Despedida09/08/2012 | 22h47

David Coimbra: Emanuel, o herói batido

Ao lado de Alison, jogador se despediu da Olimpíada nesta quinta

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David Coimbra: Emanuel, o herói batido Dave Martin,AP/
Emanuel se despediu das areias de Londres com uma medalha de prata em sua quinta Olimpíada Foto: Dave Martin,AP

Neste lugar em que Emanuel e Alison deixaram de ganhar o ouro no vôlei de praia num jogo trepidante, nesta quinta, em Londres, este lugar é mesmo um lugar de heróis caídos.

Bem aqui, ao lado da London Eye, quase à sombra do Palácio de Buckingham, bem aqui abre-se a Trafalgar Square, com a imponência da Coluna de Nelson ao centro, um monumento que homenageia um vencedor, tendo aos seus pés os gigantescos leões de bronze que dizem mais do que qualquer outra estátua de vitória, pois são forjados numa derrota: são leões feitos com o metal derretido dos canhões de Napoleão.

Este lugar, portanto, também presta homenagem a grandes heróis que um dia foram batidos.

Ontem, Emanuel, um dos maiores heróis do esporte brasileiro, foi batido. Justo ele, que tem uma estátua de quatro metros de altura plantada neste mesmo local de estátuas de vitória, no House Guarde Parade, onde se realizaram as coloridas partidas do campeonato olímpico de vôlei de praia. Uma estátua que não é de bronze, como os leões de Nelson, mas de plástico e poliestireno. Menos solene, claro que sim, mas significativa: em seu pedestal foi pregada uma placa de bronze informando que a estátua homenageia um herói do esporte.

E é o que é Emanuel. Um herói que terminou ontem sua quinta Olimpíada, que ganhou sua terceira medalha, uma de cada cor, que, aos 39 anos de idade e 20 de carreira, transformou-se em lenda, como definiu-o ontem seu parceiro Alison:

- É uma lenda, um exemplo, ele é único, é mais do que meu amigo: é meu irmão.

Os inimigos reconhecem isso, como os ingleses reconheceram a grandeza de Napoleão. Depois do jogo, na zona mista de imprensa, ninguém ficou mais tempo concedendo entrevistas do que Emanuel. Nem os vencedores Brink e Reckermann.

No jogo, Emanuel também se comportou como herói. O Brasil perdeu o primeiro set por 23 a 21. No segundo, impôs-se com 21 a 16. E no terceiro e decisivo estava perdendo por 14 a 11, os alemães iam fechar o jogo, até que Emanuel chamou Alison para o lado da quadra e lhe disse:

- Somos só nos dois aqui. Dependemos um do outro. Vamos buscar.

Buscaram.

Empataram em 14 a 14, enlouquecendo o estádio. Mas os alemães acabaram vencendo por 16 a 14 e levaram o ouro.

Na saída de quadra, com a medalha de prata no pescoço, Emanuel parecia tranquilo.

- Foi um jogão - disse. - Estou feliz porque não desistimos nunca. Queria o ouro, mas estou contente com essa medalha.

Estava sob controle emocional, Emanuel. Até que alguém perguntou se ele pretende disputar a Olimpíada do Rio. Então, Emanuel se calou por alguns segundos e enfim falou, com voz embargada:

- Não sei se terei saúde.

Os repórteres insistiram em saber se ele quer disputar sua sexta Olimpíada. E os olhos de Emanuel se encheram d'água.

- Vocês querem que eu me emocione - brincou. - Não sei se vou conseguir...

E saiu, triste. Como um Napoleão no exílio, Emanuel despediu-se da Olimpíada de Londres sentindo a dor de quem chega ao fim.

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