Cursos de elite26/01/2012 | 03h18

UFRGS reduz exigência para preencher cotas raciais nos cursos mais disputados

Com mudança votada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, o número de negros aprovados nos 10 cursos mais concorridos da instituição teve um aumento de 375%

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A Universidade Federal do Rio Grande do Sul derrubou uma barreira que limitava o acesso de negros, oriundos de escolas públicas, aos cursos considerados de elite.

Em razão da recém-implantada mudança no acesso por meio das cotas raciais — votada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) — o número de negros aprovados nos 10 cursos mais concorridos da instituição passou de 24 no ano passado para 114 em 2012, um aumento de 375%.

No total dos 89 cursos oferecidos, o número de aprovados que se declararam negros e de escola pública aumentou 58% neste vestibular em relação a 2011. De 270 aprovados no ano passado, agora a cifra chegou a 427.

Esses cotistas ocupam vagas que, até o ano passado, eram preenchidas por egressos de escolas públicas — especialmente daquelas de perfil diferenciado, como o Colégio Militar e o Colégio Tiradentes.

Saiba mais: Como foi a alteração

Sem alarde, o Cepe, composto por professores, estudantes e funcionários, deliberou, em julho, resolução que altera a seleção das redações que serão corrigidas. Até 2011, os negros tinham de alcançar na prova objetiva a mesma média que os demais candidatos para ter a redação lida.

Só uma parcela pequena, insuficiente para preencher as vagas, obtinha essa média. A nova regra estabelece um escore inferior para os negros terem a redação lida.

Com a divulgação das médias do último vestibular, o efeito da mudança ficou escancarado: cotistas negros foram aprovados em cursos de ponta com notas que, para candidatos universais, só permitiriam acesso a cursos pouco concorridos. A polêmica explodiu na internet.

Pró-reitora de Graduação, Valquiria Linck Bassani diz que a mudança amplia “a inclusão” na UFGRS.

— Se a política da universidade é inclusiva, a medida veio ao encontro de ampliar a inclusão e reafirma o compromisso com ações afirmativas — diz.

O caso da Faculdade de Medicina ajuda a compreender a revolução que o vestibular de 2012 provoca. É a primeira vez em 110 anos de existência que 15% (21) dos 140 acadêmicos aprovados no curso são negros.

Formados pelo deficiente ensino público, os futuros médicos cotistas vão ingressar em desvantagem em relação aos colegas. É o que sugerem os seus desempenhos. O escore do afrodescendente pior colocado é 565 — média que jamais garantiria o acesso à Medicina em vestibulares passados. Entre aqueles que entraram via acesso universal, a média mais baixa é 754,11.

No meio médico, as análises são ponderadas. O presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), Fernando Weber Matos, preferiu “aguardar” para se pronunciar oficialmente. A vice-presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, Maria Rita de Assis Brasil, porém, tem um temor:

— É claro que nós podemos discutir se o vestibular avalia de fato o aluno, mas não é a discussão que se coloca agora. A situação óbvia é que, baixando a média, baixa, em tese, o preparo deste aluno e o universo de conhecimento dele.

Comentar esta matéria Comentários (11)

rub

As cotas são justas,contudo devemos tomar cuidado para não comerem a serem feitas injustiças com os demais concorrentes.Os cotistas já tinham um grande benefício sobre os demais com a implantação das cotas na UFRGS.Daqui a pouco podem querer implantar cotas para que os cotistas consigam se formar.

29/01/2012 | 15h15 Denunciar

Ericson

O sistema de cotas do Brasil é uma vergonha,pois previligia a pessoa pela cor e não pelo seu esforço em estudar e passam num curso tao concorrido como medicina amparados neste injusto previlegio. Muitos dos cotistas possuem condições muito boas de estudar e deveria ser analisado este fato.Vergonhoso

28/01/2012 | 00h17 Denunciar

Jacson Schwengber

Esta no edital as regras quanto a media de cotistas auto declarado negos. É só ler nas disposições gerais o item 1.5.5 e quanto a pré classificação é só ver o item 6.1.5. Portanto, além de ter sido aprovada pelo CEPE, a nova regra quanto ao ponto de corte para cotistas estava prevista em edital.

27/01/2012 | 12h48 Denunciar

Jacson Schwengber

O problema é que a população negra e pobre não tem como pagar um cursinho e se dar ao luxo de ter ¿uma rotina militar de estudos¿. As justificativa das cotas não é em função de um suposto déficit intelectual dos cotistas,mas por tornar mais equânime a disputa por essas vagas.

27/01/2012 | 11h36 Denunciar

Fátima

Ainda se não bastasse agora dizem que quem está contra o favorecimento dos cotistas é elitista. Elitista é quem tem rotina militar de estudos com objetivo de conquistar uma vaga no curso de medicina numa universidade federal? É não ser aprovado com pontuação bem maior que cotista? Elitista é quem compra vaga em universidades, reforçando o balcão de negócios que caracteriza o Brasil das desigualdades. Porque estes alunos que estudam de forma honesta têm que pagar a conta? Será porque estão a serviço do interesse político de aumentar os índices de desenvolvimento e se beneficiando perante a outros países? Querem aumentar a inclusão, mas, parece que está valendo é a cor e não o potencial cognitivo (capacidade de pensamento). É bem mais barato para o governo aumentar as contas do que melhorar o ensino público. Esse é o Brasil onde estudar é ser ELITISTA!!!!!!

26/01/2012 | 10h55 Denunciar

Carla

Mas se o problema for de um negro entrar em uma estimada faculdade com baixa nota. Bom até concordo, trate os iguais como iguais, ou seja, a seleção deveria ser a mesma para o pessoal do ensino público. Mas me orgulho e fico feliz de um dia poder ser atendida por um médico negrão.

26/01/2012 | 10h03 Denunciar

Carla

Não ficou bem claro na matéria, se o problema principal é o futuro da medicina ou o problema é a incerção de um ''neguinho'' em um dos cursos mais concorridos do país. Se o problema for a primeira opção não vejo problema algum, pois as dificuldades serão as mesmas durante a faculdade para ambos.

26/01/2012 | 09h49 Denunciar

ALESSANDRO

Detalhe importante. Essa diferença de tratamento não é declarada no Edital. Não pode mudar as regras com o jogo em andamento. Fui aluno UFRGS e quem não passou acho que teria que verificar isso juridicamente. Sou a favor das cotas, mas desde que seja feito um processo justo para todos.

26/01/2012 | 09h28 Denunciar

ALESSANDRO

Não concordo com a posição da UFRGS ao reduzir critérios para análise das redações para cotistas. O fato de abrir vagas para cotistas já é o suficiente, mas baixar os requisitos para preenchimento de vagas pode gerar revolta de quem atingiu os requisitos e poderia obter uma dessas vagas não ocupadas

26/01/2012 | 09h14 Denunciar

Marcelo

Que boa iniciativa esta, só deixo uma pergunta; meu filho é branco e pobre, por que o estado não beneficia ele como esta beneficiando os negros-pobres? existe alguma diferença entre um branco pobre e um negro pobre? não são eles iguais??

26/01/2012 | 09h10 Denunciar

Carlos

Eu não entendi direito. A UFRGS acredita que negros são inferiores aos não negros e, por isso, essas regras mais frouxas? Bizarro!

26/01/2012 | 07h06 Denunciar

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