Aumentar o limite de velocidade de 60 km/h para 70 km/h seria uma forma de agilizar o fluxo de veículos em Porto Alegre nas vias mais rápidas? Um projeto na Câmara de Vereadores prevê a mudança, que seria tecnicamente possível em muitas vias da Capital, mas a ideia esbarra na segurança.
O projeto, de autoria do vereador Alceu Brasinha (PTB), tramita desde 2010 na Câmara e deve ser apreciado em fevereiro. Brasinha acredita que a mudança seria benéfica para o trânsito da Capital e considera que vias de grande movimentação — como a Ipiranga e a Terceira Perimetral — poderiam ser mais rápidas.
MURAL:
Você acredita que aumentar a velocidade de 60 km/h para 70 km/h em vias rápidas da Capital acarretaria em mais acidentes ou apenas agilizaria o fluxo de veículos?
A alteração de limite de velocidade é permitida a órgão de trânsito ou rodoviário com circunscrição sobre a via, determina o Código de Trânsito Brasileiro. Caso seja aprovada em Porto Alegre, a proposta passará pelo crivo da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).
— Isso melhoraria o fluxo. A intenção é abrir um debate — afirma Brasinha.
O texto tramita aos trancos e barrancos, com aprovações e rejeições nas comissões pelas quais passou. O maior problema não seria a adaptação às necessidades de uma via mais rápida.
O grande empecilho é um dos cânones das autoridades de trânsito da Capital: a velocidade máxima em Porto Alegre é 60 km/h, e é importante que isso permaneça na cabeça do motorista, define o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari.
— A velocidade de 60 km/h já é elevada — defende Cappellari.
Especialista afirma que medida teria pouca eficácia
Especialista em trânsito, o professor do Laboratório de Sistema de Transportes (Lastran) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) João Fortini Albano opina que, na maior parte da cidade, a medida teria pouca eficácia.
No entanto, é simpático a estudos técnicos para determinar a sua viabilidade em vias que ligam Porto Alegre a outros municípios, como o trecho final da Assis Brasil em direção a Cachoeirinha e a ligação com Viamão pela Bento Gonçalves.
— A maioria das vias pode comportar uma velocidade maior, o que é ainda mais evidente nas rodovias. Na freeway está muito melhor — compara.
A EPTC já estudou aumentar o limite na Avenida Edvaldo Pereira Paiva, mas desistiu por causa da segurança de pedestres e ciclistas.
Com os viadutos e passagem de nível previstos para a Terceira Perimetral, ela deverá ganhar características de via expressa, porém não há previsão de que possa receber veículos a mais de 60 km/h. A Avenida Castelo Branco é a exceção, pois permite até 80 km/h.












