À medida que o feriadão de Carnaval se aproxima, cresce a preocupação com o risco de acidentes nas estradas. Na tentativa de conscientizar quem pretende viajar de ônibus nos próximos dias, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou na tarde desta quarta-feira uma blitz no km 98 da rodovia Porto Alegre-Eldorado do Sul (BR-290). O objetivo era alertar passageiros dos coletivos para a importância e a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança durante a viagem.
A legislação de trânsito determina instalação de cintos em todas as poltronas de ônibus fabricados a partir de 1999 — e o uso do equipamento de segurança pelos passageiros é obrigatório.
— Se os passageiros não estão de cinto, o motorista do ônibus é multado — explica Alessandro Castro, chefe de Comunicação Social da PRF.
Apesar da obrigatoriedade, o uso do cinto de segurança nos ônibus parece estar longe de se tornar um hábito entre os passageiros. Segundo Castro, dos ocupantes dos 20 coletivos fiscalizados nesta quarta, menos de 50% estavam usando o equipamento — e destes, muitos utilizavam o cinto de maneira inadequada, sem ajustar a tira para ficar rente ao corpo.
Parado na blitz da PRF, o motorista Vanderlei Teixeira, que trabalha há oito anos na linha Porto Alegre-Camaquã da empresa Frederes, afirmou a ZH que orienta os passageiros a colocarem o cinto, mas que poucos usam o equipamento de segurança.
— A gente está sempre orientando, mas eles não dão bola. Quando o ônibus sai da rodoviária, eles tiram o cinto — afirma Vanderlei.
Uma das passageiras que estavam sem cinto no coletivo que fazia a linha Porto Alegre-Camaquã era a empresária Viviane Zordan, de Barra do Ribeiro. Ela viaja de ônibus mais ou menos uma vez por semana e afirma não ter o hábito de usar o equipamento, apesar de saber a sua importância:
— Quando entro no meu carro, a primeira coisa que faço é colocar o cinto. Estou tão acostumada que, quando esqueço de pôr, fico me sentindo solta. Mas não tenho esse hábito no ônibus. Agora, com essa puxadinha na orelha, vou começar a usar.
Sobre seus companheiros de viagem, Viviane diz que a maioria dos passageiros não costuma utilizar o cinto.
— Dá pra dizer que que uns 98% não usam. É raro alguém usar. É até o contrário: quando alguém usa, nos chama a atenção — afirma a empresária.
Segundo Janice Pierobom, diretora da Frederes, o desrespeito de alguns passageiros pela lei do cinto de segurança vai além do não uso do equipamento:
— Muitos não apenas não usam o cinto, como estragam. Vários ônibus chegam com o cinto cortado. A gente não dá conta de repor. Alguns passageiros tiram as fivelas para vender.
Janice diz achar necessário que os ônibus tenham cinto, mas destaca a dificuldade para fazer com que os passageiros cumpram a lei, pois, segundo ela, a empresa não tem como obrigar as pessoas a utilizarem o equipamento. A diretora também afirma que a empresa nunca teve motoristas multados pelo descumprimento dessa lei.
De acordo com a PRF, os meses de janeiro e fevereiro são os que mais registram movimento de ônibus nas estradas federais. Durante a campanha de conscientização, os passageiros receberão fôlderes com explicações sobre a obrigatoriedade do equipamento e a sua importância para salvar vidas no trânsito.













