No Japão06/12/2012 | 07h03

Sonho corintiano: Mundial de Clubes começa hoje

Time paulista tem o Chelsea como possível adversário em uma final

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Sonho corintiano: Mundial de Clubes começa hoje Nelson ALMEIDA/AFP
Corinthians embarcou para o Japão com muita festa da torcida Foto: Nelson ALMEIDA / AFP

Uma invasão corintiana, digna a da semifinal do Brasileiro de 1976, no Rio, é aguardada no Japão. Fala-se de 20 mil torcedores do Corinthians em direção ao Oriente para acompanhar a nona edição do Mundial de Clubes Fifa, a segunda da história do clube, que venceu a primeira, em 200, no Brasil. A competição começa hoje às 8h45min (Brasília), com o confronto entre Sanfrecce Hiroshima-JAP, e o Auckland City-NZL, em Yokohama.

O provável adversário do Corinthians, claro, caso os paulistas passem da semifinal, é o cambaleante Chelsea. Depois da conquista da Liga dos Campeões na temporada passada, o clube londrino acumula fracassos, como o de ontem, quando foi eliminado da mesma competição ainda na fase de grupos. Rede Globo, a partir das semifinais, Band, SporTV e Bandsports transmitem.

Corinthians
São Paulo, Brasil
Campeão da Copa Libertadores da América

Para disputar campeonatos de tiro curto, como o Mundial de Clubes da Fifa, alguns técnicos de futebol gostam de armar equipes com jogadores experientes. Pois foi exatamente que Tite fez ao projetar a equipe do Corinthians que vai ao Japão.

O time é praticamente o mesmo que ganhou a Copa Libertadores e manteve a média de idade elevada: 29,45 anos (apenas entre os titulares). O mais jovem é Paulinho, pilar do meio de campo, com 24 anos. O mais velho do time é o atacante Emerson, de 34 anos. Ao seu lado, há uma tropa de trintões: Alessandro (33), Chicão (31), Danilo (33) e Douglas (32). O título mundial coroaria essa geração que venceu o Campeonato Brasileiro e a Libertadores - em 2013 esse elenco certamente será renovado.

Da Libertadores para o Mundial, saíram o zagueiro Leandro Castán, o meia Alex e o centroavante Liedson. Entraram na equipe titular o zagueiro Paulo Andre e o meia Douglas, que já estavam no grupo, e o centroavante peruano Guerrero, contratado do Hamburgo. Além deles, há também o atacante argentino Martínez, vindo do Vélez Sarsfield.

Tite se agarrou no esquema 4-4-2, que ele considera um 4-1-4-1. Nessa formação, Ralf fica à frente dos zagueiros, o meio de campo é congestionado com Paulinho, Douglas, Danilo e Emerson. E Guerrero é o centroavante mais fixo, como um pivô. Dessa maneira, ele monta um time compacto, com pouco espaço livre entre defesa, meio de campo e ataque. Ganha-se em marcação e em um contra-ataque mortal puxado por Emerson, que se movimenta muito e tem liberdade para isso. Ou em uma jogada mortal: a subida de Paulinho, um elemento surpresa - em um descuido ele aparece livre e finaliza ao gol.

Tite treina essas jogadas a esmo nos treinamentos - a Libertadores foi ganha dessa maneira. O ímpeto do time na conquista do torneio continental é usado, dentro do clube, como exemplo, como diz Danilo. "Temos de jogar dessa forma, dando pouco espaço ao rival", afirmou. A maior preocupação do treinador foi, após a conquista da Libertadores, não deixar que os jogadores sentissem a sensação de dever cumprido, apenas contando os dias para o Mundial.

Se por um lado alguns atletas ganharam folga, Tite impôs uma concorrência interna dentro do grupo durante o Brasileirão. Ela funcionou. Douglas, reserva na Libertadores, cresceu. E Guerrero, na reta final, desbancou Martínez, Jorge Henrique e Romarinho - esses três atacantes serão reservas no Japão.

Tite, jogadores e diretoria evitam em falar em favoritismo para ganhar o Mundial, apesar da queda de rendimento do Chelsea. Afirma que, sim, é possível ser campeão, mas que isso não se tornará uma obsessão.

Na verdade, o que ninguém no Corinthians admite é que, em caso de derrota, o time quer voltar do Japão pelo menos com uma boa imagem. Os fiascos do Internacional, eliminado pelo fraco Mazembe, e a aula de futebol que o Barcelona deu no Santos ano passado estão frescos na memória de Tite. O recado para time é: que a equipe jogue tudo o que sabe. Se vencer, melhor.

Time base: Cássio; Alessandro, Chicão, e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Danilo, Douglas e Emerson; Guerrero
Técnico: Tite


Chelsea
Londres, Inglaterra
Campeão da Liga dos Campeões da Europa

Do céu ao inferno. Assim pode ser definida a trajetória do Chelsea nos últimos meses. Após atingir o seu ápice com o título da Liga dos Campeões da Europa, em maio, a equipe entrou em profundo declínio às vésperas do Mundial de Clubes da Fifa, único título que falta. A defesa virou uma peneira e o ataque já não botava medo em ninguém. A diretoria, então, resolveu demitir o técnico italiano Roberto Di Matteo e contratou o espanhol Rafa Benítez.

Trocar de técnico virou uma prática rotineira depois que o bilionário russo Roman Abramovich comprou o clube em 2003. Benítez é o décimo treinador do time inglês nos últimos nove anos. Desempregado desde dezembro de 2010, depois de ter sido campeão mundial de clubes pela Internazionale, o espanhol foi contratado para recolocar a equipe nos trilhos.

Para isso, o time não precisa jogar bonito. "Abramovich quer ver o Chelsea praticando bom futebol, mas não ao estilo do Barcelona", admitiu Benítez na semana passada. A equipe passa por um momento de transição. O chamado grupo de "senadores" que conduziu o time ao título continental foi dissolvido e, por isso, perdeu força.

O atacante marfinense Didier Drogba foi para o futebol chinês, o meia Frank Lampard vem dando sinais de que seu ciclo de 12 anos no clube londrino está acabando e como seu contrato se aproxima do fim pode deixar Stamford Bridge, enquanto que o zagueiro John Terry tem sofrido com lesões e após ser considerado culpado em um caso de racismo com Anton Ferdinand, do Queens Park Rangers, teve o seu prestígio abalado.

O único que continua em alta é o goleiro checo Petr Cech. Aos 30 anos, já foi chamado de velho após cometer algumas falhas, mas com reflexo apurado e ótima saída de bola, transmite confiança para a defesa e é figura constante lista de melhores do mundo na posição. Um dos seus diferenciais é a ótima reposição de bola. Assim, não são raros os gols da equipe que nascem dos seus pés.

Neste contexto, novos nomes têm se destacado no Chelsea. No meio de campo, por exemplo, o velocista Ramires caiu nas graças da torcida com alguns gols bonitos e importantes, como o marcado contra o Barcelona na Liga dos Campeões. O recém-chegado Oscar é outro que goza de prestígio, afinal chegou ao clube em agosto, não sentiu o peso da camisa e, com uma sequência de boas atuações, tornou-se titular.

Quem também não precisou de muito tempo para se adaptar o futebol inglês foi o meia Juan Mata. Ele deixou o Valencia há pouco mais de um ano e já se transformou em um dos pilares do Chelsea. Criativo e versátil, pode jogar tanto centralizado como pelas beiradas do campo. Quando a situação aperta, costuma chamar a responsabilidade e decidir.

Time base: Petr Cech; Azpilicueta (Ivanovic), Terry, David Luiz e Ashley Cole; Mikel, Ramires, Hazard, Oscar (Moses) e Mata; Fernando Torres
Técnico: Rafael Benitez


Sanfrecce Hiroshima
Hiroshima, Japão
Campeão japonês

Base é a aposta do Sanfrecce. Nada menos do que 10 atletas do Sanfrecce Hiroshima foram formados no próprio clube. Há, inclusive, dois irmãos gêmeos: Koji e Kazuyuki Morisaki. Experientes (têm 31 anos), os dois atuam no meio de campo e dão tranquilidade aos mais novos. O goleiro Shusaku Nishikawa, da seleção japonesa, é outro ponto de segurança da equipe.

O modelo adotado pelo clube de revelar atletas nas categorias de base e que levou o time à inédita conquista do campeonato nacional este ano se transformou em referência para outras equipes.

Originalmente ligado à montadora Mazda, o Sanfrecce Hiroshima perdeu investimentos externos e, então, passou a apostar nos garotos. A aposta deu certo e, assim, o clube disputará o seu primeiro Mundial.

O estilo de jogo da equipe também chamou a atenção no Japão. Sob o comando do técnico Hajime Moriyasu, o Sanfrecce Hiroshima foi campeão com uma rodada de antecedência apresentando um futebol bastante ofensivo. A referência da equipe é o atacante Hisato Sato, de 30 anos.

Time base: Nishikawa; Moriwaki, Chiba e Mizumoto; Mikic, Aoyama, Kazuyuki Morisaki, Shimizu, Koji Morisaki e Takahagi; Hisato Sato
Técnico: Hajime Moriyasu


Auckland City
Auckland, Nova Zelândia
Campeão da Liga dos Campeões da Oceania

O Auckland City disputa o seu quarto Mundial de Clubes da Fifa sem nunca ter alcançado a semifinal do torneio. Esse ano, porém, a equipe da Nova Zelândia sonha com voos mais altos e foi a primeira de fora do Japão a iniciar em Tóquio os treinos preparatórios para a competição. Desde a última sexta-feira, já treina no país e no sábado fez um amistoso contra o Matsumoto Yagama, time da segunda divisão do Campeonato Japonês, como parte do processo de adaptação para a partida contra o Sanfrecce Hiroshima, na abertura.

O Auckland City aposta em um quinteto espanhol para mudar o histórico de fracassos no Mundial: Manel Expósito, àngel Berlanga, Albert Riera, Pedro García e o técnico Ramón Tribulietx. Ex-jogador de Barcelona e Atlético de Madrid, Expósito é o craque do time e foi o artilheiro da Liga dos Campeões da Oceania com seis gols.

O capitão é o zagueiro Ivan Vicelich, que defendeu a seleção neozelandesa na Copa do Mundo de 2010. Há ainda jovens promissores como Alex Feneridis e Adam McGeorge, que atuaram nos Jogos Olímpicos de Londres.

O fator financeiro também move o Auckland City. A sétima e última colocação no ano passado garantiu ao clube o prêmio de US$ 500 mil (R$ 1 milhão pelo câmbio atual). Apenas um quarto dessa quantia, no entanto, foi para os cofres do clubes. O restante foi para a associação de clubes da Nova Zelândia.

Em 2009, quando terminou o Mundial de Abu Dabi na quinta colocação, o prêmio foi duas vezes maior. "Como ficamos com apenas 25% do valor do prêmio, dá para imaginar a diferença que é ficar em quinto ou sétimo lugar", admitiu o presidente do clube, Ivan Vuksich.

Por isso, o foco total da equipe está em vencer o Sanfrecce Hiroshima. Uma vitória na estreia representaria um aumento de US$ 250 mil, independentemente do resultado nas quartas de final.

Time base: Spoonley; Pritchett, Steeden, Vicelich e Berlanga; Riera, Feneridis, Corrales, Expósito e Garcia; Tade
Técnico: Ramon Tribulietx


Al Ahly
Cairo, Egito
Campeão da Liga dos Campeões da África

O Al Ahly, do Egito, chega ao Mundial de Clubes da Fifa na condição de azarão não só porque historicamente o favoritismo sempre recai sobre equipes da Europa e da América do Sul. Na avaliação de Tite, que assistiu pela tevê a vários jogos da Liga dos Campeões da África, o time mais forte do torneio e principal candidato ao título era o Espérance, da Tunísia.

Na decisão, porém, quem levou a melhor foi o Al Ahly: empate por 1 a 1 no primeiro jogo e vitória por 2 a 1 na partida de volta. Foi o sétimo título africano do Al Ahly. As outras conquistas foram em 1982, 1987, 2001, 2005, 2006 e 2008.

Essa última taça, no entanto, foi histórica. Em fevereiro, durante uma partida contra o Al-Masry no estádio de Porto Said, pelo Campeonato Egípcio, milhares de torcedores invadiram o campo, entraram em confronto. 79 pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas.

A tragédia provocou a paralisação completa do futebol no Egito. Sem disputar o campeonato nacional, o time se limitou a jogar a Supercopa do Egito, conquistada diante do Enppi com portões fechados, e a Liga dos Campeões da àfrica.

Time base: Ekramy; Shedid, Nageib, Fathy e Gomaa; Ghaly, Soliman, Ashour e Aboutrika; Hamdi e Gedo
Técnico: Hossam El Badry


Ulsan Hyundai
Ulsan, Coreia do Sul
Campeão da Liga dos Campeões da Ásia

O Ulsan Hyundai vai disputar o Mundial de Clubes da Fifa após vencer, pela primeira vez, a Liga dos Campeões da Ásia, competição que vem sendo dominada pelos times sul-coreanos - o país esteve presente nas últimas quatro decisões. No dia 10 de novembro, o Ulsan derrotou o Al-Ahli, da Arábia Saudita, por 3 a 0 - um dos gols da vitória foi marcado pelo brasileiro Rafinha.

No confronto das quartas de final, o Monterrey é o favorito, mas o Ulsan pode dar algum trabalho aos mexicanos. O time está embalado pelo título da Liga Asiática e uma de suas marcas foi o estilo ofensivo implementado pelo treinador Kon Ho Kim, que, por sinal, está no comando do time desde 2008.

Quatro jogadores do Ulsan atuam na seleção da Coreia do Sul: os atacantes Lee Keunho e Kim Shinwook, o zagueiro Kwak Taehwi e o goleiro Kim Youngkwang. Na campanha do título da Liga da Ásia, Rafinha marcou cinco dos 27 feitos pelo time na conquista do campeonato.

Time base: Kim Youngkwang; Lee Yong, Kwak Tae Hwi, Chang Woo e Juan Velez; Lee Ho, Kim Young Sam e Lee Keun Ho; Kim Seung Yong, Kim Shin Wook e Rafinha
Técnico: Kim Ho Gon


Monterrey
Monterrey, México
Campeão Liga dos Campeões da Concacaf

O Monterrey tentará este ano se redimir do vexame dado no Japão em 2011, quando chegou ao Mundial de Clubes da Fifa apontado por todos como o terceiro time mais forte depois de Santos e Barcelona, mas acabou decepcionando e caindo logo na estreia diante do Kashiwa Reysol. Após empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, a equipe perdeu para os japoneses por 4 a 3 nos pênaltis.

O time mexicano não era visto como perigoso por acaso. A equipe campeã da Concacaf contava com vários bons jogadores e um ataque muito veloz e forte. _ Vivemos uma boa experiência no ano passado e temos de aproveitá-la agora. Creio que podemos chegar ao Japão em melhor condição e pensar em fazer as coisas de outra maneira, pois temos uma equipe forte, com mentalidade vencedora e sede de revanche _ disse o técnico Victor Vucetich.

Para este ano, a base foi mantida e a referência no ataque continua sendo o atacante chileno Humberto Suazo, titular da seleção de seu país na Copa do Mundo de 2010. O argentino César Delgado é outro atacante perigoso. Rápido e bom finalizador, ele vestiu a camisa da seleção do seu país por vários anos.

Embora não faça parte do grupo de clubes tradicionais o futebol mexicano, o Monterrey tem se destacado nos últimos anos. Com os cofres cheios, a diretoria buscou talentos em toda a América do Sul. A estratégia deu certo e o clube ganhou o título nacional em 2009 e 2010. Este ano, ganhou o Clausura 2012 e novamente a Liga dos Campeões da Concacaf _ na decisão, superou o também mexicano Santos Laguna. Humberto Suazo terminou a competição como artilheiro, com sete gols, e foi eleito o melhor jogador do torneio.

É bom ficar de olho também em Neri Cardozo, talentoso meia revelado pelo Boca Juniors. Ele marcou o gol do título da Concacaf deste ano e acumula a experiência de também ter disputado - e vencido - o Mundial pelo time argentino em 2007. Outro atacante que pode dar trabalho é Aldo de Nigris, irmão de Antonio de Nigris, que jogou no Santos em 2006 e morreu em 2009.

Time base: Orozco; Chávez, Basanta, Morales e Pérez; Ayoví, Neri Cardozo, Corona e Delgado; Humberto Suazo e De Nigris
Técnico: Victor Vucetich

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