O pedido de providências partiu da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) há 45 dias, conforme o diretor-presidente do órgão, Vanderlei Cappellari. Segundo ele, imagens captadas pelas câmeras da EPTC mostravam ocorrências consideradas “radicais” envolvendo ciclistas e motoristas que teriam sido impedidos de seguir o trajeto durante manifestações. Um DVD contendo as gravações foi levado ao MP.
— Fiquei preocupado. Alguns levantavam a bicicleta fazendo menção de atirar nos carros, outros davam tapas nos veículos para fazer com que parassem — disse Cappellari.
O documento emitido pelo MP foi destinado à Cidade da Bicicleta, no bairro Menino Deus, onde funciona o Laboratório de Políticas Públicas e Sociais (Lappus), ONG que entre outras coisas abriga uma associação de ciclistas e cujo representante é Marcelo Sgarbossa, integrante do Massa Crítica. O destinatário se referia ao “Sr. Comandante”, sem a citação de um nome. Conforme Sgarbossa, a essência do movimento, que existe no mesmo formato em vários países, é a ausência de representantes. Assim ninguém teria se sentido responsável pelo movimento e, por consequência, não teria respondido ao MP, que estipulou um prazo para isso encerrado ontem.
EPTC exige ser informada sobre manifestações
Sgarbossa, que é advogado e recebeu o papel, pretende procurar o promotor para explicar como é o funcionamento do grupo, tentar um diálogo e dizer as razões pelas quais ninguém se intitulou líder.
— O Massa Crítica é uma celebração, não um grupo ou uma entidade. Mesmo assim, me disponho a conversar com o promotor e explicar isso a ele. Pode ser que a EPTC tenha dito que somos um bando de arruaceiros, o que não é verdade — detalha Sgarbossa.
Cappellari destacou que a situação não deve ficar sem resposta. Caso não seja informado ao órgão com antecedência os dias e horários das manifestações para que possa ser planejado um acompanhamento, ele espera que haja uma solicitação do MP pedindo que a autoridade policial tome providências.
— O estado de direito não pode aceitar esse tipo de comportamento — salientou Cappellari.
Procurado, o promotor Luciano de Faria Brasil decidiu conversar com ZH somente na segunda-feira.
O que dizem:
BRIGADA MILITAR: Coronel Altair Cunha, subcomandante
Nada impede que eles façam o movimento, mas quando causa transtorno à mobilidade urbana é outro problema. Sou ciclista e me identifico com os ideais deles, mas como autoridade da ordem pública acho que nada impede que avisem à Brigada e à EPTC do ato e seu trajeto para evitar acidentes e manter a ordem. No direito de criar uma nova consciência crítica, a pessoa não pode criar um transtorno à população.
EPTC: Vanderlei Cappellari, diretor-presidente
A forma de bloqueio me preocupa muito. Eles saem em um grupo grande pedalando, trancando as ruas sem segurança. Queremos chamar à atenção do MP. Eu já tive várias reuniões para avaliar políticas de incentivo ao uso da bicicleta com o Massa Crítica, mas parei porque não posso ficar tendo reuniões sobre o comportamento de terceiros, quando aquele que está participando comigo não está disposto a rever o seu comportamento. Pedimos para que eles nos avisassem dos atos e dos itinerários para ter um planejamento prévio de proteção dos manifestantes e para dar alternativas para o cidadão que está circulando, mas isso não foi feito. Quero que eles cumpram o que todo o promotor de eventos da cidade cumpre.
MASSA CRÍTICA: Marcelo Sgarbossa, integrante
Por princípio, nossa organização não tem um líder. É público que nos reunimos sempre na última sexta-feira de cada mês, às 18h30min. Por não ser uma organização, não avisamos as autoridades de trânsito e policial. A EPTC já acompanhou nosso trajeto algumas vezes e querem fazer a segurança de moto, mas isso coloca ainda mais em risco os participantes. Também não há um planejamento de itinerário. Decidimos tudo na hora, juntos. Essa é a nossa essência. Não queremos algazarra. É um encontro da paz.
MINISTÉRIO PÚBLICO: Não se manifestou
Em infográfico, veja como ocorreu o atropelamento:












