Conhecida pela imensidão de suas dunas, pela beleza das lagoas Rondinha e Cerquinha e pela doçura do mel extraído das folhas de eucalipto robusta, abundante na região, Balneário Pinhal, veja só, tornou-se referência para usuários de jet ski.
O município é o único em todo o Litoral Norte que tem área demarcada para o uso do aparelho no mar — o que permite ao piloto fazer manobras radicais.
— Nos finais de semana, reunimos 15, 20 amigos. Chega a vir gente de outras praias — conta o dono de uma revenda de veículos Amir Guedes, 50 anos.
Proprietário de um Yamaha 760 Wave Blaster II, Guedes pilota jet ski em rios e lagoas há 20 anos, mas desde que começou domar as ondas de Balneário Pinhal a sua relação com o veículo se transformou:
— A gente perde a vontade de andar em águas calmas. No mar, a adrenalina é muito maior — conta o morador de Porto Alegre.
Sentimento semelhante move o comerciante Marcelo Reis, veranista do balneário desde que nasceu, 39 anos atrás.
— Quem anda no mar não quer voltar para a lagoa — garante.
A relação de Reis com os jets no oceano nem sempre foi amistosa. Em 2005, quando a área foi demarcada, o ronco dos motores subindo e descendo ondas até vencer a rebentação o incomodava.
— Como eu moro perto da praia, não conseguia dormir à tarde, odiava aquilo — recorda.
Até que Reis, também piloto, decidiu experimentar. Resultado:
— Gostei tanto que virei amigo dos caras.
Nos 500 metros demarcados, o risco de acontecer acidentes como o registrado no último sábado, em Bertioga, litoral paulista, são reduzidos. Grazielly Almeida Lames, cinco anos, morreu ao ser atingida na cabeça por um veículo desgovernado quando brincava com a mãe, na beira da praia.
— O local é seguro porque há madeiras na areia e placas sinalizando que é área de jet ski — diz a secretária de Turismo e Lazer, Tatiana Rita Weissheimer.
Os pilotos têm regras a seguir no momento em que entram na água. O veículo deve ser utilizado somente após a rebentação, sem a presença de banhistas. Na beira da praia, a velocidade máxima permitida é de 5 km/h. Para garantir a integridade dos praticantes, um aparelho deverá permanecer sempre disponível para resgates.
— Se não tiver outro veículo disponível, torna-se muito difícil o socorro se necessário — diz o comandante da Capitania dos Portos em Tramandaí, capitão Jeancarlo Kotkiewicz.













