Diversos pontos de Porto Alegre estão sendo afetados pela falta de água. Um dos casos mais dramáticos é o da Lomba do Pinheiro, onde moradores de ruas como a Sapiranga e Tangerina convivem com cortes constantes há pelo menos dois meses. Nos últimos dias, porém, a situação se agravou de forma caótica.
— Tenho duas idosas e um adolescente em casa. Uma delas usa fralda e precisa de higiene constante. Hoje eu tinha água nem para cozinhar, ninguém aqui toma banho há dois dias, você imagina minha situação — desespera-se a dona de casa Eliane Lopes, por telefone, na tarde desse sábado.
Após inúmeras tentativas de solucionar o problema junto ao Departamento Municipal de Ãgua e Esgotos (Dmae), Eliane chegou a sugerir que o departamento enviasse um caminhão pipa ao bairro.
— Até entendo que eles queiram fazer racionamento, mas não dão informação direito, e nos deixam sem previsão. Não sabemos mais a quem recorrer. Não temos reservatório nem nada — lamenta a dona de casa.
Na Rua Sapiranga, também foi raro o dia que a família de um morador, que não quis se identificar, conseguiu lavar louça ou tomar banho.
— A gente liga e eles (o Dmae) prometem religar a água sempre na madrugada, mas chega de manhã e, às vezes, nada. Como não temos caixa d´água, a gente vai levando com a barriga — lamenta o morador.
Segundo o DMAE são diversos os fatores que contribuem para o esvaziamento dos reservatórios locais. Crescimento populacional da região extremo Sul e as temperaturas altas que Porto Alegre enfrenta neste verão, somados ao aumento das áreas irregulares na cidade, provocam excesso de consumo de água na região atendida pelo Sistema Belém Novo.
Em função disso, o departamento já programou quatro obras para ampliar a capacidade de abastecimento na região atendida pelas estações de bombeamento Xavantes, Restinga e Pitinga.
Novas manobras estão previstas para o local, mas não há como prever a volta da água, diz o órgão. Para aliviar a situação momentaneamente, caminhões-pipa foram enviados durante a tarde deste sábado.













