Motivo de discórdia23/11/2011 | 06h10Atualizada em 24/11/2011 | 21h44

Prefeitura dá prazo para moradores retirarem prédio construído sobre praça na Capital

MP entrou com ação civil pública por uso indevido do patrimônio público

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Prefeitura dá prazo para moradores retirarem prédio construído sobre praça na Capital Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Prefeitura exige, entre outras medidas, a retirada de um prédio construído por moradores, utilizado como salão de festas Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS
Uma praça na zona norte de Porto Alegre tem colocado em lados opostos moradores e prefeitura. Adotada há quase 20 anos por proprietários de apartamentos em um condomínio no bairro Passo D'Areia, a área localizada no cruzamento das ruas Antônio Joaquim Mesquita e Sapê virou motivo de discórdia.

A prefeitura afirma que não concedeu autorização para algumas modificações feitas na praça Nelson Bório, como a construção de um salão de festas e a instalação de uma guarita de segurança do condomínio, o que configuraria privatização de área pública. Foi dado um prazo de 72 horas para que as edificações fossem retiradas pelos moradores.

Os condôminos contestam:

— Sempre fizemos tudo em conformidade com as exigências da prefeitura. Nunca restringimos o uso do local apenas aos moradores do condomínio. O salão de festas é utilizado por toda a comunidade do bairro. Qualquer pessoa que chegar cedo, numa manhã de domingo, por exemplo, pode utilizar as churrasqueiras — afirma o síndico do prédio, Valter Ferreira da Silva, 50 anos.


De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam), desde que foram identificadas as irregularidades, pelo menos quatro síndicos foram notificados. O caso foi parar na Promotoria de Justiça de Habitação e Defesa da Ordem Urbanística do Ministério Público, que ajuizou uma ação civil pública contra o município e contra o condomínio. Com isso, a secretaria foi acionada pelo MP e se viu obrigada a encerrar a parceria de adoção da praça, feita com os moradores.

Em janeiro de 1992, moradores e prefeitura assinaram um termo de cooperação que transferia aos moradores a responsabilidade pelos serviços de urbanização, conservação e manutenção da praça. O texto do acordo não prevê, porém, a construção de edificações sobre o terreno da praça.


Praça Nelson Bório.
Foto: Ronaldo Bernardi


No dia 18 de novembro, a Smam enviou uma notificação ao síndico do condomínio — recebida no dia 20, às 10h — em que dava um prazo de 72 horas, a partir do recebimento, para que, entre outras medidas, fossem retiradas as placas alusivas à adoção da praça e entregues as chaves do prédio utilizado como salão de festas.

Para os moradores, o fato de a prefeitura ter rescindido o termo de cooperação foi um tanto radical.

— A prefeitura tem uma política de adoção de praças e essa atitude não condiz com o que eles apregoam — afirma o funcionário público Fernando Saldanha, de 64 anos.

A Smam ainda não informou quais as medidas que devem ser tomadas em relação à praça, caso os moradores não cumpram as determinações até as 10h desta quarta-feira, quando termina o prazo dado pela prefeitura. Uma reunião entre representantes da Smam e do condomínio foi marcada para esta quarta-feira, às 14h.

Comentar esta matéria Comentários (15)

juliano

Moro na Andradas, em frente à Praça Brigadeiro Sampaio e nosso prédio não tem área de lazer, se quiserem doar, somos candidatos. Errou quem concedeu e não quem está tentando retomar. Parabéns à Prefeitura! se bem que ela mesma entragou a orla do Guaíba à empresa de refrigerantes.

24/11/2011 | 10h27 Denunciar

Michele

Não sei o motivo pelo qual as pessoas estão incomodadas com o fato de existir um salão de festas que toda comunidade pode usar, quem deveria reclamar é o condomínio e seus moradores que tiram dinheiro do seu bolso mensalmente para manutenção do local, sem falar no dinheiro gasto para construção.

23/11/2011 | 22h52 Denunciar

Michele

Tem pessoas que desconhecem a realidade,tenho certeza que a praça está em um estado de conservação muito melhor sendo adotada pelo condomínio, para confirmar minha afirmação basta atravessar a rua e ver a manutenção feita pela prefeitura na praça da frente e nas outras praças do bairro.

23/11/2011 | 22h42 Denunciar

sergioendrigo33

É melhor uma área de lazer do que mais uma área com ocupação irregular de moradias coisa que a prefeitura só enxerga depois de 10 ou 20 anos.

23/11/2011 | 21h04 Denunciar

Maurício

Parabens a SMAM, vai acabar com esta PRIVATIZAÇÃO DE ÀREA PÚBLICA, moro no bairro e este condominio sempre usou a praça e o salão de festa como uma extensão do condominio ! Tem que DEMOLIR o salão de festa a guarita e devolver a praça para o povo !!!!!!!

23/11/2011 | 19h21 Denunciar

Rejane Borba Foitzik - ME

Já perdemos uma praça perto da nossa escola que era cercada e a prefeitura acabou vendendo ou trocando o terreno para uma construtora. Em que País estamos! Acho que vamos precisar ficar trancados dentro de casa! porque as praças públicas são um TERROR! e as que restam, acontece isso!

23/11/2011 | 18h28 Denunciar

Rejane Borba Foitzik - ME

E sobre o salão de festas usamos gratuidamente para as festinhas das crianças e nunca tivemos problema algum.Estamos todos muito triste! Tenho em meu poder várias fotos de eventos realizados nesse local.

23/11/2011 | 18h24 Denunciar

Rejane Borba Foitzik - ME

Sou proprietária da Escola de Educação Infantil da Mônica e usamos muito essa praça para levar nossas crianças,pois no bairro é a unica que temos segurança.

23/11/2011 | 18h18 Denunciar

Felipe Bombardelli

Prabéns aos condôminos. Eles adotaram a praça por estarem sofrendo com vandalismos, mesmo com um posto da BM próximo. O salão de festas e a guarita,fizeram errado. Depois que a Prefeitura pegar de volta devem assumir o compromisso e cuidar para manter o que já foi feito. Chega de estacionamentos.

23/11/2011 | 14h15 Denunciar

Angelo Rodrigues

Parece ser simples a solução. O referido condomínio tem que tirar a guarita, deixar que qualquer público entre, e não só os condôminos, o salão de festas é lógico que tem que ser retirado, pois não pagamos impostos para apenas os condôminos usarem um lugar publico como seu.

23/11/2011 | 11h45 Denunciar

Marcelo

Penso o seguinte: já que o prédio foi construído em área pública, por que a Município não o toma para si assume sua administração, em prol de toda a comunidade, ao invés de destruí-lo? Não seria viável essa idéia?

23/11/2011 | 11h26 Denunciar

Sandra

Que absurdo! A prefeitura cede o espaço, os moradores gastam o próprio dinheiro e permitem que a comunidade usufrua das benfeitorias, anos depois a prefeitura reaparece e manda desmanchar o local q serve para o lazer das pessoas. E me digam pra q, pra depois abandonar o local e deixar criar mato?

23/11/2011 | 10h30 Denunciar

hildo

Se a prefeitura autorizou a adoção da praça pela comunidade,como forma de se eximir-se de suas responsabilidades de conservar e limpar;deve apoiar a atitude dos moradores, que desloquem uma equipe para saber junto a comunidade se realmente o salão é de uso comunitário,como afirma o sindico.

23/11/2011 | 10h07 Denunciar

juliano

Concordo com a Prefeitura! O que o condomínio fez foi tranformar a praça em uma extensão do mesmo. Salão de festas??? Se não é privatização...

23/11/2011 | 09h45 Denunciar

EDEGAR DE MAROS CORRÊA

obrigado

23/11/2011 | 08h29 Denunciar

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