Hoje é comum vermos pessoas praticando corrida nos parques, nas praças e também nas ruas. Décadas atrás, os corredores de rua eram bem mais raros - e o mais ilustre deles na Porto Alegre do século 20 certamente foi Cândido José dos Santos, mais conhecido como Bataclan. Existem dúvidas sobre a data e o local de nascimento de Bataclan. O certo é que ele andou por cidades como Rio de Janeiro, Florianópolis e Curitiba antes de vir parar na capital gaúcha. Na década de 1940, resolveu morar por aqui e tornou-se um personagem famoso da cidade. De manhã, saía a correr pelas ruas, de calção, às vezes descalço. À tarde, exibia a herança dos tempos de teatro: vestindo terno, gravata e cartola, andava pelo Centro propagandeando lojas, bares, bebidas, sabões e colchões, entre muitos outros produtos. Bataclan também estava sempre nos estádios de futebol em dias de jogos, muitas vezes distribuindo alimentos para famílias pobres. Gostava de conversar com as pessoas e defendia uma vida saudável - além de praticar esportes, era vegetariano e rejeitava cigarros e álcool. Tanto que viveu em torno de 90 anos. Seu velório, em setembro de 1990, foi realizado no Salão Nobre da prefeitura. O pesquisador Marcello Campos - autor de biografias de personagens como Norberto Baldauf e Alcides Gonçalves - prepara um livro sobre a singular história de Bataclan, ainda sem previsão de lançamento. O nome da banda porto-alegrense Bataclã FC, que deve lançar este ano seu terceiro disco, é uma homenagem ao atleta. *Este texto foi publicado originalmente em 22/01/2013 no blog do Almanaque Gaúcho, tradicional coluna de Zero hora.
A elegância do Bataclan contador de histórias. Foto: Luiz, BD, 22/9/1976
Bataclan em ação no Centro Foto: Carlos, BD, 4/10/1964













