, esse procedimento deveria ser normal em nosso dia-a-dia, mas estamos acostumados a ministros serem demitidos por roubo, trafico de influência, promessas não cumpridas pelo governo, etc... Parabéns Davi, essa lição os políticos deveriam aprender. Não ROUBAR do POVO

11/02/2012 | 10h46 Denunciar

Ivan Chitolina

Pena que isso raramente acontece e logo cai no esquecimento. Lá em Brasília muita gente acha nosso dinheiro diariamente e não aparece ninguém pra devolver. Parabéns pra esse menino!

11/02/2012 | 10h28 Denunciar

Michelle

Pq esse rapaz não encontrou minha carteira?Quem a encontrou fez questão de utilizar-se de 250,00 em dinheiro e 5.000,00 no cartão de crédito.Gente,esse rapaz é de ouro,Deus com certeza dará tudo em dobro pra ele.E quanto a empresa,corra pra admití-lo de vez,pois pessoa assim é dificil de encontrar.

11/02/2012 | 09h50 Denunciar

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