Lei que não pegou08/02/2012 | 18h28

Apesar da obrigatoriedade, uso do cinto de segurança nos ônibus intermunicipais está longe de virar um hábito

Nesta quarta, blitz da Polícia Rodoviária Federal tentou conscientizar passageiros para a importância do equipamento

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Apesar da obrigatoriedade, uso do cinto de segurança nos ônibus intermunicipais está longe de virar um hábito Ronaldo Bernardi/Agência RBS
PRF orientou passageiros de ônibus para a importância do uso do cinto Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS

À medida que o feriadão de Carnaval se aproxima, cresce a preocupação com o risco de acidentes nas estradas. Na tentativa de conscientizar quem pretende viajar de ônibus nos próximos dias, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou na tarde desta quarta-feira uma blitz no km 98 da rodovia Porto Alegre-Eldorado do Sul (BR-290). O objetivo era alertar passageiros dos coletivos para a importância e a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança durante a viagem.

A legislação de trânsito determina instalação de cintos em todas as poltronas de ônibus fabricados a partir de 1999 — e o uso do equipamento de segurança pelos passageiros é obrigatório. 

— Se os passageiros não estão de cinto, o motorista do ônibus é multado — explica Alessandro Castro, chefe de Comunicação Social da PRF.

Apesar da obrigatoriedade, o uso do cinto de segurança nos ônibus parece estar longe de se tornar um hábito entre os passageiros. Segundo Castro, dos ocupantes dos 20 coletivos fiscalizados nesta quarta, menos de 50% estavam usando o equipamento — e destes, muitos utilizavam o cinto de maneira inadequada, sem ajustar a tira para ficar rente ao corpo.

Parado na blitz da PRF, o motorista Vanderlei Teixeira, que trabalha há oito anos na linha Porto Alegre-Camaquã da empresa Frederes, afirmou a ZH que orienta os passageiros a colocarem o cinto, mas que poucos usam o equipamento de segurança.

— A gente está sempre orientando, mas eles não dão bola. Quando o ônibus sai da rodoviária, eles tiram o cinto — afirma Vanderlei.

Uma das passageiras que estavam sem cinto no coletivo que fazia a linha Porto Alegre-Camaquã era a empresária Viviane Zordan, de Barra do Ribeiro. Ela viaja de ônibus mais ou menos uma vez por semana e afirma não ter o hábito de usar o equipamento, apesar de saber a sua importância:

— Quando entro no meu carro, a primeira coisa que faço é colocar o cinto. Estou tão acostumada que, quando esqueço de pôr, fico me sentindo solta. Mas não tenho esse hábito no ônibus. Agora, com essa puxadinha na orelha, vou começar a usar.

Sobre seus companheiros de viagem, Viviane diz que a maioria dos passageiros não costuma utilizar o cinto.

— Dá pra dizer que que uns 98% não usam. É raro alguém usar. É até o contrário: quando alguém usa, nos chama a atenção — afirma a empresária.

Segundo Janice Pierobom, diretora da Frederes, o desrespeito de alguns passageiros pela lei do cinto de segurança vai além do não uso do equipamento:

— Muitos não apenas não usam o cinto, como estragam. Vários ônibus chegam com o cinto cortado. A gente não dá conta de repor. Alguns passageiros tiram as fivelas para vender.

Janice diz achar necessário que os ônibus tenham cinto, mas destaca a dificuldade para fazer com que os passageiros cumpram a lei, pois, segundo ela, a empresa não tem como obrigar as pessoas a utilizarem o equipamento. A diretora também afirma que a empresa nunca teve motoristas multados pelo descumprimento dessa lei.

De acordo com a PRF, os meses de janeiro e fevereiro são os que mais registram movimento de ônibus nas estradas federais. Durante a campanha de conscientização, os passageiros receberão fôlderes com explicações sobre a obrigatoriedade do equipamento e a sua importância para salvar vidas no trânsito.

Comentar esta matéria Comentários (10)

hildo

O fato é que se sabe das irregularidades nas nada de efetivo é feito. E os passageiros que viajam em pé? Se sou parado numa blitz e tem alguém sem cinto, é multa na certa. Ao cidadão comum os rigores da Lei, e aos empresários do transporte coletivo?

09/02/2012 | 13h10 Denunciar

paisagem

GOSTARIA QUE FISCALIZA-SE A UNIÃO SANTA CRUZ GANHAM UM MONTE DE DINHEIRO,E SUPER LOTAM SEUS ÔNIBUS QUASE SEMPRE VELHOS QUE FAZEM A LINHA SANTA CRUZ E RIO PARDO E VICE- VERSA .DEVIAM DEPOIS DE UM DIA DE TRABALHO AINDA TEM QUE SUJEITAR A VIR EM PÉ MUITAS DAS VEZES

09/02/2012 | 03h11 Denunciar

gilson

Sempre usei UNESUL para o interior SANTO ANTONIO DA PATRULHA e NUNCA TEM CINTO !!! ÔNIBUS VELHOS, PASSAGENS CARAS !!! ATENÇÃO PRF, DAER, VAMOS FISCALIZAR COM MAIS RIGOR !!!

08/02/2012 | 23h15 Denunciar

José Serrano Agustoni

Eu uso sempre e faço campanha entre meus parentes, colegas e amigos. Abaixo da assinatura do meu email corporativo tem uma frase de incentivo ao uso do cinto.

08/02/2012 | 20h53 Denunciar

giza

Viajei na semana passada para Montenegro e o onibus era muito precário e não tinha onde plugar o cinto. Acredito primeiro o DAER deve verificar a situação dos onibus que trafegam nas nossas estradas depois punir possíveis responsaveis pelo não uso dos cintos.

08/02/2012 | 20h52 Denunciar

José Serrano Agustoni

Eu uso o cinto de segurança sempre, em qualquer tipo de veículo. Carro, ônibus, avião (não tiro nem quando a luz indicadora se apaga) e não é por medo, é por saber que ele protege. Não saio da garagem sem cinto, não ando 50 metros sem cinto.

08/02/2012 | 20h48 Denunciar

Juarez Alvarenga

O DAER que poderia fazer fiscalização nas próprias estações rodoviárias, na de Porto Alegre saem ônibus sem ao menos ter os cintos colocados nos bancos para os usuários. Tem alguns horários da empresa Expresso Azul que não tem cintos. Isso eu mesmo já viajei sem ter o cinto pra pôr. Fiscalize DAER.

08/02/2012 | 19h45 Denunciar

Karla Rossana Leite Alves

APROVEITANDO A "FEBRE"...a PRF PODIA FAZER UMA VISTORIA E DAR UMA BATIDA NOS ÔNIBUS DA EMPRESA UNESUL QUE TRAFEGAM PELA FREE-WAY DURANTE O VERANEIO! VERDADEIRAS CARROÇAS VELHAS! ALGUNS NEM TEM CINTO DE SEGURANÇA, DE TÃO VELHOS!! (AH.....E A PASSAGEM NÃO É BARATA !!!!)

08/02/2012 | 19h28 Denunciar

Sabrina

Quero saber como fica os 45% dos passageiros que podem viajar de pé nas linhas comuns intermunicipais. Lixo de matéria escrita por gente mal informada.

08/02/2012 | 19h06 Denunciar

Adriane

Multar o motorista do onibus é injusto, porque ele até pode exigir o uso do cinto...mas como ele vai fiscalizar durante a viagem? Para o onibus???

08/02/2012 | 18h59 Denunciar

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