Família dilacerada 03/02/2012 | 20h16

Enterro de grávida e filhos em Pedro Osório comove mais de sete mil pessoas

Bianca Velleda dos Santos, 32 anos, grávida de sete meses, e o filho Caio foram atropelados

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Enterro de grávida e filhos em Pedro Osório comove mais de sete mil pessoas Nauro Machado/Agencia RBS
Velório foi acompanhado por mais de sete mil pessoas Foto: Nauro Machado / Agencia RBS
A história de uma família dilacerada por um acidente de trânsito fez silenciar o município de Pedro Osório, no sul do Estado. Em uma tentativa de salvar o filho de quatro anos, a auxiliar legislativa Bianca Velleda dos Santos, 32 anos, grávida de sete meses, foi atropelada por uma motocicleta. Ela, o bebê e o filho foram sepultados no final da tarde desta sexta-feira, diante do choro de mais de sete mil pessoas.

— A cidade está parada, nem os passarinhos estão voando hoje — disse uma amiga da família ao retratar a pior das cenas a que poderia assistir: dois caixões, um ao lado do outro; em um deles, a mãe com o bebê que nem havia nascido nos braços, no outro, o menino Caio, com os brinquedos do Homem Aranha de que tanto gostava.

A Câmara de Vereadores suspendeu o expediente e o prefeito decretou três dias de luto oficial. Bianca era conhecida pelo trabalho de quase 15 anos no Legislativo e pela atividade que exercia junto com a família no Rotary Club.

Mãe e filho foram atropelados na Avenida José Bonifácio, do outro lado da rua da casa onde moravam. Caio foi socorrido pelo avô e levado ao Pronto Socorro de Pedro Osório e Bianca encaminhada para atendimento pela Brigada Militar. Devido à gravidade dos ferimentos, os dois foram transferidos para Pelotas, mas não resistiram.

Michele Velleda dos Santos e Cibele Velleda dos Santos, irmãs de Bianca, contam que mãe e filho deixavam a praça juntos. Bianca acompanhava Caio, e os dois já estariam próximos à calçada quando foram atingidos. As familiares relatam ainda que foram doadas as córneas das vítimas.

De acordo com a Polícia Civil, os dois foram atropelados pelo entregador de pizzas Diego Silva da Rosa, de 23 anos, que estava trabalhando no momento do acidente, teve um ombro deslocado e escoriações leves. Conforme consta no boletim de ocorrência, o velocímetro da motocicleta teria travado na marca dos 110 quilômetros por hora. À polícia, Rosa relatou não ter tido tempo de desviar ao perceber os dois na via.

Essa é a segunda vez em pouco mais de um mês que um trágico acidente deixa a população de Pedro Osório chocada. Gabriely Soares, de seis anos, foi atropelada pelo caminhão do Papai Noel na véspera do Natal, durante a festa promovida pela prefeitura.

"Eu estava do outro lado da rua, vi tudo e não pude fazer nada"

O auxiliar de manutenção, Cléber Ossanes, de 28 anos, perdeu a mulher, o filho e o bebê — que viu pela primeira vez no caixão, junto com a mãe.

Zero Hora — Como você ficou sabendo do acidente?

Cléber Ossanes —
Eu estava tomando chimarrão na frente de casa, junto com eles, só que do outro lado da rua. Vi tudo e não pude fazer nada. Vi que uma moto se aproximava, ela vinha muito rápido. Foi tudo muito rápido. A gente cuidava tanto, não sei como isso foi acontecer.

Zero Hora — Qual foi a sua reação?

Cléber Ossanes —
Não deu tempo de nada, não lembro direito. Vi o meu sogro, que também estava conosco, sair correndo, pegar o meu filho no colo. Eu fui para perto também, aí já chegou a Brigada Militar. Eles estavam com braço, perna, cabeça quebrada, vi os cabelinhos do meu filho no chão. Arrancaram a minha família de mim.

Zero Hora — Você consegue imaginar como será a sua vida daqui para frente?

Cléber Ossanes —
Não sei, não consigo pensar em nada daqui para frente porque ainda não acredito que isso aconteceu.

Comentar esta matéria Comentários (1)

pacheco

Que Deus abençoe os Familiares, vão precisar de muita força, e só para argumentar; no perímetro Urbano a velocidade maxima é de 40 km/h, velocidade que não ceifaria a vida desses inocentes.

03/02/2012 | 20h46 Denunciar

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