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Mas nas arquibancadas, a dona do time, Soula Alevridou, ou "Madame Soula", como é conhecida por essas bandas, observava atentamente, uma mulher pequena, usando uma gravata masculina e fumando cigarros ultrafinos.
— Lembre-se que o time da casa é muito bom — disse ela, explicando as dificuldades pelas quais seu time, o Voukefalas, estava passando.
Madame Soula, ex-prostituta e hoje, aos 67 anos de idade, dona de dois bordéis de luxo aqui em Larissa, entrou em cena no outono do Hemisfério Norte para patrocinar o Voukefalas, um pequeno time de futebol amador que, como muitos outros na Grécia, enfrentava dificuldades para conseguir dinheiro para uniformes, equipamentos e taxas para os campos de jogos.
Ela considera seu apoio uma coisa natural para se fazer, mesmo que como um gesto patriótico, já que seu país atolado em dívidas está com tantos problemas que muitos extras da vida, como esporte amador, estão ficando fora de alcance.
— Um amigo pediu e eu disse: 'estou aqui' — contou.
Mas as autoridades locais nesta rica área de cultivo estão meramente lhe agradecendo pelos esforços. Na verdade, sua doação de cerca de mil e trezentos dólares até agora – em parte para comprar uniformes de treino cor-de-rosa chiclete – tem causado um certo falatório enquanto as autoridades debatem se é ou não apropriado ter uma dona de bordel entrando em cena, mesmo que seja para compensar um estado falido e uma economia que deixa poucas empresas com dinheiro para ajudar jovens a praticar esportes.
Em uma entrevista, o prefeito de Larissa, Konstantinos Tzanakoulis, ignorou especificamente as perguntas sobre o assunto. E a liga de futebol de Larissa recentemente informou ao Voukefalas que os equipamentos do time que levassem os nomes dos bordéis de Madame Soula – Villa Erotica e House of the Era – não seriam tolerados, embora os bordéis sejam legais na Grécia. A liga avisou que qualquer infração, não apenas durante os jogos, mas também durante "treinamentos, aquecimentos, entrevistas e partidas amistosas", colocaria o time em audiências disciplinares por "difamação do esporte".
O presidente do time, Ioannis Batziolas, de 29 anos, goleiro reserva, chama a decisão da liga de hipócrita, e ressalta que o campeonato profissional da Grécia é patrocinado pela loteria do estado e companhia de apostas OPAP, que, em breve, será privatizada.
— Qual é a melhor ideia para se promover? — perguntou ele. — Apostas ou sexo?
Durante um tempo, esta cidade com 200 mil habitantes aos pés do Monte Olimpo pareceu enfrentar a crise grega melhor que a maioria. Mas os anos de recessão se acumulam e muitas empresas estão sofrendo. O desemprego é de mais de 20 por cento, maior entre os jovens.
Madame Soula disse que seu negócio foi afetado também. Mas não tanto assim. Os clientes, às vezes, vêm até da Grã-Bretanha, segundo ela, atraídos por anúncios na internet.
Batziolas disse ter procurado em todos os cantos por patrocinadores para o time, mas não achou nada até que Madame Soula apareceu. Sua própria agência de viagem, a L.A. Travel, proporcionou grande parte do dinheiro ano passado. Mas não tinha mais condições de fazer isso, disse ele. Além disso, ele não vê a parte do apoio do governo há vários anos.
— Eles me devem milhares de dólares — disse ele.
Tzanakoulis, que é prefeito aqui há mais de uma década, diz que a municipalidade continua a apoiar os esportes, mas o governo central não tem feito sua parte, o que deixa ainda uma grande necessidade.
— O esporte é importante para os jovens — disse ele. — É uma ótima atividade que os mantém longe de problemas. — Mas isso é tudo que ele tem a dizer quando o assunto é o Voukefalas (o time tem o nome do cavalo de Alexandre, o Grande) e o novo patrocinador do time.
Voukefalas não é o único time criativo na hora de procurar por patrocinadores. Outro time de futebol arranjou uma casa funerária para atuar como patrocinador e, por um tempo, os jogadores usaram camisetas pretas com cruzes brancas. Mas as autoridades da liga também não gostaram disso.
Madame Soula tenta se livrar do falatório sobre seu patrocínio. — Eles têm mais alguém para lhes dar dinheiro? — perguntou ela.
Nesses tempos de necessidade, ela está simplesmente tentando ajudar, explicou ela. Ela claramente está orgulhosa com o fato de, como uma "garota do bairro" que cresceu na extrema pobreza nos tempos após a guerra civil grega, estar agora em posição de ajudar. Ela tem uma porção de casas, disse ela, incluindo uma casa pequena e arrumada ao lado de um de seus bordéis. Lá ela tem uma pequena horta e cria um cachorro pequeno e nove gatos.
Mas também ficou claro que a condenação pública trazida pelo patrocínio está cobrando um preço. Em uma tarde recente, ela pareceu chateada algumas vezes pelo fato de sua generosidade gerar tanta hostilidade. Ela defende a prostituição como um meio de sobrevivência que permitiu que ela sustentasse grande parte de sua família ao longo dos anos. Seu filho e seus dois sobrinhos trabalham para ela agora.
Em novembro, ela tentou ajudar uma escola primária no porto ocidental da cidade de Patras, mas foi publicamente rejeitada. A escola havia mandado um pedido de socorro pedindo contribuições para livros e para uma fotocopiadora. Ela disse que rapidamente mandou cerca de três mil e seiscentos dólares, mas a escola devolveu o cheque. A menção à fotocopiadora enche de lágrimas os olhos Madame Soula e ela parece desapontada. — Eles deveriam pensar nas crianças — disse ela. — Como elas iriam saber que fui eu que mandei? Eu já estarei morta quando elas descobrirem.
Os jogadores do Voukefalas, que perderam seis dos 10 primeiros jogos, estão muito agradecidos por terem um benfeitor. Eles defenderam Madame Soula como uma mulher generosa que tem um negócio legal e frequentemente faz caridade sem pedir nenhum crédito.
— Ela tem um caráter que não se compara ao trabalho dela — Batziolas disse. Os jogadores têm que lidar com um monte de provocações. Mas em grande parte, isso os diverte, segundo eles.
— O dinheiro dela foi muito bem vindo — disse um dos jogadores, Dimitris Pikoulis, de 24 anos, que também é instrutor de autoescola. — São tempos difíceis.
— Agora só precisamos nos concentrar em jogar bem — completou ele, — por que é um começo muito difícil para nós.
Por mais improvável que parecesse no começo, o dia trouxe a vitória para o Voukefalas. E o presidente do time adversário, Nikos Daglis, pediu a Madame Soula que posasse para uma foto com ele. — Eu não vejo nenhum problema com a ajuda dela — disse ele.








