Palavra de quem sabe20/02/2014 | 13h56

Guga aponta problemas do tênis brasileiro e critica organização da Copa

Guga afirma que faltam professores de tênis qualificados no país e diz que Mundial trará à tona realidade brasileira

Guga aponta problemas do tênis brasileiro e critica organização da Copa Eduardo Gabardo/Agencia RBS
Guga disse que faltam professores de tênis qualificados no Brasil Foto: Eduardo Gabardo / Agencia RBS
Eduardo Gabardo / Correspondente da RBS no Rio de Janeiro

Gustavo Kuerten entrou na sala de imprensa do Jockey Club do Rio de Janeiro e viu dezenas de jornalistas o aguardando. Pediu desculpas pelo atraso de uma hora, justificado pelo intenso assédio por onde passa. Aos 37 anos, depois de 20 títulos na carreira, sendo três em Roland Garros, ele segue com o mesmo prestígio, mesmo aposentado. Com o carisma de sempre, distribuiu autógrafos e posou para fotos antes de ver os jogos do Rio Open. No domingo, vai entregar o troféu para o campeão. Na entrevista, falou sobre Nadal, os problemas do tênis no Brasil e Copa do Mundo.

Zero Hora - Como foi entrar aqui e ver toda essa movimentação com um torneio deste porte no Brasil?

Gustavo Kuerten - Quando cheguei e vi esse cenário, da quadra dá para ver o Cristo, esse astral, me deu uma vontade de voltar a jogar que vocês não fazem ideia. O torneio tem o Nadal, eu dava tudo para poder jogar.

ZH - Mas foi possível perceber que o assédio continua igual, quase igual ao do Nadal, é isso?

Guga - Fico até envergonhado, tem pessoas que nem me viram jogar. Mas também, a exposição foi enorme, estava pela TV na casa das pessoas o tempo inteiro, tem gente que acha que sou parente (risos). Isso é muito bacana, ultrapassou o limite das quadras e devo muito ao local onde nasci, Florianópolis. Agora vem aí a minha biografia, vai ser nostálgico, vou procurar passar os meus sentimentos ao longo da história, quais foram as etapas, o processo de convencimento de que eu poderia me tornar o número um do mundo. Na verdade isso não tem explicação, mas vou tentar.

ZH - Por que o tênis brasileiro não conseguiu aproveitar o seu momento e não decolou?

Guga - São muitos fatores. Precisamos de uma quantidade maior de jogadores, hoje somos dependentes de quatro ou cinco atletas, teriam que ser 30 brigando para ser os melhores. Esse torneio ajuda, incentiva, dá visibilidade. Falta massificação. Mas sabe qual é o grande problema? Faltam professores de tênis qualificados no Brasil. Estamos com um projeto, trabalhando para aumentar o número de professores, temos 11 escolinhas, daqui a pouco em dois anos podem ser 50. 100 ou 200 bons professores vão fazer bons jogadores. Ali vai ter um gênio, um médio, e aí vamos trabalhando. É disso que precisamos, bons professores para que as crianças continuem praticando.

ZH - O Nadal é o maior fenômeno do tênis mundial?

Guga - Eu nunca vi nada igual, é impressionante a capacidade que ele teve de conseguir voltar a jogar nesse nível depois de tantas lesões. Eu não consegui, tive limites. Conheci ele pessoalmente, é incrível porque dentro da quadra passa aquela imagem de força, um cara bruto, mas fora é muito simples e tranquilo. Eu vejo que muita gente fica com o coração dividido, gosta dele, mas também fica com raiva porque ele ganha todos Roland Garros (risos). Eu ganhei três e ele já tem oito!

ZH - Como anda sua rotina depois que parou de jogar?

Guga - Você já tocou fralda? No começo eu demorava 30 minutos, agora é que nem pit stop da Ferrari, em 7 ou 8 segundos está feito (risos). Tenho ficado muito com os meus filhos, mas também cuido dos projetos sociais e das escolinhas. Pena que não estou conseguindo praticar esportes, ainda tenho dificuldade física por causa do quadril. Gostaria de fazer mais partidas de exibição, mas por enquanto não dá.

ZH - Você acha que vamos ter problema com a organização da Copa?

Guga - Não vamos passar vergonha, mas vai vir à tona a nossa realidade. Não vi benefícios. Durante o mês da Copa vai ser contagiante, os estrangeiros vão adorar, mas e depois? O que vai ficar? O governo assume o compromisso e não cumpre, por isso a insatisfação do povo, que sofre todos os dias. De aeroportos eu não vou nem falar. Agora nesse workshop eu nunca vi tanta segurança na minha cidade, em Florianópolis. Mas e depois? Também acho que a Fifa tinha que pagar mais. O Brasil pediu a Copa, mas eles também escolheram o Brasil. Não podem espremer tudo e não deixar nada.

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